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Hannibal (2013) + Cronologia dos filmes


Hannibal Lecter está imortalizado como um dos vilões mais incríveis do cinema. Os filmes tiraram base da série de livros escrita por Thomas Harris. Vivido por 3 atores diferentes, a interpretação de maior destaque foi para Anthony Hopkins, e na série que leva o nome do vilão canibal, temos uma nova perspectiva, mostrando que num mundo de releituras, algumas prometem se tornar clássicos.

O protagonista é Will Graham (Hugh Dancy), detetive que tem dificuldades de envolvimento social, capacidade empática extrema (quando a pessoa consegue se colocar e pensar como se fosse outra) e imersão fora de controle no discernimento do que é criado por sua mente e o que é real, o que não o torna louco, mas o impede de separar o que é real e o que é fruto de sua imaginação vidrada nos crimes que precisa resolver.

A proposta dessa nova série é apresentar o relacionamento inicial entre Will (já vivido por Edward Northon em Dragão Vermelho) e Hannibal antes do mesmo ser capturado. Só que a jogada de gênio foi repaginar totalmente um detetive que antes era apenas inteligente e transformá-lo numa máquina de ironia que ao mesmo tempo em que têm dificuldades para lidar com outros seres humanos, possui talento inigualável quando precisa se colocar no lugar do assassino, imaginar como ele, sentir como ele.

Uma série de assassinatos bizarros (e muito, muito bonitos) deixa o FBI com a pulga atrás da orelha. Ninguém é tão bom quanto Will para desvendar esse tipo de caso. O problema fica pela personalidade do cara, tachado de frio e instável, apesar de bastante respeitado. Quando se dão conta que o assassino pode ser mais inteligente do que parece, Jack Crawford (Laurence Fishburne), chefão do FBI, quer Will no caso de qualquer jeito. Mas como manter um cara meio maluco sem que ele surte?

Contratando um psiquiatra pra ele, claro. Adivinha quem é o melhor no que faz? Hannibal Lecter. É de admirar os diálogos entre Will e Lecter que apesar de compreensível pra leigos, carregam a inteligência necessária para que uma série de suspense policial funcione além de seus moldes. Você consegue ver e sentir como Hannibal manipula tudo num sistema psicológico contra o próprio Will apenas para testá-lo, experimentá-lo. O que desanima é o pouco conteúdo que Mads Mikkelsen, o novo ator, deu para o vilão.

Não que seja ruim: sua aparência é de ângulos muito singulares, seu olhar é apático e mesmo que esteja na cara dele que o cara saiu das portas do inferno, você não consegue mentir, questionar ou deixar de confiar em sua imagem. Não creio que seja problema do roteiro ou da responsabilidade de ter de interpretar o mesmo personagem que Anthony Hopkins, mas Mads ainda tem muito pra escalar. Não para ser comparado a ninguém, mas para tecer uma linha de interpretação mais encorpada.

O que pode vir com o passar do tempo. Talvez seja até intencional. O que não deixa dúvida é como em tempos de escassez da ousadia para desenvolver novas tramas na televisão e cinema americanos, essa série tem cheiro de clássico instantâneo. Não só pela abertura curta e de qualidade imensurável, mas pela readaptação e inserção de Will como um personagem tão curioso, facilmente amável por sua complexidade.


Nos acostumamos tanto a torcer por vilões que quando nos apresentam um mocinho que consegue ser tão incrível quanto a mente desfuncional de um psicopata, mas fazendo o trabalho de defender as pessoas deles, a gente se agarra com valor. E Hugh Dancy é o ator perfeito para esse papel (assista e vai saber o que tô dizendo). Isso sem que eu tenha de elogiar a fotografia que deixa muito filme envergonhado, as ótimas caracterizações e efeitos em 3D em momentos de confusão entre realidade e fantasia pelos olhos do detetive.


É como misturar a épica Twin Peaks (falarei sobre a série no futuro) com The Following (a Isa escreveu uma ótima resenha sobre essa outra série de psicopatas, que estão na moda agora) e espremer o que pode ser um dos maiores "booms" das séries do gênero. Se antes The Following era tudo que eu queria assistir nesse meio, Hannibal ganhou a dianteira logo no piloto. Esse feito, hoje em dia, é para pouquíssimas produções.


CRONOLOGIA DA HISTÓRIA

Mesmo que não possamos ficar comparando os filmes com a série e os livros (por serem mídias diferentes), há uma linha do tempo que não é a mesma das ordens de lançamentos. Pra se situar ou só matar a curiosidade (já que não é preciso ver os filmes ou ler os livros pra entender a série), deixo a ordem certa pra assistir Hannibal. Lembrando que as histórias podem diferir, ok?

1. Hannibal - A Origem do Mal (2007)
2. Hannibal (2013)
3. Dragão Vermelho (2002)
4. O Silêncio dos Inocentes (1991)
5. Hannibal (2001)

Também tem a primeira adaptação cinematográfica chamada Manhunter - Caçada ao Amanhecer, de 1986, que é pouco fiel aos livros mas que aborda bastante sobre Will. Nunca assisti, não posso opinar.


Assista o trailer, a série e tire suas conclusões, eu recomendo. As críticas apontam com amor ou ódio, nada entre os dois, mas geralmente são mais positivas. Quem falou mal considerou "superficial" e "irreal". Pessoalmente acho que uma série que envolva Hannibal Lecter tem todo o direito de trabalhar com o lúdico. Arrisco até a dizer que a grande sacada da série é essa: o que é real? O que vamos jantar hoje?



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