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Desprezar quem te desprezou

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Depois do chute dolorido nas bochechas da bunda, depois que pedimos pra pessoa ficar, nos humilhamos e choramos como cabras na frente dos colegas e estranhos nos ônibus (com a cara colada na janela por poças de catarro e música deprê tocando), somos tomados por um só desejo: que quem nos rejeitou peça pra voltar, só pra podermos dizer "valeu, tô em outra".

O que quase sempre é pra mascarar a real intenção quando estamos contando para os amigos: que queremos a pessoa de volta. Somos tão dramáticos, tão necessitados de conchinha, que ao invés de superarmos o relacionamento e seguir em frente, deixamos a raiva dominar muito mais tempo do que deveria. Porque raiva pode ser bom pra ajudar na superação, porém jamais deve se tornar carta-branca pra manter a pessoa em sua mente, mesmo como inimiga.

Porque essa coisa de "acabou porque não deu certo" não existe! É caô! Acabou porque acabou! Vocês ficaram juntos o tempo que passou, acertaram em muitas coisas e mesmo errando em mais um monte, deveriam entender que isso aconteceu pra aprender. Quando a gente tira uma lição de qualquer situação ruim, ela se torna positiva instantaneamente.

Quando o relacionamento acaba, é porque a compatibilidade das pessoas não é a mesma. Não quer dizer que exista um vilão, mesmo que um de vocês tenha chifrado o outro ou porque o cara que você gosta desde os 15 anos continua morando com a mãe, sustentado pela mãe, dando satisfação pra mãe e trocaria você por ela a qualquer minuto. Ok, foi um exemplo muito pessoal e desnecessário, mas acontece.

Pra manter qualquer vestígio dessa criatura que marcou nossa vida, usamos todos os artifícios possíveis. Se não é possível ama-la, passamos a odiá-la, culpa-la pelo tempo gasto, pelo dinheiro desperdiçado e lágrimas derramas. Quando o ego entra na jogada, passamos dia após dia planejando roteiros e frases de efeito para rejeitar essa pessoa numa realidade onde ela se arrependeu, percebeu que somos perfeitos e quer voltar. Aí enchemos a boca pra mostrar como estamos felizes e bem situados em outros relacionamentos, mesmo que não existam.

Postamos foto no Facebook pra "gerar inveja/ciúmes", mentimos que estamos nos acabando na balada nas noites que estamos em casa chupando geladinho e mantemos essa ilusão escrota de que a pessoa tá prestando a mínima atenção no que estamos fazendo ou deixando de fazer! Será que não dá pra perceber que nós é que estamos sendo enganados? Se a pessoa pediu pra ir embora, em poucos casos vai querer saber da sua vida, e isso depende de oitocentos mil fatores.

Pra quem levou o pé na bunda, a melhor solução é aceitar o chute, baixar a playlist especial pra isso, chorar o tempo necessário e curar a ferida sem mentir. A pessoa foi importante, admita! Pode admitir que vai sentir falta! Mas não se engane ou se apegue a algo que não existe — e provavelmente não mais existirá — entre vocês. Não tenha medo de parecer frágil, chame os amigos pra casa, se enrole no edredom, assista Harry Potter!

Não ache que desprezar quem te desprezou vai fazer qualquer bem pra alma: se algo assim acontecer, é mais possível você agir como um cachorrinho desesperado e aceitar qualquer condição pra estar junto outra vez. Acontece em 99% dos casos. Aí não é mais sobre ego, orgulho ou vaidade, mas sim autorrespeito. Podemos mudar certos aspectos nossos pelo outro? Sim. O que não podemos é aceitar acordos ou passar por humilhações absurdas por migalha de carinho.

Carinho real é quando a gente entende nosso valor e não aceita miserê de qualquer um, quando não mente pra parecer descolado na internet — porque é patético, sua integridade agradece — e quando aprende que todos que passam em nossas vidas são importantes pra aprender alguma coisa. Algumas ficam mais tempo, outros vão embora cedo. Alguns em paz, outros em guerra. Acontece. Aceite o ensinamento, abra um sorriso e volte pra estrada.

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