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Somos Tão Jovens (2013)


Clichê. Daqueles enjoados. Se propor a narrar a história de um ícone é pra ser feito com cuidado. Primeiro que não pode se tornar documentário. Segundo porque não pode ficar restrito apenas aos fãs. Precisa ser claro e ainda assim, fiel. Somos Tão Jovens foi um cuspe pro alto, o primeiro filme do ano que fez com que me arrependesse de pagar ingresso.

Só pra você ter uma ideia da trama antes de eu descascar em cima, a gente conhece o início de carreira de Renato Russo, famoso vocalista e compositor da banda Legião Urbana, aquele grupo de rock meio diferente, com letras incríveis, sempre nadando entre agressividade irônica e doces melodias. Começando nisso, a marcação temporal desse "início" é frouxa, perdida a ponto de tornar algo extremamente curioso em totalmente desinteressante

Pra arrastar o circo de tristezas do que poderia ser um PUTA filme, os atores parecem ter saído de uma escolinha de teatro no melhor estilo Malhação. Se não fosse por Thiago Mendonça, que interpreta o próprio Renato, a desgraça seria ainda maior. Mesmo assim, não consegui assistir Thiago como grande ator. Apesar de toda a composição da personagem e seus movimentos, trejeitos e personalidade, apenas consegui enxerga-lo como um ótimo "imitador". Talvez seja problema da direção...

Porque é caricato demais. O garoto que faz Herbert Vianna, Edu Moraes, é sensacional, mas também como imitador, não como ator. O Dinho Ouro Preto, da Capital Inicial, consegue ser mais esquisito que o real, só que bastante sem sal. Laila Zaid, que interpretou Aninha, melhor amiga de Renato, tem seus ótimos momentos, mas com péssimas edições e texto mole, o que me fez acreditar que a culpa de tamanho descaso com a preparação técnica dos jovens atores advenha de uma direção imatura, despreparada para filmar algo como esse filme.

Tive de me segurar na cadeira pra não ir embora, impulso que veio três vezes durante a exibição a ponto de me fazer levantar da cadeira. Fazia tempo que algo assim não acontecia. Isso me deixou muito decepcionado, pois apesar de não esperar muito de Somos Tão Jovens, não esperava tão pouco. Não esperava a forçação de barra para alimentar arquétipos do "jovem roqueiro" regado a vodka, cigarro, cerveja e rock por reprovar um mundo de mordomias no qual estão inseridos.

Porque a grande impressão (e quase sempre extremamente real, vejo pelos jovens roqueiros que conheci e conheço, além de ídolos como Cazuza) é que filhinhos de papai só querem ter algo pra fazer barulho sobre. Querem matar o tédio com fósforo e gasolina, querem afrontar pais legais e um pouco babacas. Parece que é um bando de mimados buscando identidade na novidade, no que ainda nem chegou à massa, só pra vestir, fazer parte.

A intenção talvez tenha sido de mostrar isso mesmo, mas ficou feio, mal executado. Deixou a impressão de que essa imagem só veio pra tela por "defeito", não por planejamento. Houve medo para ousar na exibição das drogas, dos romances (principalmente com homens, onde nem rola beijo) no desenvolvimento da mente de um garoto feio que se tornou Deus para milhões de pessoas. Não que fosse necessário falar do fim, mas já que o foco era o começo, por que não fazer com vontade?

Por outro lado, figurinos são impecáveis, fotografia é ótima, e apesar das boas músicas, o áudio estava uma porcaria nas cenas do quarto de Renato. Nos créditos vem escrito que é uma obra de ficção BASEADA na biografia do cantor. Por isso não há desculpas pra expressar a falta de criatividade, talvez até de paixão e empenho para produzir um resultado melhor, encorpado. 

Foi perda de dinheiro. Foi perda de paciência, de tesão, de esperanças e isso me deixa muito triste. Não gostaria de estar escrevendo essa crítica, não por ser um filme brasileiro, mas por falar de um cara que nas telonas se parece com um personagem de novelinha teen ao invés de falar do poeta avassalador que mesmo depois de tantas décadas continua inspirando mentes, tirando lágrimas dos olhos e fazendo nos perguntar: que país é esse? Que porra de mundo é esse? E quem somos nós?

Que os bons atores desse fiasco alcem voos a personagens e roteiros muito mais lapidados, pois foram eles que me seguraram na sala do cinema excessivamente gelado.



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