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As Vantagens de Ser Invisível (2012)


Não existem palavras no vocabulário que deixariam vocês a par do quanto me arrependo de não ter visto esse filme no cinema. Pior é não ter visto esse filme no cinema umas dez vezes. Com tanto bafafá em cima d'As Vantagens de Ser Invisível, disse pra mim: deixa a moda passar. Nisso, deixei passar também um dos filmes mais legais que já vi.

Acho que um dos fatores de ser tão bom é que o cara que escreveu o livro adaptou o roteiro e dirigiu o filme. Como escritor, trabalhar em cima de algo que você conhece da cabeça aos pés, facilita muito a expressão sem mal-entendido ou sem fidelidade ao que foi imaginado na hora de escrever. Levar isso pro cinema, pra um tipo de mídia diferente da literária, não faz com que o projeto perca o que tem de mais precioso: a alma

A gente dá de cara com Charlie, escrevendo cartas para um anônimo contando como é difícil ter de entrar no ensino médio e desbravar as selvas sociais sem ter um amigo sequer. A diferença de Charlie para qualquer outro adolescente de filmes do gênero é que ele não tem a postura de vítima. Apesar de requintes melancólicos, seu único amigo ter se suicidado, trejeitos de esquizofrenia traumática e complicações cabulosas com a falecida tia, ele é o cara que muda as coisas

Ele até espera as coisas acontecerem, de certa forma, antes de arriscar fazer os primeiros amigos: Patrick, veterano extrovertido (interpretado por Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que são meio-irmãos. A partir daí, o filme ganha outros tons, além da trilha sonora do caralho (Bowie, The Smiths, Sonic Youth e blá blá), nos puxando pra um drama que é tão tocável e tocante que desestrutura a ideia de que o filme é um drama adolescente. Assim como falei de Moonrise Kingdom e Ponte para Terabítia, que são filmes onde crianças atuam para adultos, aqui a gente tem um elenco DO CARALHO de adolescentes atuando para outros adolescentes e, mais ainda, milhões de outros adultos.

A sensibilidade que instiga reflexões é clichê, claro, mas tem toda uma identidade. As frases de efeito são novas ("me sinto infinito") e tão mais amplas do que se poderia esperar. Mais do que isso, tem um dos diálogos que mais pago pau na história do meu cinema. E ele acontece entre Charlie e o professor:

Charlie: Por que pessoas legais escolhem as pessoas erradas pra namorar?
Sr. Anderson: Nós aceitamos o amor que achamos merecer.
Charlie: Podemos fazê-las saberem que merecem mais?
Sr. Anderson: Podemos tentar.

E essa frasezinha do caralho é repetida por Charlie mais pro final do filme. 

E As Vantagens de Ser Invisível além de ser tudo de bom que todo mundo não cansa de falar, ainda envolve The Rocky Horror Picture Show (♥), a típica investida no mundo das drogas, a primeira vez, o primeiro namoro, o primeiro beijo, a primeira briga e o complexo romance de Patrick com um dos caras  (sim, homem com homem) mais populares do colégio em segredo, retratado de forma tão incrível e tão sincera que machucou meus olhinhos verdes de fada.

Agora, não há Sol que apague Emma Watson. Não sou fanboy de Harry Potter e ainda te garanto: ela não é Hermione! Ela é Emma Watson, uma atriz do caralho! Uma das cenas em que ela mais me matou foi quando recebeu a carta da universidade. A reação foi simples e espetacular, quando você assistir vai saber do que eu tô falando.

Porque o antissocial excluído se misturou com os degenerados e os estereotipos perderam sentido. A vida é assim, absorvendo essências, amando temperos, desfazendo culturas pra criar novas. E todo o elenco contribui pra isso, protagonistas ou não. A cena de Nina Dobrev (a nossa CHATÍSSIMA Elena e AMADÍSSIMA Katherine de The Vampire Diaries) ao telefone com o irmão, cara... respira!

É sobre correr atrás e não se acomodar a aquilo que você não acha que merece. Se quer mais, se acha que tem esse direito, o que te impede? Sei que você vai fazer uma lista enumerada (porque isso, porque aquilo), mas não sou eu quem você deve convencer. É você mesmo. As desculpas pra não mexer sua bundinha de calabresa da cadeira só prendem você

Charlie, Patrick, Sam (e mesmo os coadjuvantes) se encontram na mesma posição. Eles são iguais na firmeza com que se prendem ao costume. Charlie no "eu" pela metade, Patrick num amor pela metade, Sam numa vida pela metade, Candace num respeito pela metade e assim em diante. E acho que o filme é sobre se mover, sobre aproveitar as vantagens de ser invisível e dar um passo pra frente sem medo, sem vergonha. 

Ao invés de reclamar que ninguém pode vê-lo, Charlie abusa de seu poder pra avançar: como poderia sentir vergonha se ninguém o enxerga? E isso é fantasticamente belo.


Quem quiser me dar o livro antes que eu termine A Arma Escarlate, já pode, ok? Tô doido pra ler.



E já viu meu vídeo novo do canal Sem-H? É sobre BEBEDEIRA! E olha minha cara de cu, haha.



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