Carregando...



Tudo Por Um Sonho (2012)


Gosto muito do estilo "californiano" de viver, das músicas principalmente. Coisa de andar de bicicleta, puxar o long pra sair do colégio e matar o tempo de sexta com fogueira na beira do mar. Falando de esportes, praticar surf ou skateboard nunca foi meu forte por medo dos danos. Depois de Chasing Mavericks, lição de vida sobre uma prancha, decidi aprender a cair.

Filmes sobre esportes me broxam. Piora quando é biografia de esportista. Tendo a achar que o filme fica limitado, que a brincadeira de "faz de conta" do cinema não tem efeito. Me surpreendi em como isso foi executado aqui, onde as lições de convívio familiar, típicos de cinema, dão razões e perspectivas diversas para uma história real, que já aconteceu. Essa é a grande diferença de Tudo Por Um Sonho.

Jay Moriarity (Jonny Weston) foi um surfista que ficou famoso aos 16 anos por ter surfado uma onda gigante (que no filme é maior ainda, claro). Isso não chega a ser spoiler, saber que o cara surfou a onda. O objetivo do longa, além de contar um pouco sobre o bang do cara, é demonstrar como o conceito de família pode mudar, onde o filho cuida dos pais, os pais agem como filhos e estranhos se tornam pais "adotados" quando um vínculo de amizade e confiança nasce e se desenvolve.

Depois de descobrir essas tais ondas gigantes, o garoto tem algumas semanas pra se preparar pra enfrentá-la. Sem preparação ele pode morrer, óbvio. Se cair da prancha, será como a queda de um prédio direto no asfalto. Seria menos horrível se mais litros e litros de água não caíssem sobre ele, mantendo-o sem respirar, sem conseguir nadar e sem direção.

Aí ele vai perturbar o vizinho que o salvou de se afogar quando mais novo, o surfista veterano Frosty, interpretado pelo ótimo Gerard Butler. Depois de relutar, percebe como Jay é igual a ele, faminto pelo "agora", pelo "faça enquanto há chance" e que com ou sem sua ajuda, vai enfrentar a onda. Morrerá se for necessário, porque Jay não vê outra coisa como objetivo. Não há nada mais no mundo que ele queira tanto.

Isso porque as coisas em casa não andam boas: abandonado pelo pai; com mãe depressiva que se torna sua filha; o amor de infância alguns anos mais velha o ignora por ele ser mais novo; seu melhor amigo usa drogas e nada parece nunca dar certo. É o jeito de Moriarity fugir, de voltar para o lugar que quase tirou sua vida quando aos 8 anos, mas que agora lhe entregava uma nova chance de viver. Com a ótima ironia, ele teria de superar seu medo da morte de novo.

É sobre querer algo a ponto de se sacrificar, correr atrás sem medo do amanhã, aceitar riscos, superar limites e, de forma elástica, aceitá-los, pois às vezes quando achamos que não podemos mais atravessar e tudo se perde, é o momento em que centralizamos as coisas e nos colocamos onde queremos estar.

Só não achei Chasing Mavericks ótimo por não ter mais desenvolvimento nos relacionamentos, pois os achei bastante promissores. Entendo que por focar na vida de alguém que já existe não dá pra viajar muito. E também é pra falar de surf um pouco, né? O esporte precisa de certo destaque porque, apesar de coringão num sábado à noite com a família, é pra um público que curte ou admira quem desliza na água.

De forma geral, é para um tipo específico de pessoa: as que gostam da liberdade e que acreditam que carpe diem não precisar ser disparado como frase pra fora da boca o tempo todo, mas sentido como água, dominando 70% do nosso corpo. Os outros 30% ficam pra se prender um pouquinho a quem a gente gosta. 

"Live like Jay".



Comente com o Facebook:

Últimos Artigos