Carregando...



Série Under The Dome (2013)


O best-seller de 960 páginas (custando R$ 70) de Stephen King, Sob a Redoma, dá base pro nascimento dessa minissérie de 13 episódios — produzida por Steven Spielberg — que leva o mesmo título em inglês. O que poderia ser só uma tentativa de tirar mais dinheiro do público se tornou boa promessa no gênero de suspense. Alienígenas? Tecnologia de guerra? Castigo divino?

Chester's Mill, cidadezinha-cu-do-mundo, se vê presa dentro de uma barreira invisível que permite que todos do lado de fora vejam o que tem dentro e todos que estão dentro vejam o que está fora. O problema é que essa redoma, esse aquário, circunda toda a cidade, impedindo qualquer tipo de comunicação com o mundo exterior, inclusive verbal, já que seja lá o que essa barreira for, é à prova de som, de ondas de rádio ou sinais da TV.

A questão principal é o comum "de onde veio isso?". A segunda questão é: como serão as coisas dentro dessa cidade depois disso? Porque quem tá fora da redoma tá tentando entender a situação também, ninguém sabe de nada! Noticiários, exército, estudiosos, todos! E quem tá dentro não faz ideia da repercussão de fora. Como diz o slogan que vende o livro, "ninguém entra, ninguém sai".

Então vemos o desenrolar de dramas secundários de quem tá dentro da redoma. Uma das frases de mais impacto que definiu tudo foi de uma menina (Britt Robertson, que interpretou a Cassie na falecida série de bruxas The Secret Circle e que arrebenta em todas as cenas aqui), a garçonete e irmã do menino mais legal da série, onde ela comenta que se sente num aquário:

"Eu tinha peixes. Peixinhos dourados. Mas então um deles ficou doente... e o outro o comeu. Você sabia que eles fazem isso, os peixinhos dourados?"

Porque é de se esperar que uma série que discute isolamento de uma cidade inteira fale sobre manipulação mental (religiosa, política ou romântica), comportamento (sobre como reagimos uns com os outros quando nos sentimos à parte de quaisquer leis que regem um todo) e todos esses lados sombrios de viver em sociedade sem ordem, em pânico. 


A fotografia ajuda a compor os mistério, chegando a lembrar um pouco séries de mistério como Twin Peaks, com toque de cidade do interior, country, cheio de charme. Os efeitos especiais que compõem a redoma não são bons no episódio piloto, mas melhoram no segundo em disparada. Legal é notar os detalhes que fazem com que a redoma se torne real, como quando ela é pichada, no segundo episódio, a sombra do desenho é projetada no chão (a parede é invisível, o desenho não). Essas pequenas composições fazem a diferença.

A trilha sonora é apagada, muito comum, mas pouco importa já que nosso cérebro é posto pra trabalhar o tempo todo. É uma curiosidade torturante que tem momentos de descanso quando cenas de ação acontecem (e sempre com consequências que afetam a cidade inteira), como quando uma casa pega fogo — também no segundo episódio —, fazendo com que todos se questionem para onde é que a fumaça dos destroços vai, já que estão vivendo dentro de uma bola de vidro fechada.


Quando apresentei Under The Dome pros meus amigos, não teve um que abriu a boca pra dizer que não gostou. O mistério (pra quem não leu o livro) é realmente sólido. Pelo menos nesses dois episódios que saíram, não dá pra ter a mínima noção sobre o fenômeno. O que esperar da união entre Stephen King e Steven Spielberg, né? Qualquer coisa é possível!

Se é fã de suspense, mistério e ficção científica na literatura, cinema ou TV, Under The Dome, pelo menos por enquanto, não é uma opção: é obrigatória! São dois dos homens mais fodas do mundo trabalhando juntos pra sugar o que a TV tem de melhor com uma história muito rica nas mãos! Tanto que é a primeira vez em muito tempo que uma série "de verão" domina a audiência de forma tão monstruosa. Sabemos que 15 milhões de pessoas podem estar erradas, mas no caso de Under The Dome, elas não estão.

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos