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4 filmes pra curtir debaixo do edredom

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Listinha de filmes pra assistir no inverno, que chegou no Brasil na última sexta. A seleção possui dois clássicos, um ame-ou-odeie e um romance fora dos padrões. Quando se fala em filme e inverno, vem pra mente edredom, pipoca e companhia, mas não aqui! A única companhia que você precisa é DVD/Blu-Ray player e o controle remoto. E não é pra fazer isso.

1. O ILUMINADO (The Shining) — 1980

Jack Nicholson dirigido por Stanley Kubrick com história baseada no livro de Stephen King: tem como errar? Terror psicológico dos bons e superlotado de mensagens subliminares quase imperceptíveis na primeira vez assistindo (existem sites e documentários tentando compreender o quebra-cabeças colorido que Kubrick desenvolveu). Pra quem não sabe, é clássico absurdo, do tipo que tem legiões de fãs eternos.


Nicholson interpreta Jack, cara que consegue o emprego de cuidar de um antigo hotel durante o inverno, época em que o movimento é nulo e todo mundo foge do frio. O dinheiro parece fácil e não seria nada ruim viver com a família (esposa e filho) num hotel por poucos meses, completamente sozinhos, até a nevasca passar e o hotel voltar ao funcionamento. O que nenhum dos três esperava era lidar com a extrema sensação de isolamento do mundo, já que ficam distantes de tudo.

Isso começa a causar problemas na mente de Jack e seu filho, que passam a ver coisas que não deveriam existir, falar com quem não deveria estar presente e conviver com coisas que talvez nem sejam reais. O filme chega a mexer com o emocional se você for sensível (acredito que pelo excesso e jogo de cores e estampas usadas na produção) e a história realmente vale a pena. Não gosto de puxar saco, mas o filme cumpre tudo aquilo que é esperado.





2. LADY SNOWBLOOD (Shurayukihime) — 1973

Sabe de onde saiu parte do estilo visual/textual/musical de Kill Bill? Daqui! Quentin Tarantino jamais escondeu as fontes de inspiração, principalmente porque adora homenagear seus antepassados cineastas, especialmente orientais. Em Lady Snowblood temos uma história adulta, sangrenta e doce, pois a vingança tem diferentes sabores. Pro frio, nada melhor que cinema japonês.


Nossa protagonista nasceu na prisão. Sua mãe foi presa após matar um dos homens de uma gangue que assassinou seu marido e a estuprou. Assim que Yuki nasce, a mãe, sedenta por vingança, morre sem que seu objetivo seja concluído, entregando à filha a missão de continuar o caminho de vingança. Sendo assim, Yuki se torna uma excelente espadachim e ótima chef na preparação de pratos servidos frios, tais como vingança, indo de encontro com cada homem responsável pela destruição de sua família.

O mais apaixonante é o estilo. Fica fácil entender por que Tarantino ama tanto o cinema oriental: sua trilha sonora única, seus cenários fantasiosos mesmo dentro da realidade, os figurinos impecáveis, as características das personagens e a quantidade incrível de sangue falso derramado. Acho lindo, acho cult,  tem até em mangá e vale a pena dar chance. Amo, amo, amo!





3. O NEVOEIRO (The Mist) — 2007

Também baseado num conto de Stephen King, O Nevoeiro é um dos filmes com clímax mais legais que já vi na vida! Como disse na introdução do post, é ame-ou-odeie instantâneo (muito verdade). Misterioso e cheio de suspense, consegue desenvolver o conceito de "tempo, cultura e sociedade" muito rápido de forma clara e sólida.


Drayton vai ao mercado com o filho pra comprar suprimentos, já que uma tempestade muito forte destruiu parte do Maine (e um pedaço da casa que divide com a esposa amada e seu trabalho como artista de pôsteres de filmes). Do nada, do nada mesmo, um nevoeiro muito denso cerca o local inteiro, o que já é muito suspeito. Quando alguns tentam sair na névoa, percebem que não estão sozinhos, que há algo sobre-humano escondido na fumaça. Preso dentro do supermercado com mais um monte de gente, David Drayton precisa lidar com o fanatismo religioso e o retrocesso à sociedade guiada por medo e adoração divina cega. Além do que diabos estiver lá fora — querendo entrar.

É incrível essa jogada com o comportamento humano, em como pessoas se seguram a salvações sem fundamento por uma chance qualquer de vencerem o medo do fim, o medo da morte. É nossa reação ao desconhecido, ao que não esperamos, e isso nos faz perguntar: quem são os monstros de verdade, o que tá na névoa ou quem tá dentro do supermercado? É foda, cara.





4. WEEKEND (Weekend) — 2011

Um romance pra parar com tanto sangue e morte, né? Nessa semana de manifestações e início de inverno, já pode aproveitar a solteirice pra assistir esse filme (e se matar de vez) ou assistir com o(a) namorado(a). Eu? Ah, baby, sou mais meu travesseiro do Pikachu (que ensinei a fazer aqui). Ele e meu Nintendo DS são meus namorados de verdade, com aliança e tudo.


Russell talvez tenha se sentido carente na noite em que foi parar numa boate pra tomar uns drinques e ver se encontrava um cara pra dividir a cama. Talvez tenha sido apenas automático. Mas ele encontra Glen, que pede pra gravar algumas histórias da vida de Russell como "pagamento" pela noite legal. Eles são meio diferentes um do outro e nisso de contar historinhas aqui, outra ali, acabam se envolvendo de verdade a partir daquele fim de semana. A merda é que Glen está com viagem marcada pra morar nos EUA, justamente quando eles estão começando algo muito mágico.

O legal desse filme é o universo tangível, bem real, do relacionamento dos dois. Clichê gay, você vai dizer, por ter drogas e sexo (nada apelativo, é sério). Na verdade, é um clichê da vida. Com héteros ou homossexuais, drogas fazem parte da vida, mesmo que seja apenas pra dizer "não" a elas. Estão na sociedade tanto quanto sexo (e você vai se deparar com eles vez ou outra). A sensibilidade de sabermos que o relacionamento pode ter seus dias contados nos faz perguntar: eles vão funcionar? 




Enfim, essas são minhas 4 indicações de filmes pra assistir no inverno, bem de noite, comendo muito leite condensado direto da latinha — só se você estiver na solteirice. Se estiver namorando, melhor comer salada e pão integral. E olhe lá.

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