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Django Livre (2012)


Imagine faroeste. Jogue escravidão e um ex-escravo com altíssimo senso pra moda. E cérebros explodindo direto. E sangue pra todo lado. E hip-hop. E Quentin Tarantino. Conseguiu visualizar? Django Livre é o que chamam de salada pop, misturando gêneros, fazendo referências e divertindo como todo filme que Tarantino se propõe a fazer (mesmo que eu não seja o maior fã de Bastardos Inglórios).

Apesar de ter gostado muito dos trailers, assumo que envolver faroeste me deixa com a pulga atrás da orelha, porque não gosto. Não a ponto de odiar, mas de nem ler a sinopse, se assim for. É como filme falando do sertão brasileiro, por exemplo: viro a cara. Mas tem o dedo de Tarantino e apesar de não ser fanboy, reconheço que ele é um dos poucos diretores que consegue fazer filme pra massa mantendo um estilo próprio, deixando claro que acima da fome dos estúdios, ele pensa por si, e isso me faz dar chances ao cara.


E com o dedo dele, sabia que a temática faroeste + escravidão + resgate da amada não ficaria presa na realidade. Se tem uma coisa que gosto muito nesse diretor é a capacidade de usar o lúdico, de criar cenas que fogem da realidade com carisma, sem deixar que apontemos o dedo e digamos, num tom de crítica, que aquilo tudo é "a maior mentira". A gente sabe que é mentira e amamos os filmes dele por isso. E pela quantidade absurda de sangue aguado espirrando.

Django é libertado por um caçador de recompensas/dentista alemão contratado pelo governo americano [?], Dr. Schultz (referência à Paula Schultz, de Kill Bill, nome do túmulo em que Budd enterra Beatrix Kiddo?) porque sabe que o escravo já serviu aos homens que está procurando. Dr. Schultz não apóia escravidão e logo os dois se tornam bons amigos, fazem uma ótima quantidade de dinheiro matando procurados pela justiça e comprando roupas cada vez mais extravagantes. Depois, a grande missão dos parceiros é encontrar e libertar a esposa de Django, presa em Candyland, lugar dominado pela personagem de Leonardo DiCaprio, Calvin Candie.


O filme tem 2hrs45mins e não consegue ficar chato. A trama, apesar de não ser láááá muito original, recebe corpo pela estética, pelo lúdico que falei ali em cima, pela trilha sonora que vai de músicas super antigas ao hip-hop atual e pelo roteiro orgânico que não faz perder o ritmo. Parece mesmo uma brincadeira, que Tarantino tem 18 anos e joga suas ideias e diálogos incríveis nas telas. Não de uma forma infantil, mas jovem, viva, mesmo que o longa seja baseado em faroestes dos anos 60/70. 

Ele cria um faroeste pop, moderno, brinca com clichês e desenvolve cenas de ação maravilhosas (apesar de eu ter esperado mais sangue e cortes nas cenas com chicote). A cena de tiroteio na Grande Casa, cara, é maravilhosa! E ele parece fazer referência aos próprios filmes, como Pulp Fiction (e temos Samuel L. Jackson incrível como o velho/peste Stephen) e o próprio Kill Bill (como a cena dos Crazy 88 no restaurante, quando A Noiva corta todo mundo, até as frases são parecidas). 


Além disso, ele, o diretor, participa do filme e se torna uma ótima piada, mas não supera a cena da Ku Klux Klan, o grupo que odiava negros, lembra? Tarantino coloca os caras como um bando de Kuzões atrapalhados e fica hi-lá-ri-o! Se bobear, a melhor cena de comédia de Django.


A fotografia não é belíssima, mas tem seu sex appeal, sabe? Tem estilo. E mostra muito bem os óóótimos cenários! Isso sem falar nas atuações de Cristoph Waltz (Dr. Schutlz) que desenvolve uma personagem absurdamente querida, irônica e cheia de identidade, e DiCaprio, que a cada dia se torna cada vez melhor ator pra mim (e mais bonito conforme envelhece, já que quando mais novo o achava bem comum). O cara só escolhe filme bom pra fazer! Nicolas Cage e Milla Jovovich têm que aprender com ele...

Vale o ingresso, vale as risadas, vale o drama, vale replay! E eu vou correndo baixar a trilha sonora, porque, porra, é de tirar o chapéu de caubói. Adorei esse trocadilho.




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