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Gossip Girl Psycho Killer - Resenha

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Sou apaixonado demais pela série literária Gossip Girl, do primeiro ao décimo terceiro volume. Em 2012, quando Gossip Girl Psycho Killer foi lançado aqui, fiquei louco pra ler, mas por causa da faculdade não deu. Eis que semana passada comprei e numa bocada li, pensando em desistir diversas vezes. É um pouco arrastado, perde identidade e não faz sentir nostalgia. Sabe por quê?

Porque não é engraçado, nem divertido e não tem novidade nenhuma que faça valer a compra do livro, infelizmente. A história é a mesma do primeiro volume, pois Cecily von Ziegesar apenas reescreveu e enfiou um monte de sangue, referências a séries como Dexter e filmes como Sexta-Feira 13:

Depois de desaparecer durante um ano entre viagens pra Europa e o internato, Serena van der Woodsen retorna para Manhattan roubando a atenção (e o namorado) de quem deveria ser sua melhor amiga, mas acaba se tornando sua pior inimiga, Blair Waldorf. Entre assassinatos de pessoas avulsas, apartamentos gigantes, roupas da moda, montes de dinheiro, rodadas de drinques, sexo e a narrativa irônica da "Garota do Blog" (me recuso, em nome de Jesus) a dúvida que fica é: Serena vai decepar a cabeça de Blair antes que Blair estripe a ex-melhor amiga?

Na série original, uma sinopse dessa soa fútil, mas lendo a história você percebe que mesmo que role certa admiração por um mundo de riquezas e exageros, a narrativa é irônica, crítica. Isso não dá pra perceber em Psycho Killer, o que deveria se traduzir pelo fato de meninas do terceiro ano matarem quem quiserem, a torto e a direito, só porque estão de chilique, criticando o egocentrismo da alta sociedade, que acha que pode fazer tudo. Mas isso é sufocado por uma tentativa boba de fazer mais dinheiro reescrevendo o primeiro volume da série, transformando todos em potenciais assassinos.

As mortes poderiam beirar o ridículo para serem, ao menos, engraçados, mas são tão pouco explorados que ficam mais deslocadas do que a real intenção do livro. Tudo bem que Serena é uma loira altíssima, a garota mais sedutora que seus olhos jamais viram, mas sua tranformação em psicopata é vazia e, repito, nem um pouco engraçada.

É só no final, com todo mundo querendo se matar, que a coisa parece pegar o ritmo, mas aí o livro acaba com aquela sensação escrota de "que merda é essa?!". E não é conclusivo, o final não é fechado. Fica aberto, dando corda pra qualquer outra maluquice que Cecily pense pra ganhar mais dinheiro.

Durante todas as mortes em lugares como elevadores do prédio, calçada da pizzaria na frente de todo mundo, tentei visualizar cenas de sitcom, absurdas como um Todo Mundo em Pânico dentro de sapatos Louboutin, mas não rola. Primeiro que poucas mortes têm uma descrição decente e o clima que Cecily gera pra cena não fica leve, não fica cômico. Ela não tem jeito pra isso e as mortes ficam comuns, sem sal, só com exagero de sangue e cabelo queimado. Fica gore e patético.

O que me fez ser fã da série de livros original, além da acidez da narradora Gossip Girl, foi a sensibilidade de Cecily tratar das amizades que permanecem desde que as personagens eram pequenas, as viagens de família, a primeira vez, essas coisas de "menininha". A maior qualidade dos livros não foi aproveitada aqui, se tornando um pedaço de madeira oca, sem nada a dizer, sem nada por dentro. Sem alma, apesar das personagens serem impecáveis em temos de construção (excluindo os momentos de psicopata), suportando nas costas o peso-pena dessa história.

Isso sem falar no formato do livro, que mede 22,5cm de altura contra os 20,5cm do formato original, ou seja, ele não vai uniformizar a coleção na sua estante (que bom que na minha ele não vai ficar, já que vou no sebo trocar por qualquer outro livro, talvez algo do Stephen King pra ficar no clima).


É uma decepção, realmente. Cecily é uma de minhas autoras preferidas só por causa da série que a deixou famosa, mas se The Carlyles (spin-off da série original) seguir o modelo de futilidade encontrada em Gossip Girl Psycho Killer, vou ter de dar as costas pra ela. 

Uma pena.



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