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Meu Namorado é um Zumbi (2013)


Por preconceito, cheguei no cinema de cara amarrada e não consegui rir das primeiras cenas engraçadas. Porque tava escrito "comédia" no pôster mas não consegui achar graça alguma... até achar graça de verdade! O desenrolar, as piadinhas, a mensagem clichê oculta num manto comercial me conquistaram com esforço e o resultado foi eu admirar um filme que achei que odiaria. Que odiaria muito.

A história de Meu Namorado é um Zumbi é tudo aquilo que você já sabe: mundo pós-apocalíptico + grupo de resistência morrendo aos poucos + falta de comida + a filha do líder + zumbis. O diferencial fica pelo fato do zumbi R. (Nicholas Hoult) narrar eventos por seu ponto de vista (alguém num estranho estado de estar morto, saber disso e não poder fazer nada pra parar a fome por carne humana). E cheio de humor. 

O cômico é comum, mas se destaca dessa infestação de zumbis do mundo pop onde cérebros explodindo e dramas ordinários comem nossos cérebros. Nicholas consegue interpretar um zumbi realmente engraçado e o roteiro nos dá uma série de trocadilhos maravilhosos com essa "globalização" dos zumbis na mídia, além de tratar do distanciamento das pessoas pela tecnologia (o filme é cheio de simbolismos), preconceitos e religiosidade.

Bem, um grupo de jovens treinados sai para buscar remédios e acabam atacados pela horda de zumbis em qual R. se encontra. Entre os jovens, somos apresentados a Kelvin, namorado de Julie, que tem Nora como melhor amiga. Na emboscada, R. come o cérebro de Kelvin e absorve suas lembranças, retomando parte da consciência humana própria, o que o move a cuidar da vida de Julie. Ele a resgata levando-a para o avião abandonado que chama de lar.

Lá, ela convive com aquele defunto com mania de colecionar objetos e que a trata como se fosse um bebê, indo contra tudo que ela aprendeu a lutar. Julie não estava preparada para achar um zumbi falante, carinhoso e, convenhamos, gatíssimo. Até ela voltar para a base, passam dias juntos, e ela entende que algo está acontecendo entre eles, por mais LOUCO que possa parecer. Mais louco ainda é uma criatura em decomposição conseguir falar, sentir culpa, paixão e ser o amigo que ela não teve nem com o namorado.

E o filme não é focado no relacionamento deles, mas na capacidade da compreensão curar feridas, do trato da intolerância com o próximo e a paciência do convívio social. E talvez em gerar comentários sobre Teresa Palmer ser a cara cuspida e loira da Kristen Stewart de Crepúsculo. Isso fizeram de propósito, uma brincadeira de muito bom gosto.

Eles percebem então que desencadearam uma infestação de "vida", fazendo com que outros zumbis voltem a se sentir humanos. E aí o filme ganha seu corpo, seus spoilers e toda uma razão pra estar no cinema: é no mínimo interessante a abordagem do gênero. Não é uma melação ou história de amor. É uma crítica cantada sobre nosso jeito de viver.

Não sei se o livro segue essa lógica que funciona perfeitamente no cinema, mas é pra assistir de cabeça aberta. Pode até levar o pré-conceito nos ombros, mas deixe-o na poltrona quando começar a assistir. É levinho, gostoso, passa rápido e te faz sair com uma ótima sensação de risada nas bochechas, mais ainda se for com amigos (pra vocês morrerem de inveja de Julie que tem um zumbi muito mais carinhoso do que seu namorado). 

Aposto que vão comentar bastante depois sobre os significados ocultos, das quedas de muros e vão se abraçar um pouquinho mais forte. Porque nem todo filme precisa ser o rei da inteligência pra ganhar sentido. E esse se fecha sozinho, o que não parece precisar de uma sequência (e espero que assim seja). Mas valeu a pena ser menos ignorante.

E no pior dos casos, tem M83 na trilha sonora, já fico feliz por isso :)


Fica o trailer:


E o vídeo novo do vlog Sem-H, sobre a importância de um "bom dia" desejado com vigor!



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