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Fotografia analógica, 1: Como começar?

fotografia+analogica+35mm

"Como vocês conseguiam viver sem câmera digital?", perguntei pra minha mãe há alguns anos, quando encontramos nossa antiga câmera analógica (de filme) na gaveta. A partir daí, busquei formas de reproduzir o estilo único, lúdico e saudosista que hoje domina o Tumblr, we♥it e afins: as fotos vintage, analógicas ou descartáveis. Comprei minha câmera, gastei uns filmes e agora compartilho o que aprendi.

É tão indie, né? Tão hipster, tão cool. Se procurar por "analog" nessas redes sociais visuais, vai encontrar resultados a dar com pau. São aquelas fotos um pouco queimadas pela luz, amareladas ou de tons verdes e azulados que brilham um pouco desfocados contra o fundo escuro causado pelo flash. Por muito tempo tentei reproduzir esse efeito no Photoshop (essas aí embaixo), mas chega uma hora em que você percebe que algumas fotos só ficam com essa cara de "fantasia" se usar uma câmera de verdade.



POR QUE AS FOTOS ANALÓGICAS SÃO TÃO APAIXONANTES?

Pelo menos pra mim, fazem com que sinta saudade de um tempo que não vivi, que não tive. Vejo essas imagens de adolescentes curtindo a vida com os amigos, usando roupas legais com cortes de cabelos ousados, e se deixando congelar num frame anacrônico, fora do tempo. Essas fotos me dão vontade de viajar de kombi pelo país, de não ter lugar fixo, de arranjar bons amigos e grande romances, de pular na piscina pelado ou nadar no oceano de madrugada. 


Imagino longas noites ao redor da fogueira ou tardes inteiras assistindo a filmes no cinema. Vivo festas na sala com decoração simples e um monte de papel crepom. Ouço The Drums tocar antes de Florence + The Machine cantar no meu caminho pra fotografar no cemitério. É tudo isso e mais um pouco que jamais vou conseguir verbalizar quando vejo essas fotografias analógicas. 


QUAL CÂMERA ANALÓGICA DEVO COMPRAR?

Com diferentes tipos de preços e configurações, câmeras analógicas não chegam a ser bichos de sete cabeças. Primeiro porque, como hobbie, não vejo razões pra pagar R$ 500 numa câmera histórica, já que o buscado aqui é o efeito visual analógico mais do que o controle de foco ou as complexidades dos níveis de iluminação. 


Por isso, o primeiro lugar pra procurar uma câmera é na casa da sua avó ou no seu porão. Pergunte aos seus pais onde estão as câmeras que usavam há décadas e tente recuperá-las. Como saber se estão funcionando? Sem o filme dentro dela (vou falar do filme já, já), veja se ela é à pilha. Se sim, há um probleminha.


Em minhas pesquisas antes de comprar a minha, soube que as que usam pilhas pra alimentar o flash têm mais chances de se foderem com o passar dos anos, já que muitos usuários "esquecem" pilhas e baterias dentro do compartimento, o que pode acarretar o vazamento das pilhas para o circuito da câmera, corroendo-o. 


Pra testar, ainda sem filme, coloque a pilha no local indicado, arme a câmera (rodando um botãozinho na parte traseira, à direita, até não conseguir mais rodar), carregue o flash, e dispare (no botão que nem ao de uma digital) olhando para  diafragma (buraquinho atrás da lente que deixa a luz passar). Se ele abriu e fechou (é bem rápido) e o flash acendeu, ela deve estar funcionando bem, aí só testando com filme e revelando pra saber.


Outras câmeras não vêm com flashes embutidos, o que as tornam quase inúteis em locais com pouca iluminação, sendo recomendado fotografar em ambientes externos em dias de Sol. Pra quem tem flash, a intensidade e a distância recomendadas variam, mas o comum é manter-se a uma distância entre 1,2m e 3m. Mas não se prenda às regras! O legal desse tipo de fotografia é o elemento surpresa, não saber o resultado na hora! Afaste, aproxime, tire fotos em lugares mal-iluminados ou contra a luz! 


As câmeras analógicas mais comuns e populares são as Diana F+, Diana Mini, La Sardina e a Olympus Trip 35. Pra quem quer pagar ainda mais barato só pra experimentar a técnica, aconselho comprar uma câmera analógica descartável. Elas vêm com 27 poses e só podem ser usadas uma vez (por isso são descartáveis). São indicadas pra levar a shows ou locais onde você possa perder ou ser roubado. Depois que fotografar, o processo de revelação é o mesmo (fica prum próximo post).


Na internet encontrei alguns hacks para reusar e recarregar a câmera descartável com um filme novo. A minha é diferente do modelo dos sites, mas mesmo quando terminei com o filme, a abri e consegui recarregar — vou preparar um tutorial pra isso no futuro. De todas, é a câmera que faz meu estilo de fotos preferido. Em segundo lugar, vem a Olympus Trip 35, mas se eu puder usar a descartável pra sempre, pra sempre será. 


O BÁSICO SOBRE FILMES

Bom é que todas essas câmeras que apresentei utilizam o filme mais comum e barato, o de 135 (ou 35mm). Você o encontra em lojas de revelação digital e especializadas em fotografia entre R$ 10 e R$ 13. A Diana F+ é a única que utiliza filmes de 120 (120mm), produzindo fotos quadradas. Sai um pouquinho mais caro, mas o resultado é interessante. Cada filme tem um número de poses que equivalem ao número de fotos a serem tiradas.

A diferença de um filme para outro fica pelo encaixe: uma câmera de 35mm não aceita filmes de 120mm e vice-versa. Outros pontos que nos dão opções diferenciadas para composição de fotos são o ISO (nível de sensibilidade à luz) e se o filme é colorido ou preto e branco. Quanto mais alto o ISO, mais luz o filme vai captar, mas também vai ficar granulado, com aqueles pontinhos que parecem areia, grãos. Sendo assim, dá pra tirar fotos mais visíveis em ambientes com menos luz se não se incomodar com a grande quantidade de grãos (que eu adoro).


Quando o ISO é baixo, vai fazer o efeito contrário, recebendo menos luz em ambientes super iluminados e diminuindo consideravelmente a quantidade de grãos. O ISO comum dos filmes vendidos fica em torno de 200 e 400. Com o tempo, se sentir a necessidade, teste outros tipos. Se o filme for preto e branco, o resultado final será, obviamente, preto e branco. 

No geral, é um investimento que vale a pena quando se tem extrema vontade de expressar coisas que não podem ser ditas, coisas que sentimos quando olhamos para essas fotos incríveis e desejamos mudar toda a nossa realidade para aquele estado de "sonho", de que parece haver muito mais do mundo por trás das lentes, olhando o universo de uma outra perspectiva.


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