Decoração quarto de bruxa


Estudei Wicca por alguns (muitos) anos e mesmo quando parei por achar pouco sério, continuei estudando outras "artes mágicas". O tempo passou, eu cresci e deixei algumas crenças fantásticas lá no passado. O que nunca deixei de admirar foi a atmosfera do misticismo, o visual, as ervas, os filmes, as roupas e, principalmente, a influência na decoração e na fotografia. Vou compartilhar contigo.

Hoje tô trazendo um estilo de decoração que amo muito, mas que não funcionaria no meu quarto inteiro, por isso a parede vazia ao lado direito da porta vai ser caracterizada com objetos peculiares, meio bizarros, mas que não têm nada de macumba ou assombração. São só objetos com cara de filme de terror.


Mas calma! Esses itens não vão atrair nada de ruim pra casa! São apenas estéticos, objetos de decoração. Quando vi as primeiras imagens, com esqueletos e tudo, fiquei com pé atrás, achando falta de respeito ou chamariz pra fantasmas, mas não tem nada a ver! Uma caixa é só uma caixa (desde que você não lance um feitiço nela) e velas continuam sendo velas. O que elas compõem é que mudam o tom, assustam, mas não tem nada pra ter medo, Scooby.


Um (pedaço) de quarto nesse estilo pode variar do mais sombrio ao mais leve, mesclando do branco ao preto, marrom escuro e vermelho. Como disse, acho que sobrecarrega, pois uma característica desse estilo é a quantidade de informações que ele apresenta, elementos vintage achados em brechó que às vezes nem têm nada de especial a não ser a sensação de parecer ter sido roubado do sótão de uma bruxa centenária.


Crânios de animais, tons amadeirados ou na cor da terra, tabuleiros Ouija, velharia, velas, fotos inspiradoras, símbolos religiosos: é decoração pra quem não é comum, pra quem realmente gosta do clima de mistério que objetos assim inspiram. Principalmente numa tarde de chuva. 


E dá pra misturar com o movimento hippie, com a meditação indiana, fadas, o xamanismo e a cultura cigana (trarei posts desses estilos mais pra frente, na moda e decoração). O importante é ter pedras, incensos, galhos, animais como corujas e lobos e até flores. O quarto de uma bruxa tem uma carga romântica, um beijo gótico e um ar "natural", pegando das raízes do neo-paganismo, que virou moda tem algumas décadas.


Só compartilhei minha pesquisa com vocês pra saber o que fazer com essa parede aí embaixo, a da cama/sofá onde durmo-vejo-filme. Ontem, ganhei o crânio de um cavalinho (que morreu de velhice, tô tratando com o maior respeito e admiração) e pra completar tenho um crânio humano azul (de mentira), um baralho de tarot, uma caixa antiga, um tabuleiro Ouija que ensinei a fazer aqui e agora corro atrás de um galho pra fazer um bastão xamânico com penas e filtros dos sonhos.


Pretendo colocar uma prateleira no alto e, abaixo dela, o que der pra pendurar na parede. Talvez, no meio, até tente fazer um triângulo como esse da foto, só que com pregos e linha (postarei um tutorial, caso faça). 


Sou estranho, não venero Satanás, mas adoro assistir Jovens Bruxas com um pote de sorvete, velas acesas no quarto escuro com o edredom como meu namorado. Poucas coisas na vida realmente me fazem tão bem quanto isso.

Blessed be.

Meu segundo vídeo pro canal "Sem-H" do Youtube está no ar! Falei sobre traições, o que leva alguém a fazer isso e como lidar! É minha opinião, mas espero que goste! E SE INSCREVA!

FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Masturbação: chutando o balde

masturbacao

Hora de falar sobre sexo e tirar a tarja de tabu dos nossos olhos inocentes. SEXO é parte da vida, tendo vergonha ou não de falar sobre isso! Um dia você vai fazer! Pode ser que seu SEXO seja diferente e não se limite à penetração, por exemplo. Masturbação é saudável, divertida e não precisa ser feito sozinho num quarto escuro. Vamos conversar.

Pretty Little Liars: quarto nerd do Lucas

decoracao+quarto+nerd+jovem+geek

Quero compartilhar com vocês o quarto do Lucas, da série que eu adoro assistir pela amizade das meninas, pelas roupas e pela decoração, Pretty Little Liars. É quase um "como fazer decoração nerd", pois o cara é um maníaco por quadrinhos, super-heróis, card games e RPG! Olhe e se inspire!

Gossip Girl Psycho Killer - Resenha

resenha+gossip+girl+psycho+killer

Sou apaixonado demais pela série literária Gossip Girl, do primeiro ao décimo terceiro volume. Em 2012, quando Gossip Girl Psycho Killer foi lançado aqui, fiquei louco pra ler, mas por causa da faculdade não deu. Eis que semana passada comprei e numa bocada li, pensando em desistir diversas vezes. É um pouco arrastado, perde identidade e não faz sentir nostalgia. Sabe por quê?

Django Livre (2012)


Imagine faroeste. Jogue escravidão e um ex-escravo com altíssimo senso pra moda. E cérebros explodindo direto. E sangue pra todo lado. E hip-hop. E Quentin Tarantino. Conseguiu visualizar? Django Livre é o que chamam de salada pop, misturando gêneros, fazendo referências e divertindo como todo filme que Tarantino se propõe a fazer (mesmo que eu não seja o maior fã de Bastardos Inglórios).

Apesar de ter gostado muito dos trailers, assumo que envolver faroeste me deixa com a pulga atrás da orelha, porque não gosto. Não a ponto de odiar, mas de nem ler a sinopse, se assim for. É como filme falando do sertão brasileiro, por exemplo: viro a cara. Mas tem o dedo de Tarantino e apesar de não ser fanboy, reconheço que ele é um dos poucos diretores que consegue fazer filme pra massa mantendo um estilo próprio, deixando claro que acima da fome dos estúdios, ele pensa por si, e isso me faz dar chances ao cara.


E com o dedo dele, sabia que a temática faroeste + escravidão + resgate da amada não ficaria presa na realidade. Se tem uma coisa que gosto muito nesse diretor é a capacidade de usar o lúdico, de criar cenas que fogem da realidade com carisma, sem deixar que apontemos o dedo e digamos, num tom de crítica, que aquilo tudo é "a maior mentira". A gente sabe que é mentira e amamos os filmes dele por isso. E pela quantidade absurda de sangue aguado espirrando.

Django é libertado por um caçador de recompensas/dentista alemão contratado pelo governo americano [?], Dr. Schultz (referência à Paula Schultz, de Kill Bill, nome do túmulo em que Budd enterra Beatrix Kiddo?) porque sabe que o escravo já serviu aos homens que está procurando. Dr. Schultz não apóia escravidão e logo os dois se tornam bons amigos, fazem uma ótima quantidade de dinheiro matando procurados pela justiça e comprando roupas cada vez mais extravagantes. Depois, a grande missão dos parceiros é encontrar e libertar a esposa de Django, presa em Candyland, lugar dominado pela personagem de Leonardo DiCaprio, Calvin Candie.


O filme tem 2hrs45mins e não consegue ficar chato. A trama, apesar de não ser láááá muito original, recebe corpo pela estética, pelo lúdico que falei ali em cima, pela trilha sonora que vai de músicas super antigas ao hip-hop atual e pelo roteiro orgânico que não faz perder o ritmo. Parece mesmo uma brincadeira, que Tarantino tem 18 anos e joga suas ideias e diálogos incríveis nas telas. Não de uma forma infantil, mas jovem, viva, mesmo que o longa seja baseado em faroestes dos anos 60/70. 

Ele cria um faroeste pop, moderno, brinca com clichês e desenvolve cenas de ação maravilhosas (apesar de eu ter esperado mais sangue e cortes nas cenas com chicote). A cena de tiroteio na Grande Casa, cara, é maravilhosa! E ele parece fazer referência aos próprios filmes, como Pulp Fiction (e temos Samuel L. Jackson incrível como o velho/peste Stephen) e o próprio Kill Bill (como a cena dos Crazy 88 no restaurante, quando A Noiva corta todo mundo, até as frases são parecidas). 


Além disso, ele, o diretor, participa do filme e se torna uma ótima piada, mas não supera a cena da Ku Klux Klan, o grupo que odiava negros, lembra? Tarantino coloca os caras como um bando de Kuzões atrapalhados e fica hi-lá-ri-o! Se bobear, a melhor cena de comédia de Django.


A fotografia não é belíssima, mas tem seu sex appeal, sabe? Tem estilo. E mostra muito bem os óóótimos cenários! Isso sem falar nas atuações de Cristoph Waltz (Dr. Schutlz) que desenvolve uma personagem absurdamente querida, irônica e cheia de identidade, e DiCaprio, que a cada dia se torna cada vez melhor ator pra mim (e mais bonito conforme envelhece, já que quando mais novo o achava bem comum). O cara só escolhe filme bom pra fazer! Nicolas Cage e Milla Jovovich têm que aprender com ele...

Vale o ingresso, vale as risadas, vale o drama, vale replay! E eu vou correndo baixar a trilha sonora, porque, porra, é de tirar o chapéu de caubói. Adorei esse trocadilho.




Estreia do Meu VLOG!

Escrevi no Ironias Sociais por alguns anos e cheguei a abrir um canal no Youtube pra postar vídeos sobre assuntos que exigiam uma dinâmica maior do que a que eu conseguia expressar nos textos. Mas eu tinha 15 anos, era muito influenciado por PC Siqueira e era muito cru. Hoje as coisas são diferentes, não quero cena. Quero sentar e conversar com você.


Depois de uma amiga me mandar um vídeo da Kéfera dizendo que a achava muito parecida comigo, me apaixonei pelo fato de ela apenas sentar e falar as coisas, sem edição pesada, sem encenação, sem nada. Só falar, conversar. Procurei outros vlogs (agora são poucos) e vi que a liberdade é grande pra fazer o que quiser no próprio canal (ui), de efeitos incríveis e múltiplas câmeras a gravações no iPhone (que não tenho, valeu).

E é isso que vim fazer com o meu canal, o Sem-H! Só quero falar, gerar discussões, porque é divertido, porque não é nada de mais! É uma terapia, porque no começo você fica meio nervoso de falar com a câmera, mas depois parece que tá conversando MESMO com alguém

Então aqui fica meu primeiro vídeo. Toda quarta-feira vai sair coisa nova, então te espero comigo nesse balão pra Terra do Nunca, porque lá que é o point, ninguém quer voltar.

Se gostar, DÊ JOINHA E SE INSCREVA NO CANAL, como todo mundo fala pra você fazer.



Quando seus melhores amigos estiverem namorando

amigos

Eu e meus amigos mais próximos nos conhecemos na mesma época, no mesmo colégio, lá no começo do ginásio. Crescemos juntos, mudamos de escola, nos encontramos de novo e nos tornamos inseparáveis. Só que a casa dos 20 anos nos preocupa, porque todo mundo quer namorar sério. Nosso medo é: e quando nosso melhor amigo estiver namorando, como é que os solteiros ficarão?

The Carrie Diaries


Segunda passada (14), estreou nos EUA a série focada na adorada fashionista Carrie Bradshaw quando ainda era adolescente, lá nos anos 80. Eu e o Begus esperávamos por essa série há um bom tempo e tê-la em mãos agora (já disponível pra download, só procurar) comendo Ruffles com ketchup me fez pensar: será que essa será Sex And The City da nossa geração?

Porque Gossip Girl foi um fiasco depois da 1ª temporada. Os livros, como bem comentados, simbolizam uma Sex And The City para adolescentes, mas na TV não foi bem assim. Dá pra perceber nos diálogos que The Carrie Diaries que não é uma série pra menininhas, mas voltada para jovens mulheres, as mesmas que curtiriam a série de qual The Carrie Diaries nasceu, Sex And The City.

Depois de perder a mãe, Carrie se vê com a responsabilidade de tomar conta da irmã mais nova, Dorrit, já que o pai ainda não deixou o luto levar a memória da esposa. Parece parado no tempo, esperando por um milagre, pois não sabe lidar com o crescimento das filhas, principalmente de Dorrit, que fica difícil de lidar, fazendo o que pode pra chamar a atenção de todas as formas erradas (ouvindo o maravilhoso rock da época, se embebedando aos 15 anos e voltando só de manhã). 

Reconhecendo que Carrie é uma adulta no corpo de uma menina, que sabe o que quer (NEW YOOOOORK!), arranja um estágio pra ela em Manhattan, num escritório de advocacia. Ela fica louca, claro, e topa na hora, sonhando com uma cidade mágica, que vai leva-la aos mais belos sonhos que só estavam em sua cabeça até agora. É quando entende que fora de Connecticut, as pessoas podem ser bem hostis. Maldição de cidade grande, né?

Até que, por milagre, descobre uma daquelas lojas de departamento que faz com que você coma todas suas calcinhas só pra ter motivo pra comprar outras novas, a Century 21, onde que, por causa de sua bolsa customizada (linda, por sinal), chama atenção de uma das editora de estilo da Interview Magazine (revista que Carrie ama) e, por milagre, depois de ajudar a mulher num pequeno delito por adrenalina, é convidada para uma noite incrível num restaurante cheio das facetas multi-étnicas de Nova Iorque, os artistas, designers, as pessoas que bebem champagne da garrafa e que tirariam belíssimas fotos de si mesmos se o Instagram existisse (pode chama-los de hipsters, vai)! 

E é aquele mundo que ela quer! É o que toda pessoa limitada por sua cidade busca: chances! Oportunidades pra fazer seu próprio mundo acontecer! Então ela tem de lidar com essas duas realidades: continuar indo ao colégio vivendo com seus melhores amigos (a estudiosa-sem-ser-chata, a safadinha e o gay-que-ainda-não-sabe) e o romance de verão que acabou sendo transferido para a mesma escola, além de enfrentar o grupinho das metidinhas, ou mergulhar de cabeça na liberdade que Manhattan oferece de pernas abertas.


Apesar disso, como disse, não é uma série para menininhas. É séria, faz pensar, tem frases de efeito que buscam carga psicológica/emocional e não é tabu (rola beijo gay já no primeiro episódio). Sem falar na atuação de AnnaSophia Robb (a menininha de Ponte Para Terabítia que eu quis copiar as roupas), que não tem o mesmo nariz que a Sarah Jessica Parker, mas que é Carrie Bradshaw até no jeito de levar a mão ao rosto e apertar os cabelos atrás da nuca quando preocupada.

Moda, músicas dos anos 80, cabelo sem chapinha e toda magia de toneladas de amor por uma cidade cercada de lendas é o que você vai encontrar em The Carrie Diaries. É minha chance de ver se essa, como eu disse, vai ser a Sex And The City da nossa época.
 
Se nunca viu Sex And The City, não se preocupe, a história não é presa.

Ela é só uma garota que decidiu que vai ser quem ela quiser, onde ela quiser. Pra mim é suficiente pra dar o mínimo de atenção, porque adoro essa parada de fazer as coisas acontecerem, não importa de onde você venha.

Sou um clichê, desculpa.

Sabe o que é RPG de Mesa/Papel?

RPG é a sigla para Rople Playing Game (Jogo de Interpretação de Personagem). Joga no Google que vão explicar (excluindo tratametos de postura que custam caro demais pra quem caga pra isso e fica torto no computador 24 horas). Também usado para designar alguns jogos eletrônicos, há outra forma de jogar, que já foi muito popular e acho que tá voltando a ser.


O RPG eletrônico, esse de videogame ou computador, segue um padrão que veio do RPG de mesa (ou de papel): personagens com várias opções de classe, capacidade de distribuir pontos ganhos com experiência em habilidades e características especializadas para torna-lo único, e muita, muita interação com outros jogadores.

No RPG de mesa, não temos monitores de 32" e não usamos teclados ou joysticks. Com alguns dados (alguns com 4 ou até 20 faces), lápis, papel, borracha, um manual e uma cozinha espaçosa abastecida com comida até não conseguir fechar as portas (que vai acabar antes mesmo da primeira jornada ter fim), é possível brincar de imaginar masmorras, guerras, invasões alienígenas, ruas cyberpunks, manipulações políticas por vampiros e lobisomens e o que mais a mente dos jogadores permitir, claro que dentro da temática do jogo.

QUAL É A GRAÇA DESSA MERDA?


Teatro. Quando você desenvolve a personagem (uma das partes mais divertidas, é viciante que nem The Sims), você cria uma vida. Imagina a história dela, as tendências, fecha todo um comportamento que DEVE ser posto em prática dentro do jogo! Se você é vegetariano mas seu personagem é um canibal sádico, dentro do jogo você DEVE agir como um canibal sádico! Dificilmente um canibal sádico teria pena, remorso ou se importaria com a quantidade de pessoas que teria de matar pra satisfazer sua necessidade, mesmo que você, jogador, pense o extremo contrário.


A possibilidade de viver diversas vidas, de maneiras diferentes, em dimensões diferentes e com seus amigos, cara, é impagável! A capacidade imaginativa evolui com o tempo, como se você estivesse lendo um livro e recriando as cenas em sua mente. A diferença é que você é o personagem principal, você vai estar na pele de quem vive todas as aventuras!

COMO SE JOGA ESSA BOSTA?


Então, primeiro você vai ter que se reunir com seus amiguénhos e decidir que tipo de jogo vão querer. Opções são muitas, indo do clássico "masmorras, dragões e feiticeiros" a cenários onde você é um hacker-acrobata com implantes cibernéticos vivendo num universo de tecnologia mais alta do que fã do Charlie Brown depois de fumar maconha, tendo que combater o tráfico de cupcakes em forma de pokémon retrô dos anos 90 levados como reféns por ursos com patas de gancho, boca de gorila e crina de cavalo. É só escolher.


O MESTRE

Depois de escolhido o cenário, vocês vão eleger o Mestre. No RPG, o Mestre funciona como o videogame: ele vai narraR a linha da história, controlar os NPCs (Non-Player Character, personagens não controlados pelos jogadores como a cigana da praça ou os inimigos), descrever ambientes, climas e o que os jogadores/personagens estão vendo, para assim poderem agir livremente (dentro das capacidades das personagens) e influenciarem todo o rumo dessa história.

O Mestre é como um deus, que vai criar o universo onde os jogadores vão viver. Mas não se engane! Apesar de todo o poder, o Mestre não deveria jogar CONTRA os jogadores, isso é bobo. O cara tem que entender que ele é apenas um dado, o acaso, que vai fazer com que as coisas funcionem dentro do enredo. Nada de fazer um Behemoth matar todo mundo de uma vez, seu safado escroto!


O SISTEMA

Mas como vamos lutar? Como vamos saber se arrancamos as tripas daquela aranha gigante? Como saber se conseguimos hackear as contas bancárias protegidas? Como saberemos se estamos vivos?!

Calma. Pra isso é usado o sistema de jogo, um compêndio de regras e mecânicas que vão deixar o jogo justo pra todo mundo. É, porque você vai querer calcular quanto de dano recebeu de uma espadada ou se conseguiu bloquear o golpe. Ou se conseguiu pular até a beirada do precipício quando a ponte apodrecida por qual você passava ruiu sob seus pés de repente.

O sistema não deixa ninguém dizer que o Mestre está ajudando ou fodendo com alguém, padronizando distribuição de pontos em habilidades e mantendo a coerência da realidade do jogo dentro de si, sem roubos, sem caos (ou sem muito caos, né) e sem personagens iniciais que sabem todos os feitiços mais poderosos. Como no RPG eletrônico, é necessesário limites.


Um sistema muito bom para iniciantes é o nacional 3D&T Alpha, que retornou há pouco tempo e pode ser comprado OU baixado de graça no site da editora Jambô. Ele é simples, bem explicativo e funciona para campanhas usando animes e histórias menos realistas. Já pensou em jogar no mundo de Naruto como um ninja ou ser um treinador Pokémon? 3D&T te oferece a possibilidade com o mínimo de complicação. Além de ser muito mais barato do que sistemas estrangeiros, pfvr.

Também temos clássicos como GURPS, Dungeons & Dragons (D&D) e seus filhos do sistema d20, Vampiro: A Máscara (mais adulto e sombrio a ponto de ter aviso para que o jogador saiba diferenciar a realidade da ficção) e muitos outros (nacionais também). Pesquise, leia artigos e escolha com seus amigos. Se ficar muito caro (alguns livros chegam a custar centenas de reais), por que não fazer uma vaquinha e deixar o livro com o Mestre da vez?

AINDA NÃO TE CONVENCI?


Olha, alguns dos melhores momentos do meu ensino fundamental passei sentado na sala de leitura com os amigos, a mesa cheia de papéis e livro coloridos. A gente tomando esporro por afinar a voz, rir alto, fazer gestos e tomar atitudes engraçadas dentro de um mundo que só a gente podia enxergar. É como ler, como disse antes, só que você vive na história que é contada (e que VAI SER modificada dependendo de seus atos).

Se gosta de filmes de ação e se imagina interpretando personagens neles, ou se gosta de ler, ou se gosta de quadrinhos ou só quer experimentar um tipo de jogo mais dinâmico e um pouco mais livre do digital, experimente o RPG de mesa.


Além de render ótimas histórias e piadas para serem contadas para o resto da vida, rende enredos que podem se transformar em livros (se gosta de escrever), quadrinhos (se gosta de desenhar) ou fragmentos para sua estréia como Mestre.

Acima de tudo, se o objetivo de todos for se divertir de forma saudável, te garanto que pelo menos uma vez por mês você vai querer aqueles restos de borracha assopradas afogando os pés da mesa enquanto os dados rolam por cima da madeira.

EVENTOS!

Não tem com quem jogar ou não quer gastar dinheiro antes de experimentar? Você pode ir pra um evento de RPG! Não tenho visto muitas mesas em eventos de anime, mas existem eventos diretamente ligados à esse jogo, como os encontros mensais no Bob's Tijuca, ao lado do Off-Shopping (dia 26/01/13) e o RPG no Bob's Campo Grande (20/01/13), tudo no Rio de Janeiro! Só entrar nos grupos e se manter informado!

Se você é de outros estados, entre no site da RedeRPG ou entre nos grupos acima e saia perguntando. Quem tem boca vai à Roma e isso pega muito mal se dito em voz alta.




A Viagem (2013)


Tô com vontade de chorar. Chorar e rir ao mesmo tempo. Tem esse nó na minha garganta, sabe? Begus veio ver comigo e mesmo depois de ter acabado, mesmo depois de termos sentado a bunda pra escrever (eu) e dormir (ele), a gente não consegue parar de falar sobre Cloud Atlas, chamado de A Viagem aqui no Brasil. Vou tentar explicar o porquê...

Gastei quase um minuto olhando o teclado sem olhar de verdade, pensando em como começar esse parágrafo, sobre como falar o monte de coisas que estão voando na minha barriga. Não são borboletas nem os efeitos do Activia que minha avó insiste que eu tome (o que não faço, por sinal). O que você precisa saber é que são 6 histórias afundadas em simbolismos. A começar pelo número 6 (consciente coletivo, evolução, ligação entre o divino com o terreno, o que transforma um em todos), que aparece no filme com nomes diferentes, mas que levantam a mesma bandeira simbólica (não posso explicar melhor sem dar spoiler). 

Temos então Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Ben Whishaw, Bae Doo-Na e Jim Sturges vivendo diversas personagens, em diversas partes do tempo, do passado ao futuro de um planeta destruído. E todos se interligam de alguma forma, até a personagens secundários como os de James D'Arcy ou de Xun Zhou, pois o filme trata das atitudes que tomamos, pequenas ou grandes, que afetam constantemente a uniformidade falsa do futuro, que muda o tempo todo. 

A Viagem tem significados abertos, filosóficos, mas se conseguir manter foco durante as três horas, vai entender que ele aponta muito bem a função de existir: toda vida é importante e elas se cruzam direta ou indiretamente, afetando todos os caminhos. Um bom exemplo (e nem tão spoiler assim) é o da personagem Timothy Cavendish (guarde esse nome quando for assistir), que não passa de um homem comum, que cometeu milhões de erros e que, no fim do filme, mostra que mesmo tendo sido um qualquer, influenciou mais de cem anos de história à frente de seu tempo.

É um vai e volta absurdo! É pra ver com vontade de brincar de detetive, porque confunde mas consegue ser mais simples até do que A Origem. A diferença fica pela quantidade de informação recebida e por você precisar prestar atenção em TUDO QUE APARECE EM CENA, incluindo figurantes (sério, acredite em mim e veja a apresentação dos atores após os primeiros créditos) e objetos (a cena do quebra-quebra de porcelana que, no contexto, é uma quebra com os paradigmas da sociedade da época). E é preciso estar com o coração aberto, por mais piegas que soe.


Se for o tipo de pessoa que tem problemas pra entender subjetivos ou o que leva seres humanos a mudarem, não acho que vá entender Cloud Atlas. Nem vai ter saco pra tentar.

É um jogo sobre o fim da vida e a plenitude da alma, como algumas pessoas desencarnam e reencarnam (pela filosofia da reencarnação) em diferentes épocas para aperfeiçoarem quem são (uma das personagens de Tom Hanks) e exercer papéis para uma missão maior (muito maior mesmo!). Pra entender o conceito, vou explicar sobre reencarnação bem rapidinho:

Acredita-se que as almas são ligadas à núcleos de evolução, onde você morre e renasce fazendo outro papel na família espiritual a qual pertence (que pode se estender à família de sangue, adotados, vizinhos ou até mesmo um bairro inteiro). Toda vez que morrer, para reencarnar e aprender a ser cada vez mais desapegado do material e apegado aos sentimentos puros, é certo de que renascerá dentro desse mesmo grupo, desenvolvendo seu próprio espírito e o de quem entrar em contato contigo, gerando o efeito dominó: gentileza gera gentileza.


Um exemplo: digamos que você tenha uma filha e essa menina é assassinada por um homem que mora no mesmo bairro. Você chora, pragueja e passa a odiar aquele filho da puta. Anos depois, a sobrinha que você mal fala tem um filho por qual você se apaixona instantaneamente ou sente forte ligação. Quando a criança fica maior, te diz uma frase ou mostra atitudes que fazem você repensar sobre o perdão e perceber que se sua filha ainda estivesse viva, você poderia nunca ter se aberto àquela nova criança ou se unido à sua sobrinha e a parte da família com qual você pouco tinha contato. 

Isso resume Cloud Atlas. Às vezes, numa frase que dizemos por dizer, num livro que escrevemos com vontade de nos expressarmos (ou ganhar pilhas de dinheiro), as palavras podem ecoar pela eternidade. Um ouve e passa pra outro, que passa pra outro, que passa pra outro, até chegar em alguém que vai se apoiar nessa frase e revolucionar a própria vida ou de outros, seja essa uma frase de motivação, de violência ou paz. 

"De que adianta eu guardar o lixo na bolsa e não jogar na rua já que todo mundo joga e não adianta nada? Eu sou só um, não faz diferença", é o que mais ouço por aí. Queria botar essa gente sentada, presa com Superbonder na cadeira do cinema pra mostrar os ecos de UMA atitude. Nossos gostos, nossa personalidade, esse todo é formado por caquinhos de atitudes de outros, por gostos de outros. O ser humano é a criatura mais adaptável da Terra porque é influenciado pelo meio em que vive. Isso muda tudo. 

- Não importa o que você faça, será apenas uma gota no oceano!
- O que é o oceano senão uma multiplicação de gotas?

Junto com meus maiores elogios do mundo para a(s) esplêndida(s) atuação(ões) de Tom Hanks e Jim Broadbent, a computação gráfica digna dos Wachowski, da fotografia imaculada tratando com respeito cada época e a trilha sonora de arrepiar os pentelhos, encerro esse [filme com leite condensado] gigante.


É um dos melhores filmes que já vi na minha vida inteira e creio que vou precisar ver mais vezes pra captar o que posso ter perdido, lembrar de frases, reparar em rostos.

Vá ao cinema, leve sanduíches e alguém que você ama (desde que essa pessoa tenha paciência e curiosidade). Vocês, com toda certeza, mesmo que não gostem do filme tanto quanto gostei, vão sair de lá com algo pra pensar. E esse filme é só mais uma das gotinhas mágicas que o cinema tem o prazer de nos oferecer. E juro que não é minha intenção soar cult.

Obrigado Tom Tykwer, David Mitchell e Andy & (agora) Lana Wachowski: foi o ingresso mais bem pago do cinema nesses últimos três anos. E olha que eu vi Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge quatro vezes.

Semana que vem tô lá de novo.




Últimos Artigos