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Dezesseis Luas (2013)


A publicidade tosca que exaltou o "novo Crepúsculo" deveria ter sido suficiente pra afogar minhas expectativas e deixar o filme de lado. A única semelhança entre as histórias é a falta de respeito ao considerar um público mais jovem como um bando de acéfalos desprovidos de senso crítico. Em partes, funcionou bem pra série mais famosa. Com Dezesseis Luas, não acho que colou.

O que é uma pena! Se tem algo que amo são bruxas (tanto que já perdi a conta de quantas vezes assisti meu amado Jovens Bruxas) e isso aparece no meu livro novo (que é sobre ocultistas), na decoração do meu quarto e em minhas roupas. Apesar de nunca ter tocado no livro, fiquei animado com o filme, com a chance de ver uma boa adaptação desse arquétipo para o cinema.

E aí temos Lena (Alice Englert), nossa protagonista, que é uma conjuradora (eles, dessa espécie, desconsideram o termo "bruxa") prestes a completar 16 anos. Nessa idade, conjuradoras são possuídas pelos poderes das Trevas ou da Luz, dependendo da essência natural que carregam na personalidade. Então ela se muda para a casa do tio Bacon... ops, quero dizer, Macon (Jeremy Irons), se preparar pra mudança. E passa a frequentar o colégio numa tentativa de fingir que pode ter uma vida normal. 

Nisso, ela conhece Ethan (Alden Ehrenreich), a graça do filme. Eles têm um amor ancestral baseado numa maldição que não sei bem por qual motivo entrou no filme, já que não faz diferença nenhuma, de tão insignificante. Sério, você nem percebe a real importância. Depois a gente descobre que a mãe de Lena, que se transformou nas próprias trevas (ela não tem corpo físico, possui o de outras pessoas), quer a filha ao seu lado para liderar um mundo onde conjuradores não precisem se esconder, obliterando a existência dos "mortais" (humanos).

Num vai e volta de dramas comuns (ficar com o namorado, afastá-lo para o bem dele, ser possuída pelas trevas porque tenho raiva de todo mundo e mimimimimimimimi), a trama perde fôlego de forma banal. Porque o começo é legal, apesar de bastante óbvio. E o relacionamento de Ethan com Lena é diferente dos casais desse "gênero ameba". Ethan consegue ser divertido, safado (ótimas frases dúbias) e espontâneo, apesar de não se encaixar como um apaixonado.


Alice Englert caga uma Lena sem sal que só brilha quando ao lado de Alden. Destaque pra Emma Thompson, que interpreta a religiosa fanática da cidade e, mais tarde, a mãe de Lena. Essa mulher dá um show de interpretação, apesar de achar que uma criatura sobrenatural que desistiu do corpo físico para viver nas trevas não agiria de forma fútil, caricata e submissa. Quando Macon explica que ela desistiu da vida para viver nas sombras e que sua única fome é de poder, a ideia de ela querer que Lena a lidere não entra na minha mente. A construção da personagem não beneficia, mas Emma arrasa assim mesmo.

Também acho que a personagem Ridley (Emmy Rossum) poderia ter sido explorada por ângulos muito mais interessantes, já que é assim que Emmy a apresenta pra gente: mais interessante do que o tempo de filme ou o roteiro raso podem oferecer. Parece que quiseram enfiar um monte de coisas em 80 minutos e tudo se cagou.


Sem falar nas centenas de mortes que acontecem mais pro final e que parecem não ter efeito NENHUM numa cidade do interior, onde todo mundo se conhece. Isso, pra mim, até mais do que o desfecho retardado, foi o fim da picada.

Dezesseis Luas não tem nenhum resquício da bruxaria que esperava encontrar e pior, apresenta um trabalho profissional com mentalidade direcionada para crianças de 8 anos quando deveriam conquistar fãs a partir dos 14, pelo menos. É emaranhado de forçadas de barra e precipitações que acabam com um filme que poderia oferecer algo mais. Pelo menos ninguém é modelo de passarela aqui.


E o final aberto pode nos oferecer um segundo filme. 

Para o bem de nossos cérebros e para espaços em salas de cinema para filmes mais encorpados, espero que tenham a decência de não fazer isso.

Soou utópico demais, né?


Tenho um canal no Youtube chamado Enrique Sem H e no vídeo da última quarta falei daquela frase incrível do filme As Vantagens de Ser Invisível, que analisei aqui, "nós aceitamos o amor que achamos merecer". Assista aí embaixo, se inscreva no canal e compartilhe o vídeo!



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