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O que é gouinage? Gouine?

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Um dos piores momentos do meu crescimento foi perceber que meu apetite sexual tava bugado. Enquanto meus amiguinhos queriam oferecer salsichas, pães árabes e roscas o mais rápido possível, eu preferia jogar Pokémon: nada me excitava. Depois, percebi que meu tesão vinha do clima quase mental, mas mesmo assim nunca fui de penetração. O que sou, já que não ativo, passivo ou assexuado?

Gouine. Pronuncia-se (gu-í-na) Esse termo vem lá da França e segundo esse artigo aqui, define os praticantes da gouinage, que nada mais é do que sempre chamei de "preliminares infinitas", quando a penetração em si não é parte fundamental do ato sexual, mas pode aparecer como complemento. O foco da gouinage é o beijo, o amassa-amassa que já cansei de dizer que adoro, a masturbação corporal sem ter de tocar necessariamente nas partes íntimas. 

Sempre me achei esquisito por não gostar de ser ativo, passivo, versátil e por não me definir como assexuado, já que mesmo pequeno, meu apetite sexual existia. Diferente, mas existia. Rawr. Quando descobri a existência dessa "categoria", ao invés de apontar como mais um rótulo escroto, acolhi como uma chama de esperança: "não sou tão anormal assim, olha quanta gente gosta disso!"

Porque aceitar a enfiação de pau durante dois minutos pra gozar em 5 segundos é o que caracteriza "prazer" na nossa cultura. Entre gays, héteros ou X-Men, a satisfação sexual está intimamente ligada ao exercício físico de "meter" ou "ser comido". Nesses termos, na sua cara. Quando alguém levanta a mão pra dizer que não funciona bem assim, o mundo tenta rotular logo, chamar de fresco, esquisito.

Não tem a ver com simples orgulho ou nojo, mas com preferência natural, predisposição. No Facebook, quando postei o link do artigo ali de cima, me perguntaram "pra que escolher entre Coca ou chocolate quando podemos ter os dois?", num comentário tendo como corpo a ideia que vem logo à cabeça quando se fala de um novo termo, de que gouinage exclui totalmente a penetração.

Isso não existe. Óbvio que há uma preferência em não praticar a penetração, mas estamos falando de seres humanos se envolvendo mental e fisicamente sobre uma cama (ou pia, fogão, tapete, gramado etc). Na hora do vamos ver, o cara pode ser totalmente ativo ou totalmente anti-penetração, mas há 1% de chance — pelo menos — de que, no clima certo, o jogo mude. Tem a ver com confiança, com vontade de experimentar algo novo ou com a naturalidade com qual as coisas se movem (o que não justifica sexo sem segurança).

Por isso, respondi para o menino que "odeio Coca e adoro chocolate. Só que mesmo odiando Coca, é a primeira coisa que misturo com vodka quando tô a fim de beber". Tudo depende da necessidade, do momento. Como bem dito no artigo, gouinage é uma linha de sexo sem muitas regras, onde a versatilidade mistura diferentes práticas e gostos, do tântrico ao selvagem.

Hoje nós, que nos encaixamos sob a etiqueta "gouine", podemos nos unir e dizer que há uma boa perspectiva pela frente! Nosso tipo de sexo é mais seguro, mais íntimo (pois precisa de menos corpo e mais envolvimento), menos automático (não é só enfiar e gozar), efêmero e surpreendente! Mas nunca, nunca deixe que o rótulo domine sua mente e te feche para novas experiências. O termo é apenas uma forma de definir o que a gente sempre sentiu e não soube nomear.

Até porque, sempre haverão diferentes nomes para as mesmas coisas. E tudo termina num só substantivo: prazer. Melhor se for mútuo.

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