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Moonrise Kingdom (2012)


Ponte Para Terabítia e Onde Vivem os Monstros são dois filmes protagonizados por crianças que contam histórias para adultos. Ambos estão na lista dos meus preferidos. E aí veio Moonrise Kingdom, outro do gênero, onde crianças dão uma coça de moral em adultos e, consequentemente, em jovens eternos. Bonito, engraçado, de fotografia respeitosa e muito bem salpicado de cores. Nem fale em amarelo...

Acima de qualquer coisa, é um filme que retrata a simplicidade do querer, de se apaixonar.Temos os fofíssimos Sam e Suzy, que se apaixonam sem querer. Ele, escoteiro, órfão rejeitado pelos pais adotivos, encontra Suzy, mal-encarada, depressiva, quando invade o camarim das meninas e desenvolve um dos diálogos mais legais do filme.

"Ele gosta de você", avisa a amiguinha de Suzy quando o garoto é expulso pela diretora. E essa percepção que nós tínhamos quando mais novos é olhado por outra perspectiva, o poder de entender sutilezas e não complicar as coisas. Quando ele pega o programa da peça, ela deixa seu endereço para que se comuniquem por cartas - estão nos anos 60, não tem celular nem internet!

E eles vivem no meio de lugar nenhum, mas dentro de dramas pessoais que os perfuram, os entediam acima de qualquer tristeza. Mas eles se amam! Muito! E isso não é mostrado em excessos de melação ou sorrisos desnecessários. Eles se amam no silêncio de uma fogueira ou em como aceitaram fugir juntos para qualquer lugar.

Os pais de Suzy não sabem como lidar com a filha respondona, cheia de atitude, por isso sua rotina se resume a livros com viagens no espaço ou jornadas heroicas acompanhadas pela música do toca-discos portátil de um dos irmãos mais novos.

E eles vão! Ela com três malas cheias de pedaços de sua personalidade, ele com folhas de árvore sob o chapéu de pele de guaxinim, como um bom escoteiro. E aprendem a se beijar, a se admirar, a se entregar sem dramas, sem barreiras. O filme trabalha bem o fato de que, quando mais novos, conseguimos sentir prazer com as coisas mais básicas do mundo. Eles se dão por satisfeitos num universo que inventaram na pele da realidade.

Tanto que fiquei desconcertado vez ou outra, em cenas onde eles ficam seminus um para o outro, se tocando, aprendendo a beijar. É estranho ver crianças fazendo isso, não nego, mas eles são tão verdadeiros, tão simples, que enchem os olhos. Fiquei profundamente tocado com a leveza que o amor deles (inventado ou não) conseguia movê-los um para o outro.

E aí o grupo de escoteiros no qual Sam fazia parte, se une ao policial da região para encontrar a filha perdida e o órfão destinado a um abrigo barra-pesada para jovens abandonados. Aí que o filme ganha tons maiores, critica como os adultos adoram complicar o que não precisam, e a proximidade de uma das maiores tempestades da história dos Estados Unidos deixa as coisas um pouco sombrias.

Entre suicídio, casamento, reservas indígenas, raios caindo, Bruce Willis cada vez mais velho e o amor como brincar de casinha, Sam e Suzy se tornaram um de meus casais preferidos de todos os filmes que já assisti. Tem seus momentos bizarros, como a morte de um animal por uma criança, e uma tesourada nas costas, mas isso é só pra lembrar que apesar de toda inocência, ainda é um filme para adultos, que você é intimado a parar pra aprender alguma coisa daquilo.

E eu aprendi que se a gente quer alguma coisa, é só fazer. Vai ter problema? Vai dar merda? Tá, mas e daí? Por que não? Sejamos crianças de novo e nos sintamos felizes com básicos, sem necessitar do complexo ou difícil pra nos sentirmos realizados.

E nunca, nunca deixe de cobrir os seus rastros.



Posso divulgar meu vídeo? Falei de traição no canal Sem-H no Youtube! Quarta vou falar de carnaval e essa semana no DDPP teremos trilha sonora especial na sexta e tutorial de uma festa pra aproveitar esse feriado de outra forma! Se liga!



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