Na Estrada (2012)


Tava de saco cheio de tanto trabalho pra fazer. Faculdade consegue te assustar mais no final do período do que qualquer tipo de devaneio sobre ter meu cartucho de Pokémon roubado e minhas recém 200 horas tiradas de mim. Me permiti sentar, comer rosquinhas (ui) e deixar On The Road rodando em 1080p. Acredite: o filme é mais do que Bella Swan pelada.

Não li o livro "Pé na Estrada" que deu origem a essa adaptação de Walter Salles. Mesmo se tivesse lido, tenho consciência de que apesar de histórias iguais, a forma de expressá-las é diferente (literatura pra cinema). Assim digo para todos os filmes/séries/games baseados em quadrinhos, livros ou afins. Então analiso esse filme como um filme, separado do livro, e de um ponto de vista técnico totalmente meu, ok?


A entrada do filme é um pouco longa, mas já enche os olhos com a saturação. As cores realmente ditam os tons de sentimento de Na Estrada. As cores e os ângulos de câmera (de tirar o fôlego quando temos a perspectiva do passageiro). Mas pra entender melhor, preciso te dizer que a história passa a acontecer quando o escritor Sal (Sam Riley) perde o pai e, percebendo que a vida perde muito dos sentidos que o prendiam a ele mesmo, acaba se unindo a Dean (Garret Hedlund), um Cazuza dos anos 50, e parte por aí pra experimentar coisas totalmente fora da rotina, sempre com muito sexo, drogas e música (as cenas de dança são espetaculares!). 

Algo que me chamou muita atenção foram as personagens de atitudes muito consistentes e facilmente analisáveis (psicologicamente falando), de jeitinho subjetivo. Como quando Dean comenta "deve ser bom ter uma família" e há um corte de cena para uma estrada coberta de neve onde um carro voado passa com Dean ao volante. O vazio que o leva a fazer as coisas que faz. Isso é muito bonito, falando de poesia visual. É sensível.


Também me amarrei em como eles dois se envolveram. A amizade forte dá lugar a um tipo de paixão esquisita, que não fica clara mas dá pra sentir o cheiro (acho que a geração beat tem um cheiro muito específico...). No fim do filme dá pra perceber melhor. E adoro como tratam de sexualidade sem tabu nenhum. Às vezes, Dean me deixava triste. Mesmo que Sal dissesse que gostava de pessoas como Dean, que vivem intensamente, que buscam viver com tudo, eu só via uma casca. Uma casca tentando sentir qualquer coisa. Talvez tenha sido isso que Sal quis dizer, afinal.

Kristen Stewart tem peitos muito bonitos, obrigado, mas os gemidos... deuses! Ela geme muito mal! Só que vou tirar o chapéu pra garota: ela está maravilhosa. Além de legalmente loira, a mulher é linda até o osso. A fotografia e a iluminação só ajudaram a destacar essa beleza simples dela. Como personagem, Marylou, ela faz bem, é estável. No começo não parece, mas depois... O longa se segura muito bem nisso, em atores de calibre como Viggo Mortensen (que além de mostrar o saco escrotal, mostra que é um ator épico. Sem piadas com O Senhor dos Anéis, por favor) e Kirsten Dunst (que interpreta Camille, esposa de Dean). 

Dou destaque especial para Amy Adams, que faz a Jane, drogadinha-mãe-de-família-louca-por-lagartixas. Uma característica do uso das drogas bem comentada no começo do filme é a tremedeira nas mãos. Amy, durante toda sua presença em cena, mantém a nível assustador a fidelidade a esse efeito. Dá um doce pra ela, tá, produção?


Acho que é um filme de busca, de correr atrás de qualquer razão, qualquer inspiração, seja pra viver ou escrever um livro. Fala de desapego e dos amores que não podemos amar. Fala de se afogar em ilusões (hoje muito bem colocadas pela mídia, pela "vida noturna descolada", o que filmes desse tipo tentam quebrar em paradoxo ao apoio que inspiram) pra entorpecer o "nada" da solidão, do medo de sentir de verdade. 

É uma trip, uma viagem exagerada entre dois caras que são opostos, mas que procuram um no outro o que lhes complete. Por isso os atores funcionam muito bem, por isso o casamento do roteiro com a história brilha: ficou tudo claro. Dá pra entender, acompanhar, sentir, se excitar, julgar e pegar um carro pra voar pelas estradas de pureza só pra entender que depois vamos querer voltar pra casa.

Se não fosse pela instabilidade narrativa (começa bem, fica mais ou menos, fica ótimo e depois acaba), consideraria um ótimo filme. E me dá dó não ter colocado o título entre meus favoritos. Mas cumpre proposta e chega a parecer cult. Que bom que não é.




O Pacto - Resenha

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Desde que publicava no Alienrique que tenho de desejo escrever resenhas de livros, dizer o que gosto ou não gosto nos filhos dos escritores (publicados ou não, por editoras ou independentes). Pra estrear a categoria, trago pra vocês o livro que dará origem ao próximo filme estrelado por Daniel Radcliffe (isso, o eterno Harry Potter): "Horns". Ou "O Pacto", em português. É, né.

Romance de primavera

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Não sei se você leu algum texto meu sobre relacionamentos pra saber que sou daqueles que esperam um príncipe. Não num cavalo branco (talvez numa Harley) e nem precisa ser loiro. Só precisa mesmo transformar em realidade os carinhos físicos e verbais que devaneio todos os dias antes de dormir. E os romances de primavera são assim: têm validade e mudam sua vida.

Mark Ruffalo e as Horas Iguais no Micro-ondas

É tipo quando você tá distraído e resolve olhar no relógio: 21:21. Pô. E aí acontecem mais repetições de dígitos no decorrer da madrugada ou durante todas as semanas dos anos a seguir. 13:13. 14:41. 20:02. 16:16. Comigo acontece sempre. Sem-pre. E agora nem só com números. Sinais de vida após a morte? Provas pitagóricas de que o funk vai dominar o mundo?


Existem horas na vida que tudo que você quer e precisa é vegetar na cama, comer toneladas de açúcar (se culpando a cada mastigada por ser um repolho doce ambulante) e assistir filmes. Os três selecionados foram Onde Vivem os Monstros, Zodíaco e Ensaio Sobre a Cegueira. Diz aí, super cult da minha parte. No primeiro, Mark Ruffalo aparece brevemente como o namoradinho da mãe do Max, protagonista do longa. No segundo, “ai que susto!”, lá estava ele de novo, ao lado de Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. Já era coincidência demais. E aí, no terceiro, o cara aparece de novo, cacete! Não pode ser simples acaso. Pode?

Porque, tipo, a galera gosta de dizer que quando vemos as horas e os minutos iguaizinhos, quer dizer que tem alguém pensando na gente ou que a vida te dá a chance de realizar um pedido. Sempre peço pra ganhar dinheiro sem ter de trabalhar ou que o apocalipse zumbi comece logo (teria coisa mais divertida do que viver num shopping e assaltar supermercados?). Quando os números da hora e dos minutos aparecem opostos, como 13:31, baby, alguém está esquecendo da sua existência. Nesse caso, acho que nem pode fazer pedido (mas eu faço porque sou rebelde pra caralho e tenho camisas de super-heróis, posso tudo).

Agora, já que vi Mark Ruffalo repetidas vezes, o que poderia significar? Arrisco alguns palpites:

CASO 1 – RECONHECER MEU TALENTO SUBURBANO, CLARO


Estarei caminhando pela Avenida das Américas, saindo da faculdade pra pegar meu ônibus fedorento e nauseantemente barulhento. Vai passar uma limusine linda, daquelas que o farol e o para-choque fazem cara de demônio pros pobres. Ela vai parar ao meu lado. Quando a janela descer, tã-tã-tã-tããããã, adivinhem: MARK RUFFALO!
— Mas que lindos cabelos raspados você tem! — vai dizer pra mim. Tô traduzindo o diálogo pra vocês, meros mortais! — Aposto que é um grande ator, com esses olhos verdes e essa pinta hollywoodiana. Não quer tomar alguma coisa para discutirmos sua ida a alguns testes nos EUA por minha conta? Posso ser seu mentor?
— Oh, senhor, estou tão surpreso! — levarei minha mão à testa e fingirei longos suspiros românticos. — E minha casa? E minha faculdade?

— Ah, que se dane. Venha ser rico em Hollywood, pequeno amigo maravilhoso.

E vou entrar na limo e desaparecer pra sempre da vida de vocês. Já sabem, né? Se eu parar de postar é porque tô me afogando no champagne na mansão dele. Money, beatcheeees!

CASO 2 — ACABAR COM MINHA SOLIDÃO, OBVIAMENTE


Estarei num supermercado em Campo Grande, comprando dois litros de vinho por menos de R$ 20, quando um estranho de boné e óculos escuros me cutucará no ombro, a garrafa de 51 na mão:

— Essa ser caipirãnia da bôua?
— Oi? — não vou entender a pergunta dele.
— Caipirãnia, catchoalsia.
— Ah, quer saber se é cachaça? OH MEU DEUS! — perceberei que é o Mark. — OH MEU DEUS! VOCÊ É O MOÇO DOS FILMES!
— Vosê ser o amor da minia vidã.

E ele vai me agarrar, ignorar a multidão que nos persegue, e me levará para viver romances indescritíveis na Arábia Saudita. Por que é assim que eu rolo minhas pedras, vadia.

CASO 3 — EL NACHO


Não vai acontecer NADA. Os números, as repetições, os acasos, as coincidências: NADA SIGNIFICARÁ NADA E MINHA VIDA CONTINUARÁ SENDO UM COCOZINHO DE PÔNEI: PEQUENAS ESFERAS DE DIFERENTES TONS DE ROSA.

O posto acabou, mas fica a pergunta: os números se repetem pra você? E o que você faz quando acontece?

4 filmes para o halloween 2012

lista+filme+halloween

Dia das Bruxas foi ontem, mas o final de semana começa só amanhã! Pra não perder o pique trevoso dessa festividade macabra, reuni quatro filmes com temática "sobrenatural" pra você assistir com os amigos ou só - se tiver coragem. Tá, são filmes simples, não dão tanto medo, mas são ótimos pra comemorar com um sorvetão. Se joga na cama e aperta play!

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