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Amores Imaginários (2010)


Les Amours Imaginaires é um daqueles filmes jovens, de questionamentos jovens, mas que entrega uma onda de discussões e respeito muito maduros para o cinema. Não é pra menos que o diretor de 24 anos, Xavier Dolan — que interpreta um dos três protagonistas (o de cabelos castanhos) — bebe da fonte estética de grandes nomes, mas registra de jeito belíssimo sua assinatura.

Francis e Marie (Monia Chokri) são aqueles amigos que frequentam sociais juntos, que compram juntos e se conhecem bem. Numa dessas festinhas, aparece Nicolas (Niels Schneider), loiro, de feições exóticas, cabelos cacheados e um charme indiscutível. Como são bons amigos, comentam sobre o novo rapaz sem dar muita corda, escondendo um do outro que ambos se interessaram de primeira.

Os joguinhos começam a partir daí. Se fingem de desentendidos, dizem que não acharam nada de mais no garoto até a mentira cair e a guerra fria acontecer por debaixo da amizade. Com quem Nicolas quer ficar? Será que quer ficar com algum deles? O anjinho com atitude de demônio não dá trégua, joga com os dois desesperados românticos, provoca, curte seus momentos da forma mais egoísta possível.

Além das cenas em câmera lenta, da poesia das óóóóótimas cores e da fotografia de técnica muito precisa e inteligente — mesmo quando parece despojada — fico intrigado com os questionamentos que as personagens incitam implicitamente, pra confundir sem ser de propósito. Quando nos transformamos em outra pessoa pra chamar a atenção de quem desejamos, quando lutamos contra nossos amigos ou ignoramos quem realmente nos quer por estarmos desesperados demais buscando a companhia ideal (o tal unicórnio) pra dividir conchinha.

E se o amor for só um conceito? E se não amarmos as pessoas, mas sim a rotina que o relacionamento implica? Como bem dito no filme entre uma sequência da cronologia de Marie e Francis e uma roda onde pessoas contam suas experiências românticas, talvez amemos fulano que mora longe justamente pela distância. Amamos pegar o avião, a ansiedade, o café ao desembarcar, a vontade de não querer ir embora.


Quando não existir mais distância entre fulano e você, o amor quebra. Claro que é só uma maneira de olhar esse sentimento, mas é muito curioso como pode ser visto aos montes no cotidiano. Até quando a gente deixar de gostar "de repente" quando dizem que nos amam ou quando nos pedem em namoro. É como se a falta de uma frase (que gerava distância, mistério, dúvida, que intrigava) fosse o que amamos. Quando ela se torna óbvia e desaparece, buscamos outros amores para imaginar, outras dúvidas para nos machucar. 

Francis e Marie usam tudo que Nicolas oferece como totem para construir suas idealizações, suas esperanças. Estariam delirando ou Nicolas realmente dá os sinais errados/certos? Só assistindo e ouvindo a ótima trilha sonora pra saber. Nunca será perda de tempo. Sempre será um espelho.

"Não quero desperdiçar minha vida te amando mal."



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