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O Homem de Aço (2013)


Esperei minha vida inteira por um filme assim. Mesmo depois de ter achado que Os Vingadores acabariam com qualquer esperança cinematográfica para meus heróis favoritos, Zack Snyder (♥), Christopher Nolan (♥) e David S. Goyer (sem coração) reviveram um ícone. "Super" nunca foi um título tão bem colocado, mas eu escolheria o prefixo adjetivado "supremo". Não há nada igual ao que vi aqui.

Antes de mais nada, retire o preconceito dos ombros. Quando falo do Superman (e minha imbecil preferência pela DC Comics sobre a Marvel), todo mundo para pra dizer que não tem graça, que não há razão pra contar a história de um cara que é, basicamente, indestrutível. Essa é a maior dificuldade na hora de tentar adaptar para o cinema, principalmente hoje que a demanda é que super-heróis — por mais super que sejam — se tornem humano, que suas histórias possam ser acompanhadas de um "tá, isso seria possível no mundo de hoje".

Por isso, trazer um alienígena com cueca por cima da roupa e que se disfarça apenas colocando um par de óculos sempre deu zebra. Pode falar que tô cuspindo no prato dos filmes antigos (excluindo o péssimo MESMO Superman, O Retorno), mas não há razões para comparar o passado com o presente. O público clama por solidez, não só no enredo, mas em como todas as fantasias que os quadrinhos nos trazem serão representados visualmente, em movimento.

A história em O Homem de Aço é contada primeiro em Krypton, com uma estilística única (com cara de Snyder) e um roteiro muito bem resumido e costurado pra caber em, sei lá, 10 minutos, um monte de história, razões e referências. Krypton se torna uma Matrix softcore, onde cada cidadão nasce "artificialmente". Seu material genético é alterado para que as pessoas nasçam com predefinições sociais muito claras, como o político, o guerreiro, o líder e assim em diante. As escolhas parecem não existir.

É quando Jor-El (renomadíssimo cientista) e sua esposa Lara Lor-Van decidem que seu filho nascerá de parto natural, não numa encubadora. Que seu corpo será imaculado e suas escolhas possíveis. A merda é que pelo fato de terem gasto tudo do meio-ambiente, a galera de Krypton teve a estúpida ideia de pegar matéria-prima do núcleo do planeta, o que colocou uma data de expiração pra vida de todos. Num último suspiro, Jor-El e Lara enviam Kal-El (vulgo Clark Kent) pra Terra, quando ao mesmo tempo Zod, o general fodão, resolve tomar providências pra matar todo o conselho de Krypton e dar um "golpe militar".

Daí em diante a gente já conhece a história: alien criado por fazendeiros descobre seus poderes com o passar dos anos e desenvolve um código moral mais forte do que ele. A graça é como isso é transportado pro cinema com esperteza de fazer chorar. Você nunca viu a história do Superman dessa maneira. Várias mudanças aconteceram, mas nada que destruísse o que conhecemos. Na verdade, a versão desse filme me parece até mais sensata do que dos próprios quadrinhos, mesmo após o "reinício" dos heróis da DC Comics.

Kal-El acaba se tornando um representante político. Não dos Estados Unidos da América, não de Krypton. Ele é o símbolo da sociedade utópica, o líder que vai mudar a cabeça dos seres humanos para que não aconteça conosco o que aconteceu em seu planeta natal, um alienígena e não super-herói. A desculpa que faz com que Kal-El se torne um herói de coração puro também é construída com detalhes importantes, como o sacrifício, o amor e o respeito, que não importa qual o tamanho da sua força, sendo seguro de si e pensador de um bem maior, não há por que se aproveitar da fraqueza dos outros.

Esse alien é um imigrante buscando aceitação num mundo hostil. Piora quando Zod aparece na Terra (sim, porque o Conselho de Krypton é burro e acabou "salvando" Zod da destruição) e exige a cabeça de Clark num espeto. Até a galera entender quem tá do lado de quem, rola muita água. Literalmente. Mesmo que o roteiro consiga colocar em duas horas e vinte todo o legado que deu origem ao Homem de Aço, dá a sensação de que correram um pouquinho, o que é quase completamente resolvido com a narrativa de vai e vem no tempo pra explicar cada passo de Clark.

Seu relacionamento com Lois Lane também é rápido, mas devido às circunstâncias em quais eles se envolvem, dá pra entender. Ele, homem solitário e frágil, encontra nela um refúgio. Até brincam incrivelmente bem com o conceito de identidade secreta, é tudo mais real. As referências aos filmes como The Thing e o próprio Matrix são claríssimas. A fotografia é de um trabalho espetacular, falando nisso. As cenas mostram a imensidão dos poderes do Superman em tomadas amplas, minimalistas e muito bem iluminadas, coisa que só Zack Snyder (♥) sabe fazer (assista Sucker Punch e reveja O Homem de Aço pra comparar).

Morri de medo, é claro. Superman e Batman são os dois super-heróis que cresceram comigo. Clark é o alienígena que eu fui (e sou) desde a época do colégio. Batman é minha solidão, meu lado "faça você mesmo". Aprendi a ler com meus quadrinhos e também foi por causa deles que peguei um lápis e cursei design gráfico na faculdade. Tive medo de O Homem de Aço ser um lixo, mas não. Mesmo sendo um blockbuster (filme pra se tornar popular e levantar muito dinheiro), é cheio de significados, de verdades próprias que o sustentam.

Mesmo que escreva e escreva, não vou conseguir traduzir pra você a experiência de colocar os óculos 3D numa sala de cinema IMAX e chegar a sentir o cheiro de poeira dos destroços ou o impacto avassalador das cenas de luta onde a gravidade não tem vez (Neo e Smith de Matrix invejando em 3, 2, 1...). Batalhas dignas de Dragon Ball Z, roteiro à lá Batman: O Cavaleiro das Trevas e todo o visual descolado no estilo Zack Snyder de ser. O Homem de Aço é meu orgulho. É a razão de hoje eu estar procurando em lojas online os blu-rays dos heróis da DC que vou colecionar na estante.

E amanhã tô no cinema de novo. Contra todos os críticos chatos e saudosistas, aceito a nova geração do herói. Henry Cavill é puro Clark Kent, personagem de difícil interpretação, pois corre o risco de ficar chato, de ficar bobão e incômodo. Não tem discussão comigo: é o melhor filme do herói até hoje, contando todos os aspectos (inclusive as cenas de luta que só servem pra encher os olhos, porque cinema é  experiência visual também, não precisa falar de Platão a cada linha).




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