Carregando...



Nossa tendência a adorar vilões

Leia mais autoajuda

No passado o que interessava sobre alguém eram os passos positivos de seus ancestrais. Hoje há certo culto à forma distorcida de agir. Quebrar promessas ou ônibus, abusar de falta de educação e deixar o "bom dia" em casa são formadores de status. E mesmo que saiba que a tendência não é de que isso ocorra mais vezes, me preocupa o porquê disso...

Não é de hoje que o perigoso é mais gostoso. Fazer o proibido sempre causou alvoroço de hormônios e explosões de adrenalina que tornam a experiência de ir contra as regras muito mais compensadora, isso a gente sabe de cor porque todo mundo já cometeu um crimezinho feliz. Começo a enxergar problema quando percebo que ao meu redor as pessoas estão cultivando mais as atitudes ofensivas que as de bom cunho.

Quantas pessoas adoram o mocinho da série? Tá, ele tem seus números de fãs. Agora conte o número de fãs do vilão. Cabum! Olha quanta gente levantou a mão! Ser o vilão é realmente mais legal, né? Desapegado, cruel, vingativo, egoísta, com liberdade mental de todas as regras da sociedade muito mais incríveis e com linhas de diálogo muito mais caprichadas. Vilões são incríveis não por serem vilões, mas por serem tudo que gostaríamos de ser: donos de nós mesmos.

Digo porque temos os mocinhos Sam e Dean Winchester, da série Sobrenatural (Supernatural, no original). Eles salvam o dia, respeitam as moças, ajudam velhinhas e lutam contra coisas ruins. Por que são adorados, então? Porque são donos de si! Não funcionam nos moldes de mocinhos comuns, que geralmente são classificados pela TV como vítimas, sempre patéticos, indefesos, justos a ponto de serem burros e facilmente abusados.

Ou seja, na nossa cultura, ser bonzinho é ser estúpido, enquanto ser vilão é ser maravilhoso, descolado e 212 em todas as listas de festa do mundo (já que não precisam de convites pra entrar). Mas e quando a gente esbarra com alguém que tem má fama absurda? Se cruzássemos com a Carminha, por exemplo, a gente ia bater palma ou a empurraríamos da escada com o intuito de proteger o mundo de seu mal?

É o que precisa ficar claro: na TV, adorar o vilão pode ser uma projeção do tipo de pessoas que queremos ser, mais misteriosos, interessantes. Na vida, a gente quer correr dessas pessoas ou dar uma cadeirada na cabeça delas. Então fica entendido que a gente não adora os vilões da vida real. A gente adora como seríamos se não passássemos tanto tempo escondidos dentro do armário, amando quem não nos ama, sorrindo quando queremos chorar ou torcendo pro final de semana chegar para termos alguma liberdade.

No fim das contas, até quem é vilão não passa de um mocinho, uma vítima sob a esmagadora pressão social que temos de segurar todos os dias. E se quiser seguir os passos dos monstros, a pergunta que assombra os poderosos é sempre essa: você quer ser respeitado ou temido? Mais do que isso, você quer ser amado ou respeitado?

Dorme com esse barulho.

FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos