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Selvagens (2012)


Li comentários no Filmow que o filme é longo demais, que as partes mais importantes acontecem nos últimos trinta minutos e que acaba se tornando um pouco desnecessário e cansativo. Posso afirmar que uma das razões que me levaram a ver o filme só agora foram as 2hrs20min, só que cansativo e desnecessário não definem nem de longe o que é esse filme.

Me interessei por Savages (título original) quando vi o pôster em algum lugar. Logo depois a Isabel do Distopicamente postou uma resenha sobre o livro em qual esse filme foi baseado. A vontade só aumentou até essa madrugada (são 4:36 da manhã), quando não deu mais pra segurar: era Selvagens ou rever Cisne Negro (e, pra ser sincero, só pra rever Mila Kunis e Natalie Portman na cama). Que bom que preferi o clima tropical (sem desmerecer o clássico balé psicológico).

Chon e Ben são donos de um negócio extremamente lucrativo da maconha mais poderosa da face da Terra. Sente o cheiro da marola Enquanto Ben acredita que o dinheiro da erva pode ajudar a mudar o mundo, Chon carrega uma perspectiva mais sombria, então os dois, amigos desde o ensino médio, dividem muito bem as tarefas do negócio: um cuida das plantas e diplomacia, o outro põe os óculos e parte pras cobranças na marra. Além disso, o que eles dividem muito bem é O., a Blake Lively super loira e bronzeada que se chama Ophelia.

Quando um cartel os ameaça e eles negam a participar do sistema de tráfico a níveis internacionais, Ophelia é levada como garantia de que os tratos serão honrados. Só que os dois moleques são loucos por ela e a jornada passa a ser o resgate da menina, acima de qualquer outra coisa.

Com meus problemas pra me relacionar amorosamente (vou fazer outro post sobre isso mais pra frente), acabei chegando num livro indicado por uma amiga sobre poligamia: "pode ser a solução pros meus problemas!". No filme, isso acontece não como um problema ou tabu, mas como algo que funciona pra eles e que vai ditar o resto da história do trio. Então passei a beijar aquela teoria de que as coisas certas vêm nos momentos certos.

Os três são lindos juntos. De verdade, juro! As cenas de sexo são sensuais (e poucas, nada exagerado) e transferem bem a harmonia deles como amigos, cúmplices e, se você não for muito cabeça fechada, irmãos. Ophelia, narrando, diz que Chon é frio como metal, ele fode, enquanto Ben é a madeira em brasa, o que faz amor. São três personagens muito bem equilibradas, interpretadas por três atores que cuspiram confiança que nem água, tornando tudo que diziam ou faziam muito sólido. Imagino se no livro é assim...

O apelo visual parece transbordar sem querer pelas bordas da tela. Um vermelhão aqui, amarelão aqui, uma saturarização básica no cabelo/bronzeado da Lively ou a peruca pheeeena da Madrina, A Rainha Vermelha Elena, interpretada por uma Salma Hayek que compete de igual com a beleza da loirinha sequestrada. É lindo ver os cabelões lisos de franja marcada na testa pra transformar a chefona das drogas num ícone de estilo que não existiria de verdade. Um dos poderes do cinema que foi super bem aproveitado, não deixando ser mais um filme sobre a mesma porra que nunca cansam de fazer.

E aí chega o roteiro, dando os quase quarenta minutos que todo mundo acostumado com cinema rápido pra filmes de ação gostaria de cortar. Não posso falar mal. Não achei muitas cenas desnecessárias pra enrolar, como disseram. O que acontece (e muito bem) é um final que surpreende e precisa desse tempo extra pra se explicar. Um trocadilho shakesperiano e descontraído.

O filme parece mais pesado e chato do que realmente é. Não sei se funcionaria pra ver entre os amigos justamente por ser longo, mas tenho certeza de que repetirei a dose. É um destruidor de paradigmas, causador de discussões e alternativo a quase tudo que temos de beber da sociedade, esse monte convencional de coisas. É muito humano (contradizendo ou não né o título).

Se você gosta de ação, violência na cara, sensualidade na ponta dos dedos e atores que se jogam com amor, Selvagens é pra bis.

Desculpa, sociedade, mas eu adorei.



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