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Deixamos de ser pelo outro?

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A acusação de qualquer amigo ciumento (e solteiro) é dizer que "você mudou desde que começou a namorar", o que sempre será verdade: namorar muda algo em você. Assim como tropeçar na rua, tomar chá com o Buda ou (tentar) cancelar sua conta na Vivo: tudo, o tempo todo, influencia sua maneira de agir. Alguns casos são extremos, outros resistentes, mas mudanças acontecem.

Uma vez meu amigo saiu com um moleque que explicou pra ele a teoria da "terceira pessoa" no relacionamento. Pareceu meio confuso, já que a gente pensa que pra um relacionamento funcionar ele precisa estar limitado à troca entre duas pessoas, né? Então, esse 3º componente não é uma pessoa física, de verdade. É a pessoa psicológica, dividida entre os dois parceiros, formada por um pouco da personalidade em comum dos dois. Não entendeu?

Digamos que eu e você estamos namorando (ui), tá bom? Eu gosto de Pokémon e você só gosta de futebol. Um dia qualquer você decide que me quer contigo num jogo de futebol. Só que no mesmo dia, nesse domingo, planejei ficar o dia todo em casa jogando Pokémon. Como proceder? Se nós estivéssemos solteiros, chamaríamos nossos amigos ou iríamos sozinhos aos nossos compromissos. Agora que estamos namorando, como resolver esse embate?

É quando um dos parceiros cede e se deixa levar pelo outro que a acusação de que "você deixou de ser quem é pra satisfazer seu namorado" começam a aparecer. Existem casos extremos, como falei, onde a pessoa vira capacho absurdo, deixando de fazer tudo que gosta pra satisfazer os desejos egoístas do parceiro, mas gente assim é perdida, gente que não sabe quem é e resolve que aquela pessoa amada será seu novo foco de atenção para que não tenha de pensar em quem ela é. Fica mais fácil servir alguém do que entender a si.

Quando a vaidade fica de lado por um dia, pra deixar de fazer algo que faz sempre pra tentar uma coisa nova com quem você gosta, há o nascimento de uma terceira imagem, uma terceira pessoa. É como um totem, um depósito de personalidade que funciona como juiz. Nele, vocês jogam os prós e os contras de suas diferenças e até que ponto um pode ceder e acrescentar pelo outro. No caso do meu relacionamento com VOCÊ, você saberia que não gosto de futebol, então, olhando pelos olhos dessa 3ª pessoa, você não seria egoísta de me chamar pro jogo querendo que eu engula meu desgosto pelo esporte.

Por outro lado, eu olharia pelos olhos dessa 3ª pessoa e perceberia que minha raiva contra futebol é idiotice comparado ao que realmente importa: dividir um momento que você adora com sua companhia, meu parceiro. É através dessa terceira perspectiva que a gente entende que precisamos continuar sendo quem somos e não precisamos abrir completa mão disso. O que a gente precisa fazer é parar de brincar com o orgulho pra abrir o peito a uma sensação de companhia. 

Não só pra namoro, serve pra todo tipo de relacionamento íntimo, pois mistura empatia, sensação de bem estar e compaixão. Mais do que tudo, envolve o que chamo de amor: vontade de construir algo incrível junto de alguém, pois é quando percebo que quero pro outro toda a felicidade que tenho comigo, entendo o quanto amo alguém. Isso, pra mim, não é deixar de ser quem é. É se tornar o que você realmente quer ser: melhor.

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