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Crise da meia-idade aos 20 anos

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Entre 40-60 anos é comum sentir que a vida é um total fracasso, que sonhos se perderam e que você nunca fez o que queria. Aí larga o emprego, procura gente mais nova pra namorar e acaba com o estoque de cuecas Calvin Klein da loja mais cara (sem poder pagar por elas). Essa é a crise da meia-idade. E aos 20 anos?

Completarei minhas duas décadas e um ano de existência no dia 11 de setembro desse ano (vou fazer lista de desejos, vai ter que me dar presente). Há dois meses, quando percebi que não tenho mais 18 anos, que fico até 3 semanas sem ver os amigos que passavam 24 horas comigo porque todo mundo trabalha, e que as meninas que beijei no colégio estão grávidas, o universo passou na frente de meus olhos como uma viagem ilícita e psicodélica: o tempo não para.

E não tem pena.


Aí pensei nos sonhos que perdi, nas coisas que não realizei e no que vou me tornar. E se terminar a faculdade e não ter onde trabalhar? E se eu for demitido? E pra onde foram as tardes que gastava não fazendo absolutamente nada no conforto do meu quarto? Por que não comecei o curso de canto mais cedo? Por que não andei de skate antes da modinha? Por que, por que, por quê?

BANG! Você surta! A diferença da crise da meia-idade aos 20 anos para a crise existencial fica pelo fato de você se fazer esses tipos de perguntas e agir com impulso pra tentar reverter a situação (no meu caso melhorando meu portfólio pra achar um emprego foda na área que desejo, escrevendo que nem louco por 7 horas seguidas, comprando skate e tal). Na crise existencial, você simplesmente para, toma uma dose de nostalgia + melancolia e deixa a vida acontecer do lado de fora, sem se meter.


O tempo não tem pena de ninguém e a cada minuto estamos mais perto do fim, seja ele em forma de morte ou limitação física/psicológica. Quando nós, jovens, entramos nessa crise, tomamos chá de carpe diem e não deixamos de fazer nada que temos vontade. Aí vamos pra aula/estágio virados depois da festinha indie na zona sul ou experimentamos um monte de drogas e sensações que não nos permitimos mais cedo, na época em que experimentar era "permitido".

É verdade, ainda somos jovens! Apesar da vida ser curta, ela também é muito longa. Sabemos que atualmente o tempo corre mais acelerado, que cinco anos passam voando, mas a gente só percebe quando já passou. Pra sentir menos essa aceleração, temos de fazer o que quisermos fazer. Não pra saciar o momento de crise, mas pra transformar o estilo de nossa vida em setores distintos.


Por isso ande de skate, compre sua primeira boneca inflável, dê em cima do garoto esperando táxi na porta das Lojas Americanas e arranje um emprego só pra comprar sua kombi VW pra viajar com os amigos pelo litoral brasileiro. Chorar pelo leite derramado é perder mais tempo ainda, tempo pra viver e parar de acumular coisas que você não fez para querer fazê-las no futuro.

Aprendi que até podemos correr atrás dos 18 anos de novo, mas não há nada melhor do que ter passado por eles, saber exatamente o que foi bom e reproduzir em versões novas nesse outro momento da vida. 


E nunca, nunca pare de respirar. "Live like Jay".

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