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Dar um tempo salva o relacionamento?

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Poucas foram as vezes que "dar um tempo" não funcionava apenas como desculpa para que meus amigos saíssem com outras pessoas sem o peso na consciência. Quando cheguei a considerar "dar um tempo" com alguém, o fiz com um objetivo travado: recuperar a vontade de estar junto, não piorar a situação buscando novas pessoas. Fiz para sentir saudade, não afogá-la em outras bocas.

Quando a gente passa muito tempo dentro de um relacionamento amoroso, temos a tendência de esquecer um pouco de como costumávamos ser antes, quando o máximo de relacionamento que tínhamos era com o edredom ou com os amigos. Diferente deles, o namorado ou namorada passa mais tempo com a gente, tem uma proximidade íntima um pouco maior, já que amigos tendem a nos aceitar e apreciar do jeito que somos, enquanto parceiros tendem a exigir algo de nós.

Por isso "dar um tempo" pode ser uma boa alternativa pra cortar o cordão umbilical e se reencontrar, retomar as veias de amizade com outras pessoas e redefinir prioridades tentando aproximar o equilíbrio do namoro com o resto da vida. Mesmo assim, não chega a ser premissa para o término e sim para que o término não precise acontecer.

Agora, quando o "dar um tempo" vem como última chance de fazer as coisas darem certo dentro de um plano confuso, caótico e conturbado, o afastamento não é para sentir saudades. Parece que funciona como experimentação de relacionamentos diferentes para perceber o que é que falta no oficial. O que nem sempre funciona, já que quando esse elemento faltante for encontrado, mover do novo relacionamento — brilhante e com cheiro de novidade — para o antigo — doloroso e incômodo — vira uma escolha quase  irracional.

Há casos em que o objetivo é realmente acabar com o relacionamento sem precisar colocar um ponto final. Algo como manter um backup, alguém para correr de volta pra não retomar o status de "solteiro", alguém que impeça a solidão de chegar na porta de casa. Então a pessoa sai, conhece outras e percebe que o mundo pode ser bastante cinza sem uma SMS carinhosa no meio da madrugada ou esquartejar uma pizza entre beijos e queijos no chão da cozinha.

Aí o retorno é cheio de paixão, cheio do medo de perder. A saudade é real e fica possível perceber o verdadeiro valor dos dois, do que foi construído e do que simplesmente nasceu da química, do que nunca precisou ser discutido ou cobrado. 

De todas as formas, saber quando "dar um tempo" é tão importante quanto deixar claro para o outro o porquê dessa atitude. É pra ser um acordo de confiança, não um "vale night" para libertinagem e desrespeito. Porque sempre há um que ama mais que o outro. Sempre haverá um que estará em casa, ao lado do telefone, esperando por qualquer sinal de retorno enquanto o outro se acaba na boate.

Não deixe ninguém pendurado, não deixe pontas soltas. Se o tempo for necessário, que seja pra amarrar o que tá perdido, não pra dissolver o que restou num monte de desgosto e mágoas.

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