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Idade faz diferença num relacionamento?

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Idade e maturidade nem sempre são proporcionais: alguém com 40 anos pode agir como se tivesse 15. Uma pessoa de 15 pode ter o comportamento de alguém mais experiente. Basear sucesso ou decadência do casal numa combinação de números pode ser estúpido, mas é óbvio que com a idade diferentes responsabilidades são estabelecidas, e aí sim temos um iceberg na frente do navio.

Tenho preferência por pessoas mais velhas. É entre os 24 e 35 anos que encontro certa estabilidade de caráter, independência e (quase) certeza do que a pessoa quer comigo, o que me dá segurança pra fazer o mesmo. Não quer dizer que não tolere pessoas mais novas ou da mesma idade, mas pela comum metamorfose da idade, de mudar de ideia o tempo todo - e por depender dos pais - prefiro não me envolver. De perdido já basta eu.

Por esse lado, parece que os prós e contras estão muito bem catalogados, né? Se não fosse por saber que sair com alguém 15 anos mais velho vai me dar um idoso pra cuidar nos próximos 15 - ou que eu possa ser trocado por alguém menos "infantil" -, não teria problema nenhum. E aposto que pra essa pessoa saber que o namorado vai ter 35 anos quando ele tiver 50, a sensação de insegurança, de intimidação, será obliteravelmente pior. 

Enquanto ficar imaginando que seu namorado mais velho não vai querer sair de casa, talvez nem queira mais jogar videogame ou nem consiga (ou queira) fazer amor contigo, ele vai ter medo do jardineiro, da empregada, do primo babaca e até do garçom do restaurante (vai, você acha que com 35 anos e namorando vocês ainda vão jantar no McDonald's?). A idade, nesse caso, se torna o jogo da forca.

Aí me pergunto: será que não vale a pena tentar? Não seria melhor aproveitar enquanto você e seu amor têm a idade atual pra aproveitar e construir um relacionamento forte, que resista ao tempo, ao invés de se recolher em sua cabaninha à prova de emoções e nunca se atrever por medo do futuro? Por medo de algo que ainda nem aconteceu e que talvez não aconteça?

Não puxo o amor para a fantasia, não mais. O que consigo acreditar é que é preciso cuidado, é preciso poda, rega e replantio. Tem que adubar com sinceridade e confiança pra dar certo. Quando você gosta de alguém, tudo não parece mais fácil? Se você respondeu que "não", te digo de boca cheia: DEVERIA SER! Porque se você tá numa relação que não te dá segurança agora, imagina lá na frente! 

Idade define como a sociedade vai tratar vocês, se o mercado vai deixar levar a garrafa de Contini ou se você vai ter habilitação pra pegar uma VW e sumir do mapa. Na vida amorosa, é a sintonia do casal que vai ditar regras, que vai medir o quanto a gente confia no outro a ponto de não se preocupar de procurar o que falta fora de casa.

Cada minuto pensando no "e quando...?" é um minuto desperdiçado daquilo que você deveria calcular menos e desenvolver mais. Não numa jogada irresponsável e sem pensar nas consequências, mas deixar de se mover por causa disso é besteira. O tempo que seu corpo existe na Terra e a coleção de experiências psicológicas não estão ligadas por correntes.

Se apaixonar é jogar roleta russa: quando vem o tiro, fodeu! Se há retorno do sentimento, pra que colocar mais problemas no caminho? O contrário deveria ser feito, tirar os empecilhos, varrer o chão pra sentar e comer pizza com quem tá junto, sujar as mãos com o que é gostoso, sem colocar máscaras mais feias nos demônios que assombram vocês.

Com isso em mente, gere mais paciência e menos drama. Idade faz diferença se acreditar em números mais do que acredita na palavra de quem está contigo. Amar alguém é correr no escuro, é cair de boca numa pedra e arrebentar os dentes num banho de sangue ou dar de cara num peito pra descansar, num abraço pra apertar.

O resto a gente resolve quando der pra comprar lanternas.

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