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Empatia

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Toda vez que xingam um motorista de ônibus que não parou, penso em como empatia se tornou obsoleta pras pessoas. Empatia, se não sabe o que é (ou não sabia que tinha nome) é a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Não é um superpoder, é raciocínio: "se estivesse no lugar dele, gostaria de ser tratado dessa forma?"

É chato falar disso? Se pensa assim, sinto te dizer que você foi picado pelo bichinho do egoísmo. Dependendo do que faça ao admitir que não se importa em como outros se sentem, pode ter sido picado até pelo bichinho da crueldade. Pois é certo que não deixemos de viver para nunca afetar os sentimentos de outra pessoa, mas se pudermos evitar intencionalmente, a responsabilidade — com empatia ou sem — é totalmente nossa.

Como no post sobre remorso, a gente só deveria se sentir culpado pelo que fez, jamais porque algumas pessoas simplesmente escolheram um modo vitimista e reclamão de levar a vida. Mas isso nos leva a outros patamares, certo? Porque a partir da hora em que não temos obrigação de se importar com outras vidas a não ser por atitudes causadas por nós mesmos, não deveríamos ter compaixão para ajudar quem precisa? Mesmo que a dor ou incômodo tenha sido causado por terceiros e quartos, vamos virar a cara?

Viu? Empatia é, em sentido, se perguntar como gostaria que tratassem você. Tendo a resposta pra essa questão, sobra a prática de agir da melhor maneira possível para com qualquer pessoa que cruzar teu caminho. A história do motorista de ônibus que não parou foi meu cunhado quem contou. Ele tava no ponto junto com um monte de gente mal-humorada por volta das sete da manhã quando o ônibus passou, eles fizeram sinal, e o cara nem considerou parar. 

Começaram a xingar, claro, dizer que foi absurdo, falta de respeito e que motoristas de ônibus são parte da escória social. Meu cunhado se meteu e contou sobre a vez em que o motorista teve caganeira (falo feio, me processe) e avisou para quem estivesse dentro do ônibus (inclusive meu cunhado) que não ia parar pra ninguém, só pra quem fosse descer. Quem estava do lado de fora via o ônibus voado sem parar e agia agressivamente (pra se defender, a gente ataca, que nem bicho peçonhento).

Assim, meu cunhado calou a boca de todo mundo no ponto, colocando o bichinho da dúvida na cabeça de geral: quem era o filho da puta, no fim das contas? O motorista que não parou (talvez por não poder — ou por não querer) ou quem tava julgando sem se dar o trabalho de saber?

Se responda isso aí e pense de novo antes de meter o dedo na cara de alguém.

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