Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo


Do pôster ao elenco, tem cara de comédia, daquelas que vão tentar ensinar algo, lição de moral. Não num sentido negativo, mas mostrando que sim, dá pra brincar e ironizar as filosofias diárias como amor, morte, desapego e o escambau. Quando começa, você sabe que o mundo vai acabar, mas durante todo o desenrolar tive expectativas de que a sinopse estaria redondamente enganada.

Um asteróide vai colidir com a Terra e todo mundo vai morrer. Ponto. Dodge (Steve Carell), o protagonista, acaba tendo sua vida cruzada com a vizinha que ele nunca deu atenção: Penny (Keira Knightley), uma daquelas mulheres carismáticas de filmes desse tipo, amável, quase inocente, estranha, fofa, viciada em discos de vinil e corajosa. Mas é uma preguiçosa do cacete. Todas as correspondências que Dodge deixou de receber da mulher que foi o amor de sua vida, são entregues à Penny, que nunca se deu o trabalho de devolvê-las ao cara.


Numa dessas cartas, o amor da vida dele diz que sente saudade, que precisa dele. Mas faltam duas semanas para o fim do mundo e o que ele pode fazer? O cara bebe xarope pra ficar bêbado e toma um vidro inteiro de limpador de janela e, quando acorda no parque, tem um bilhete no peito escrito "Sorry" e, na sua frente, um cachorrinho lindo que ele passa a cuidar. Daí o prédio é atacado por vândalos e ele resgata Penny. Culpada, ela decide ajudá-lo a reencontrar a tal namorada do ensino médio.

Dodge: — Então, o que vai fazer quando chegar em casa?

Penny: — [...] Vou fazer todas as coisas que deixei de fazer. Não vou perder tempo com a pessoa errada. Não vou gastar o tempo em que poderia estar com meus pais pra sair com um completo estranho. Não vou passar meus dias escolhendo o que usar para noites sem significado. Vou deixar de perguntar se estou com a pessoa certa ou se é com esse tipo de cara que vou ter filhos. Todas essas perguntas ridículas. É libertador.

Seria uma simples historinha tola se não fossem as ótimas ironias e personificações dos diferentes tipos de reações ao fim do mundo. Bem no começo, na festa dos amigos de Dodge, temos cenas hilárias, surreais, do tipo que fez perguntar como tudo poderia ser pior na vida real, sem o toque de piada, sem o humor cinza (porque não chega a ser tão obscuro). É inteligente e sensível quando aborda decisões: você vai foder com todo mundo sem se preocupar de engravidar ninguém, vai usar heroína, vai assaltar bancos, vai incendiar casas e pessoas, vai se jogar do alto do prédio ou vai continuar sua rotina como se o fim dos tempos não fosse nada além de um ponto no futuro que mesmo previsível, ainda não chegou?


O relacionamento entre Penny, Dodge e Sorry (o cachorro) é o marco-zero pra questionar todos os tipos de atitudes, tudo que fizemos, que poderíamos ter feito e o que poderíamos fazer. Maximiza essa necessidade boba que temos de nos vitimizar, reclamar e deixar tudo na merda (já que o fim é a única certeza que temos, com ou sem apocalipses).

O fim do mundo não é o período de juízo final. Ele é sobre deixar o passado pra trás e tentar aproveitar cada segundo ou milênio da melhor forma possível, para todos os envolvidos. Pois bem dito no filme, "nunca teríamos tempo suficiente", e é a realidade! Se parar pra pensar, a gente nunca vai ter tempo suficiente pra amar, pra odiar, pra respirar, pra tomar Coca ou pra mandar as pessoas tomarem no cu e esquiar logo depois. Ou a ordem inversa. Cada momento é importante (parece comercial de câmera digital...).


— Tá, mas isso tudo é clichê! Milhões de filmes falam sobre a mesma coisa! Por que eu deveria assistir Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo, Enrique-sem-H?

— Pela perspectiva! pela chance de olhar seus sonhos, suas esperanças, suas fomes e sedes de outra maneira!

Tem essa parte do filme que acho legal citar pra deixar bem claro o que quero dizer:

Dodge: — Minha esposa fugiu recentemente, tão rápido quanto qualquer ser humano poderia. Só precisou do Armagedon pra ela ter coragem. O que é irônico, pois não morrer sozinho foi uma das razões que me levaram a casar.

Penny: — Sua colega de quarto era sua esposa (quando Penny diz, mais cedo, que via a companheira de quarto dele entrando em casa com o namorado, sendo que essa mulher era esposa de Dodge e o traía).

Dodge: — Minha esposa era minha colega de quarto.


E o final, o desenrolar, as conclusões de que cada coisa acontece no momento em que tem que acontecer... cara, ainda tô absorvendo o filme. Fiquei na dúvida entre dar 4 estrelas ou 4,5. As últimas cenas são tão dilacerantes quanto navalhas dentro de um terno Hugo Boss: elegantíssimas. E leves. Engasgaram meu choro até o presente momento, em que escrevo tentando pôr no lugar tudo que o filme se propôs a dizer.

E espero que esse fim do mundo se torne o começo de um 2013 (ou do resto do mês, pra que esperar?) onde você possa tentar, assim como eu, sentir cada sabor oferecido pela vida e parar de dar atenção somente ao amargo.


Na Estrada (2012)


Tava de saco cheio de tanto trabalho pra fazer. Faculdade consegue te assustar mais no final do período do que qualquer tipo de devaneio sobre ter meu cartucho de Pokémon roubado e minhas recém 200 horas tiradas de mim. Me permiti sentar, comer rosquinhas (ui) e deixar On The Road rodando em 1080p. Acredite: o filme é mais do que Bella Swan pelada.

Não li o livro "Pé na Estrada" que deu origem a essa adaptação de Walter Salles. Mesmo se tivesse lido, tenho consciência de que apesar de histórias iguais, a forma de expressá-las é diferente (literatura pra cinema). Assim digo para todos os filmes/séries/games baseados em quadrinhos, livros ou afins. Então analiso esse filme como um filme, separado do livro, e de um ponto de vista técnico totalmente meu, ok?


A entrada do filme é um pouco longa, mas já enche os olhos com a saturação. As cores realmente ditam os tons de sentimento de Na Estrada. As cores e os ângulos de câmera (de tirar o fôlego quando temos a perspectiva do passageiro). Mas pra entender melhor, preciso te dizer que a história passa a acontecer quando o escritor Sal (Sam Riley) perde o pai e, percebendo que a vida perde muito dos sentidos que o prendiam a ele mesmo, acaba se unindo a Dean (Garret Hedlund), um Cazuza dos anos 50, e parte por aí pra experimentar coisas totalmente fora da rotina, sempre com muito sexo, drogas e música (as cenas de dança são espetaculares!). 

Algo que me chamou muita atenção foram as personagens de atitudes muito consistentes e facilmente analisáveis (psicologicamente falando), de jeitinho subjetivo. Como quando Dean comenta "deve ser bom ter uma família" e há um corte de cena para uma estrada coberta de neve onde um carro voado passa com Dean ao volante. O vazio que o leva a fazer as coisas que faz. Isso é muito bonito, falando de poesia visual. É sensível.


Também me amarrei em como eles dois se envolveram. A amizade forte dá lugar a um tipo de paixão esquisita, que não fica clara mas dá pra sentir o cheiro (acho que a geração beat tem um cheiro muito específico...). No fim do filme dá pra perceber melhor. E adoro como tratam de sexualidade sem tabu nenhum. Às vezes, Dean me deixava triste. Mesmo que Sal dissesse que gostava de pessoas como Dean, que vivem intensamente, que buscam viver com tudo, eu só via uma casca. Uma casca tentando sentir qualquer coisa. Talvez tenha sido isso que Sal quis dizer, afinal.

Kristen Stewart tem peitos muito bonitos, obrigado, mas os gemidos... deuses! Ela geme muito mal! Só que vou tirar o chapéu pra garota: ela está maravilhosa. Além de legalmente loira, a mulher é linda até o osso. A fotografia e a iluminação só ajudaram a destacar essa beleza simples dela. Como personagem, Marylou, ela faz bem, é estável. No começo não parece, mas depois... O longa se segura muito bem nisso, em atores de calibre como Viggo Mortensen (que além de mostrar o saco escrotal, mostra que é um ator épico. Sem piadas com O Senhor dos Anéis, por favor) e Kirsten Dunst (que interpreta Camille, esposa de Dean). 

Dou destaque especial para Amy Adams, que faz a Jane, drogadinha-mãe-de-família-louca-por-lagartixas. Uma característica do uso das drogas bem comentada no começo do filme é a tremedeira nas mãos. Amy, durante toda sua presença em cena, mantém a nível assustador a fidelidade a esse efeito. Dá um doce pra ela, tá, produção?


Acho que é um filme de busca, de correr atrás de qualquer razão, qualquer inspiração, seja pra viver ou escrever um livro. Fala de desapego e dos amores que não podemos amar. Fala de se afogar em ilusões (hoje muito bem colocadas pela mídia, pela "vida noturna descolada", o que filmes desse tipo tentam quebrar em paradoxo ao apoio que inspiram) pra entorpecer o "nada" da solidão, do medo de sentir de verdade. 

É uma trip, uma viagem exagerada entre dois caras que são opostos, mas que procuram um no outro o que lhes complete. Por isso os atores funcionam muito bem, por isso o casamento do roteiro com a história brilha: ficou tudo claro. Dá pra entender, acompanhar, sentir, se excitar, julgar e pegar um carro pra voar pelas estradas de pureza só pra entender que depois vamos querer voltar pra casa.

Se não fosse pela instabilidade narrativa (começa bem, fica mais ou menos, fica ótimo e depois acaba), consideraria um ótimo filme. E me dá dó não ter colocado o título entre meus favoritos. Mas cumpre proposta e chega a parecer cult. Que bom que não é.




O Pacto - Resenha

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Desde que publicava no Alienrique que tenho de desejo escrever resenhas de livros, dizer o que gosto ou não gosto nos filhos dos escritores (publicados ou não, por editoras ou independentes). Pra estrear a categoria, trago pra vocês o livro que dará origem ao próximo filme estrelado por Daniel Radcliffe (isso, o eterno Harry Potter): "Horns". Ou "O Pacto", em português. É, né.

Romance de primavera

romance+primavera+verao

Não sei se você leu algum texto meu sobre relacionamentos pra saber que sou daqueles que esperam um príncipe. Não num cavalo branco (talvez numa Harley) e nem precisa ser loiro. Só precisa mesmo transformar em realidade os carinhos físicos e verbais que devaneio todos os dias antes de dormir. E os romances de primavera são assim: têm validade e mudam sua vida.

Mark Ruffalo e as Horas Iguais no Micro-ondas

É tipo quando você tá distraído e resolve olhar no relógio: 21:21. Pô. E aí acontecem mais repetições de dígitos no decorrer da madrugada ou durante todas as semanas dos anos a seguir. 13:13. 14:41. 20:02. 16:16. Comigo acontece sempre. Sem-pre. E agora nem só com números. Sinais de vida após a morte? Provas pitagóricas de que o funk vai dominar o mundo?


Existem horas na vida que tudo que você quer e precisa é vegetar na cama, comer toneladas de açúcar (se culpando a cada mastigada por ser um repolho doce ambulante) e assistir filmes. Os três selecionados foram Onde Vivem os Monstros, Zodíaco e Ensaio Sobre a Cegueira. Diz aí, super cult da minha parte. No primeiro, Mark Ruffalo aparece brevemente como o namoradinho da mãe do Max, protagonista do longa. No segundo, “ai que susto!”, lá estava ele de novo, ao lado de Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. Já era coincidência demais. E aí, no terceiro, o cara aparece de novo, cacete! Não pode ser simples acaso. Pode?

Porque, tipo, a galera gosta de dizer que quando vemos as horas e os minutos iguaizinhos, quer dizer que tem alguém pensando na gente ou que a vida te dá a chance de realizar um pedido. Sempre peço pra ganhar dinheiro sem ter de trabalhar ou que o apocalipse zumbi comece logo (teria coisa mais divertida do que viver num shopping e assaltar supermercados?). Quando os números da hora e dos minutos aparecem opostos, como 13:31, baby, alguém está esquecendo da sua existência. Nesse caso, acho que nem pode fazer pedido (mas eu faço porque sou rebelde pra caralho e tenho camisas de super-heróis, posso tudo).

Agora, já que vi Mark Ruffalo repetidas vezes, o que poderia significar? Arrisco alguns palpites:

CASO 1 – RECONHECER MEU TALENTO SUBURBANO, CLARO


Estarei caminhando pela Avenida das Américas, saindo da faculdade pra pegar meu ônibus fedorento e nauseantemente barulhento. Vai passar uma limusine linda, daquelas que o farol e o para-choque fazem cara de demônio pros pobres. Ela vai parar ao meu lado. Quando a janela descer, tã-tã-tã-tããããã, adivinhem: MARK RUFFALO!
— Mas que lindos cabelos raspados você tem! — vai dizer pra mim. Tô traduzindo o diálogo pra vocês, meros mortais! — Aposto que é um grande ator, com esses olhos verdes e essa pinta hollywoodiana. Não quer tomar alguma coisa para discutirmos sua ida a alguns testes nos EUA por minha conta? Posso ser seu mentor?
— Oh, senhor, estou tão surpreso! — levarei minha mão à testa e fingirei longos suspiros românticos. — E minha casa? E minha faculdade?

— Ah, que se dane. Venha ser rico em Hollywood, pequeno amigo maravilhoso.

E vou entrar na limo e desaparecer pra sempre da vida de vocês. Já sabem, né? Se eu parar de postar é porque tô me afogando no champagne na mansão dele. Money, beatcheeees!

CASO 2 — ACABAR COM MINHA SOLIDÃO, OBVIAMENTE


Estarei num supermercado em Campo Grande, comprando dois litros de vinho por menos de R$ 20, quando um estranho de boné e óculos escuros me cutucará no ombro, a garrafa de 51 na mão:

— Essa ser caipirãnia da bôua?
— Oi? — não vou entender a pergunta dele.
— Caipirãnia, catchoalsia.
— Ah, quer saber se é cachaça? OH MEU DEUS! — perceberei que é o Mark. — OH MEU DEUS! VOCÊ É O MOÇO DOS FILMES!
— Vosê ser o amor da minia vidã.

E ele vai me agarrar, ignorar a multidão que nos persegue, e me levará para viver romances indescritíveis na Arábia Saudita. Por que é assim que eu rolo minhas pedras, vadia.

CASO 3 — EL NACHO


Não vai acontecer NADA. Os números, as repetições, os acasos, as coincidências: NADA SIGNIFICARÁ NADA E MINHA VIDA CONTINUARÁ SENDO UM COCOZINHO DE PÔNEI: PEQUENAS ESFERAS DE DIFERENTES TONS DE ROSA.

O posto acabou, mas fica a pergunta: os números se repetem pra você? E o que você faz quando acontece?

4 filmes para o halloween 2012

lista+filme+halloween

Dia das Bruxas foi ontem, mas o final de semana começa só amanhã! Pra não perder o pique trevoso dessa festividade macabra, reuni quatro filmes com temática "sobrenatural" pra você assistir com os amigos ou só - se tiver coragem. Tá, são filmes simples, não dão tanto medo, mas são ótimos pra comemorar com um sorvetão. Se joga na cama e aperta play!

Como fazer tabuleiro ouija

como+fazer+tabuleiro+ouija

Já ouviu falar do Ouija? Um dos meios "modernos" para comunicação com os mortos foi moda há décadas e definiu gerações: quem nunca brincou do jogo do copo? Há quem acredite ser possível transmitir mensagens dos espíritos, mas a ciência cagou na crendice da galera. Independente da opinião, fica lindo na parede ou na festa de Halloween. E você vai aprender a fazer.

American Horror Story: Asylum


Sem dúvidas uma das melhores estreias entre as séries de 2012, cara! A continuação do projeto de 12 episódio do ano passado é (sim) uma nova história de terror a ser contada, totalmente do zero, 800 vezes mais sombria, desenfreadamente mais sexy, incontestavelmente mais inteligente e superdotadamente melhor roteirizada. O primeiro episódio dessa 2ª temporada trouxe vidas em experiência, cocô e Adam Levine.

Quem ficou por dentro da planejadíssima campanha viral para promover essa nova temporada soube mais cedo que não seria dependente da anterior, ou seja: cada temporada contaria uma nova história macabra. Na primeira, o ponto de onde todas as histórias saíam era a casa. Dessa vez, o marco-zero de tudo é esse tal hospício assombrado onde o Adam Levine e a namoradinha resolvem invadir para explorar e transar loucamente.

Parece clichê. E se não fosse pelo ótimo trabalho no roteiro e a fotografia de ponta seria mesmo. Pelo menos nos primeiros minutos até, numa brincadeira envolvendo sexo oral e um celular filmando no escuro, alguma coisa se manifestar e acabar com a festa, fazendo ponte entre a história desse casal e todas as outras que se passaram no passado dentro daquele prédio. É legal ver que o local onde eles estão abre imediatamente para uma cena da história do hospício que aconteceu no mesmo aposento, costurando a narrativa.

E falando de buracos, os cortes de cena (de um lugar para outro) e takes (sabe quando troca do rosto de um ator falando para o outro que vai falar? Isso é take) é abrupto, violento, tão insano quanto toda a atmosfera da série: da iluminação a pedaços de gente sendo servidas para “coisas” dentro de um quarto trancado. Essa técnica te deixa tonto, te faz ficar paranoico, se perguntando “o que eu acabei de ver?”. Já assistiu O Exorcista, quando imagens de satã apareciam na sombra, quase imperceptíveis? Esse jeitinho de nos deixar loucos parece funcionar aqui.


E o que podemos falar das atuações? Ah, meus olhos acabaram de encher d’água (tô falando sério). ME MORDO de inveja desses caras, todos ótimos, todos juntos, formando uma frota de incríveis atores com incríveis personagens auxiliados por uma produção preparadíssima, que transforma em real as tais histórias a serem contadas. As personagens são simples espectros humanos aos quais dizemos: cara, essa merda toda poderia estar acontecendo comigo!


Não quero falar demais sobre a trama pra não estragar surpresa (porque tem surpresa pra caralho), mas a historinha do Kit (lembra do Tate? É o mesmo ator) e sua esposa negra, Alma, foi uma maravilhosa tacada. A gente vê uma sociedade sessentista que proíbe o relacionamento entre brancos e negros assim como hoje proíbem o relacionamento oficial entre homossexuais (e é algo que o Ryan Murphy a-do-ra discutir e o faz como ninguém). Vemos uma cena com diálogos dentro do tema e acusamos os 60 de primitivos (mesmo que vivamos numa outra versão da mesma trama nos tempos atuais). Imagina o que alienígenas diriam sobre isso, né?

Sem mais delongas, com uma ótima representação de casal formado por duas mulheres, um cigarro de maconha e compreensão absoluta do que é a vida a dois, independente do gênero sexual, a abertura é um clássico automático do terror e a trilha sonora fode com a sua mente (experimenta assistir a abertura e NÃO TER VONTADE DE OLHAR PARA TRÁS, pra ver se tem alguém esperando pra te assustar).


Esse episódio cumpriu TUDO que foi prometido na campanha de marketing e mais, além de dizer para quem quiser ouvir que essa temporada vai ser sólida e incrível, deixando American Horror Story para sempre no hall da fama das melhores séries televisivas com tema sobrenatural de todos os tempos. Agora vou baixar o episódio dois, porque não consigo pensar em outra coisa.

Atividade Paranormal 4 (2012)


Parece que sou do contra. Desde o primeiro projeto, Atividade Paranormal me apresentou emoções do gênero "terror" que eu ainda não conhecia. Na quarta parte da trama, quase nada da história das bruxas é desenterrada e a mitologia curiosa pouco se separa da fome comercial do longa. Ao contrário, alguns corpos aguardam para que sejam encontrados e enfim levados para debaixo da terra.

Como de costume, a abertura é um arquivo de vídeo entre Katie e sua irmã Kristi (Sprague Grayden) ao redor de Hunter, o filho roubado e prometido ao demônio num pacto selado por volta dos anos 1930. E depois conhecemos a família de Alice (Kathryn Newton), a adolescentezinha de quarto muito bem decorado. Vive no Skype com seu quase-fuck-buddy Ben (Matt Shively), além de viver com a mãe, o pai e o irmão mais novo, Wyatt.

Tudo fica estranho quando o menino do outro lado da rua, Robbie, todo estranho e instrospectivo, tem de ficar na casa de Alice por alguns dias, já que sua mãe adoece e ele não pode ficar só - e essa mãe é a Katie, a própria possuída que roubou Hunter dos braços da irmã.

Entre experiências bizarras com o sensor de movimento do Kinect, rabiscos satânicos na caixinha de areia do playground e invasões de privacidade que beiram a depravação de uma criança que poderia muito bem ser vítima de abuso sexual (e ele tem cara), Alice e Ben passam a perceber os fenômenos e assim instalam programas de gravação em todos os notebooks da casa, a fim de gravar qualquer manifestação.

O filme não é um bolo de ação. Não tem matança o tempo todo nem pessoas andando pelo teto ou virando a cabeça. A fórmula é a mesma dos anteriores, um pouco mais focada na nossa antecipação aos sustos (foram algumas vezes em que tomei susto sem o filme ter dado nenhum). Em outros momentos, em horas que você menos espera, BANG!, um susto na sua cara. E eles vêm naturalmente, não achei muito forçados.

As revelações da tradição do coven das bruxas, muito bem trabalhadas no terceiro filme (que se passa antes do 1º, do 2º e do 4º, cronologicamente falando) só dá um aperitivo durante a hora e meia que passamos sentados. É apenas no meio e no final que puxamos algo concreto de debaixo do tapete, o que pode e possivelmente irá render mais filmes pra $franquia$.

Não é espetacular (e não supera o 3º, meu preferido) mas supera expectativas. Apesar de ter um interesse mercadológico, não é raso, não é vazio e o enredo consegue confundir e instigar, principalmente nos easter eggs dados em cortes rápidos, onde podemos ver sombras, vultos, silhuetas (ai, Kinect!), símbolos macabros e animais ligados à figura demoníaca tradicional.


É um filme pra ver com amigos (como eu fiz. Só faltou a piranha do Begus!). É uma desculpa pra segurar a coxa da colega pernocuda. Ou só babar num gordinho charmoso, de personalidade perdedoramente sedutora para qual Alice não dá muitas chances (Ben, casa comigo!).

Algumas cenas dos trailers foram cortadas, então esperarei o Blu-Ray extendido, claro. Porém, duvido que quem não goste da série vá curtir, só fica a dica: o final é épico apesar de um pouco forçado. Vale pelos puta sustos seguidos


Resenha: Pokémon White Version 2

Não percebi as quatro horas iniciais que gastei jogando o novo Pokémon até meu estômago reclamar bem alto. O espetáculo visual é transcendental e a hipnose te transforma num pivetinho de 10 anos que mata aula pra apostar em briga de bichinhos. Desde o Game Boy Color não me sinto tão completo com um jogo da franquia. Esse é o retorno à origem.



Torci o nariz para todos os Pokémon da geração DS (a 5ª), problema que começou logo na geração Game Boy Advance (3ª). Os monstrinhos capturáveis ficaram com design horrendo, mais parecendo robôs do que bichos, além do extremo apelo infantil que o desenho passou a mostrar (e que só percebi depois que fiquei "mais velho"). Joguei as versões Diamond e Platinum por jogar, sem nem terminar, só pra ter razões pra falar mal.

Quando saiu Pokémon Soulsilver, aí a história mudou. Pokémon Silver, aquele de Game Boy Color (que ganhei aos 9 anos), era considerada por mim a melhor versão de todos os tempos e remasterizá-la foi genial! Babei, né? Quando saíram Black & White, caguei de novo: "deixa, o pessoal da Gamefreak se perdeu mesmo". Mas agora, cara, estou escrevendo esse post com o DS ligado aqui ao lado, doido pra apertar os direcionais e dizer pra vocês como a vida social é desnecessária quando se tem uma versão esplêndida de Pokémon no bolso.

[orgulho: ou você tem ou você ~não~]

A história de Black 2 & White 2 se passa 2 anos depois dos eventos de Black & White. É a primeira vez na franquia que a história tem continuação direta e blá, blá, blá, isso você acha no Wikipedia. O que você não sabe é que as mudanças, sutis ou não, transformaram um jogo "legal" para espetacular assim, estalando os dedos. 

As músicas e efeitos sonoros surround preenchem a alma. Os gráficos derrubam lágrimas. É como se o Enrique que passava mais de 12 horas acumulando vidas em Silver tivesse voltado agora, com 20 anos, pronto pra gastar muito mais tempo. É tanta coisa pra colecionar (medalhas, insígnias, lugares no ranking, Pokémon, itens e mais!), tanta coisa pra fazer (criar filmes, assistir a musicais, batalhar, decorar, conversar com amigos) que a vida real não parece tão colorida sem pokébolas. 

["hoje dançamos sem motivo. Um dia, vamos desaparecer sem motivo" - mensagem subliminar? (fonte)]
E ainda dá pra jogar no computador, online, e passar itens e pokémon pro seu cartucho via wi-fi! Dá pra conseguir boa parte dos pokémon antigos com caracteristicas únicas, transformando-os em peças raras pra trocar (também via wi-fi, com todo o mundo) ou participar de torneios! 

["entrar num monte de batalhas é a melhor maneira de treinar seu pokémon rapidinho" - violência é feijão nesse arroz.]

Se você ainda não se rendeu à geração Nintendo DS, agora tem uma ótima desculpa para comprar seu console. Isso é Pokémon de verdade, o misto de emoções, entretenimento inocente (tá, nem tanto, porque o que sai de palavrão da minha boca...) e tecnologia gráfica moderna e saudosista. Aproveite as promoções do game (que podem sair por R$ 120,00! Olha que ele foi lançado nesse mês!) e compre logo! Se comprar até antes do dia 12 de novembro, ganha pra download exclusivo o pokémon Genesect (apelão pra caralho! Super ajuda nas conquistas de ginásio).

E, se o fizer, me avisa? A gente troca friend code e se ajuda nas váááárias missões multiplayer do game. Te quebro em doze, piranha. De quebra, fica o trailer Lv. 100 de qualidade, usado pra divulgar o game. O anime não seria mais legal se fosse assim?


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