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Faxina pode ser legal

faxina

Sou uma senhora. Senhora solteira, que ama animais e conversa com as fadas quando não tá conversando sozinha. Sou apaixonado pela estética (que não é a mesma coisa que beleza) e manter minha casa limpa ajuda a manter meu espírito limpo. Por isso, quando tô puto da vida, pego uma vassoura e carrego meus problemas pra lixeira. Sabia que isso pode ser divertido?

Meus amigos, jovens ou adultos, o-de-i-am a palavra "faxina" ou limpeza. Correm da organização e cuidado com o espaço como vampiros dos anos 80 corriam das cruzes. A simples ideia de ter de passar pano ou espanar pó já os cansa, desgasta. Por isso, se não têm empregada ou mamãe que faça, deixam acumular poeira e tufos de pelos. E quando não precisam arrumar a casa inteira, sentem preguiça pra arrumar só o quarto. 

Olha, preguiça a gente sempre vai sentir quando se deparar com alguma situação de não-fácil (pra não dizer difícil) resolução. Não só a nível físico, mas mental (mudar de emprego) ou espiritual (estudar wicca ou se concentrar pra rezar na igreja). A gente se acostuma a receber tudo mastigadinho, tudo pronto, sempre no modo "tem quem faça"

A inspiração da onda punk me ensinou que se você quiser as coisas bem feitas, faça você mesmo. Ou se não quiser gastar dinheiro à toa dentro desse sistema bobo de consumo onde pagamos muito caro pra pouca coisa e, pior, de pouca utilidade. Minha casa é pequena, uma pessoa consegue arrumar tudo, então por que não eu, ao invés de pagar alguém ou deixar minha idosa mãe se quebrar toda?

Pois meu pensamento como filho dos donos da casa é de não ser prisioneiro, mas grato. Grato por ter comida na mesa, grato por ter uma decoração foda, grato por ter energia elétrica e tal, tal, tal. Justamente por ser grato, por que não poupar o bolso ou corpo dos velhotes usando meu jovem e belíssimo bronze natural, tonificando os músculos enquanto esfrego chão? Vai além da gratidão, até.

Vai da noção de que a organização do mundo, da mente, começa na organização do local onde moramos. Se as coisas não vão bem em casa, se tendemos a brigar e nos descontrolar em ambiente domiciliar, repetimos e reverberamos essas atitudes na rua. Se não nos importamos com a zona ou sujeira no próprio quarto, dificilmente nos importaremos com a sujeira nos locais públicos e, se muito caras de pau, ainda sujaremos mais.

Por isso recomendo um bom par de fones, uma seleção incrível de músicas (postei aqui) e uma nova perspectiva:


"Não estou arrumando a casa como uma obrigação ou fardo, mas porque aprecio onde moro, porque sou limpinho e preciso me sentir realizado ao terminar a arrumação, tomar um banho e assistir a um filme com a sensação de que esse espaço é meu e de quem vive comigo, que todos nós, moradores, precisamos amar esse quadradinho pra aprender a amar a vida lá fora".

É claro, ainda tenho preguiça. Inclusive, estou escrevendo esse post com meu avental e luvas ao lado. Dá vontade de fazer tudo, menos levantar da cadeira. Daí penso no que não me permite, a acomodação. E se a gente se acomodar com a quantidade de poeira nos móveis, a gente se acomoda com a vida enfiada na merda.


Depois que atola, só fada madrinha pra tirar.

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