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Tirar meleca em público pode?

meleca

Como se já não bastassem as privadas respingadas de mijo e o modelo de comportamento primitivo dos homens, outra característica que vejo bastante nas ruas é a falta de vergonha ao expelir do nariz as catotas de meleca. Duras, moles, gosmentas, são retiradas das narinas com técnicas diferentes e sempre chocantes. Cultura masculina? Por que ninguém se incomoda? POR QUE eles fazem isso?

Sem querer soar preconceituoso, mas nunca vi mulheres praticarem tal grosseria em público. Fiscais de ônibus, esportivos, puxadores de pesos, taxistas, pais de família: parece não haver classe social ou trabalhista que crie barreiras para o dedo no nariz cabeludo ou a famosíssima técnica de apertar uma narina e assoar a outra, lançando um enorme míssil de catarro verde contra o chão.

E é nessas horas que minha cara de ódio toma conta. Ódio. Sentimento tão chulo, xucro, feio e que odeio sentir. Odeio falar que odeio. Mas é isso que sinto, antes de sentir compaixão. Compaixão e mágoa por perceber que essas pessoas não possuem o mínimo de empatia ou respeito por quem se encontra ao redor. Muito menos por elas mesmas, que são humilhados e diminuídos pelos olhos de outros.

Muitas vezes, puxar, enrolar entre os dedos e arremessar como uma bola de basquete a meleca verde se torna um ato passivo, subconsciente. Já vi pessoas brincando com a massinha de modelar nasal sentadas no ônibus, com gente ao lado. Talvez nem percebam a gravidade do que estão fazendo: tirando meleca na frente dos outros! Às vezes, até me faz perguntar por que diabos isso me incomoda tanto, já que todo mundo tem meleca.

Me respondo que é por convenção social de bem-estar, da mesma forma que deixamos de cagar nas ruas ou virar baldes de excremento de nossas janelas para as calçadas — atividade comum na Idade Média. O que melhorou em partes, já que hoje em dia o máximo de cocô ao ar livre provém de valões abertos na periferia, a caquinha de cachorros adestrados da zona sul ou o maldito xixi de gente sem educação nos becos das cidades

De novo, a cultura de que o homem deve agir como bicho ao invés de se comportar como humano, animal racional (quando se comporta dessa forma, passa a ser considerado bicha), se torna um empecilho na evolução social. É preferível ser ogro a empático, sujo a limpo. Gera mais status, alimenta o ego e um monte de bactéricas. 

Mas olha, eu também tiro meleca! Quando tô resfriado, nossa, escorrem cachoeiras do bloco de concreto gigantesco que chamo de nariz. Quando faço isso, uso lenços de papel ou lavo com água! E não fico brincando (ou comendo) as placas tectônicas de sujeira e coriza que se formam em minhas cavidades.

Para os aventureiros, gero uma nova profissão que harmoniza o sistema de castas de quem arranca monstros com os dedos e exploram cavernas de respiração: geógrafos de nariz. A vocês, meu desprezo.

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