Loja

Compre a sua, mané! Compre!

CRÔNICA: Debaixo da cama.


Eu sempre olhava em baixo da cama, eu acreditava que existia alguma coisa vivendo lá em baixo. Todos os dias era a mesma tradição, colocava o pijama, olhava em baixo da cama, observava para ver se tinha algo, e me deitava para dormir. Algumas pessoas me chamavam de idiota, pois eu acreditava em algo que não existia, e que eu deveria superar isso.


Um dia resolvi vencer meu próprio medo e não olhei. Fui me deitar, acordei a noite com um forte cheiro de fumaça. Me levantei da cama, mas antes que pudesse dar o primeiro passo, algo me derrubou. Tentei me levantar e senti mãos agarrando minhas pernas na altura das panturrilhas, eu estava sendo puxado para baixo da cama. Olhei e vi uma criatura vermelha, de olhos amarelos que babava sangue, suas garras estavam entranhadas na minha perna, ele ria freneticamente me puxando, eu não tinha onde segurar, estava deslizando e gritava de medo. Ele continuava me puxando, olhando, rindo e babando sangue. Já estava com metade do corpo dentro de um buraco e sentia o calor ardente do inferno nas minhas pernas, não aguentava mais lutar para me soltar e a risada dele estava ecoando na minha mente. Eu soltei, e comecei a cair. Enquanto caia ouvia as vozes das almas condenadas ao inferno, o chão se aproximava rapidamente vindo ao meu encontro. Me choquei com violência e comecei a pegar fogo, eu estava queimando vivo. E a criatura estava pulando, e rindo de alegria. Tudo se apagou.


Acordei com o despertador tocando. Assustado e suando frio, não consegui levantar da cama, me debrucei, olhei embaixo e vi que não tinha nada. Levantei da cama, e senti uma dor forte em minhas panturrilhas, olhei para baixo e notei que meus pés estavam sujos de carvão, e lá estavam às marcas das garras da criatura. Ainda estava sangrando,olhei minhas mãos, estavam em carne viva. Eu não sabia se o que tinha acontecido na noite passada foi real ou não. Mas desde esse dia, o dia em que sobrevivi ao demônio, nunca mais deixei de acreditar em "minhas próprias superstições"

Comente com o Facebook: