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The O.C.

The O.C.
The O.C. me apresentou bandas que carrego hoje nos fones, definiu padrões de amizade, fez amar o bairro onde moro e me fez invejar qualquer celebração em família — que nunca tenho. A série fez tanto sucesso que a primeira temporada teve 27 episódios, mas acabou triste, com final apressado em 16 episódios. Mesmo assim, o estilo marcou e vale a pena conhecer.

Um moleque qualquer, Ryan Atwood, é preso por roubar um carro com seu irmão mais velho. Ambos vão presos. Sandy Cohen, advogado que ganha micharia mas trabalha pelo prazer de ajudar jovens desviados a acharem seus caminhos e esperanças, é designado para representa-lo. Ele vê algo em Ryan, algo que quebra o código separador de vida pessoal e trabalho, e leva o rapaz pra sua própria casa, já que Ryan já se meteu em problemas na prisão e se continuar lá pode se foder mais. Ou se tornar intangível.

The O.C.Sua esposa, Kirsten Cohen (filha de Caleb Nichol, o cara que domina imóveis e centros comerciais de Orange County - California), fica puta da vida, claro! Sandy tá maluco de trazer bandido pra casa? Ele não se preocupa com a segurança de seu único filho, Seth Cohen? Enfim, Ryan vai parar lá e é uma grande surpresa pra todo mundo como o moleque da periferia é um imã de brigas, mas também o grande fator de mudança que faz com que Seth se aproxime de outros seres humanos (especialmente a menina que é apaixonado desde pequeno, Summer), que Kirsten se torne uma mãe e que as mentiras da altíssima sociedade caiam de vez.

O visual paradisíaco de Newport Beach (dentro do Orange County) me fez amar meu bairro, a Praia da Brisa (Rio de Janeiro, zona oeste), inspirando a escrever meus primeiros livros quando tinha quinze anos (Série Literária Lado B) e buscar a vida que não tinha como alcançar sem dinheiro, mas com pontos de vista. Seth me deu seu gosto musical (que é o ponto altíssimo da série), que inclui Death Cab For Cutie, Shout Out Louds, Ramones, South, The Killers e muitos outros, além de ser o espelho que eu precisava.

The O.C.Sempre fui zoado de alienígena no colégio por andar com a cara enfiada em quadrinhos ou capturando Pokémon no Game Boy Color. Seth era esse loser excepcional, amante de quadrinhos e filmes cult, sem ser nerd total, coisa que nunca quis ser. Ryan representou meu lado dolorido, apaixonado, e me deu visões pra passar em arquitetura na UFRRJ (consegui, mas preferi design gráfico depois). Ah, ele também me deu gosto incrível por botas.

Marissa é meu lado enfurecido, quando tinha 12/13 anos e queria chamar atenção dos meus pais de qualquer jeito: "estou sofrendo, porra!". Minhas tendências suicidas, minhas crises de choro, tudo vinha à tona com Marissa. Com Summer... bem, ela poderia ser uma boa namorada, aquela surpresa da vida que põe tudo que a gente acha impossível à prova. 

Mas eu era um garoto num bairro escondido do Rio, sem milhões de reais na conta, sem iates, sem saber velejar e, principalmente, sem amigo nenhum além da única menina que tinha contato no colégio, que foi minha irmã de alma por alguns anos. Seus pais a proibiam de falar comigo e nosso assunto toda segunda (começamos a ver pelo SBT aos domingos de manhã) era a série. Chorávamos juntos, mas separados. Eu era o Ryan, ela a Marissa. E depois que nossa amizade acabou de forma horrorosa, já me assumia como Seth

The O.C.

Só depois que ela se tornou ela e eu me tornei eu que voltamos a nos falar, mas sem a amizade de antes. Foi assim que The O.C. marcou território dentro de mim. É o que essas séries fazem, desenvolvem responsabilidade sobre nosso comportamento, cativam. Em 30 de setembro de 2011, realizei o sonho de me encontrar com Ben McKenzie, ator que interpretou Ryan, mesmo personagem que eu vestia para estar com ela. Isso me fez ouvir a trilha sonora da série, depois de tanto anos, sem cair em depressão profunda. 

As temporadas ficam em promoção na internet (às vezes duas pelo preço de uma) por R$ 50 ou R$ 60. Foram só quatro, então dá pra comprar tudo de uma vez ou de pouquinho em pouquinho. A trilha sonora oficial é dividida em 6 mixes, onde algumas canções foram produzidas exclusivamente pra série, que lançou várias bandas independentes (como a própria Death Cab, que ganhou visibilidade aí). Por todo o estilo, por todo o esforço pra criar um universo único, The O.C. é minha síntese: drama, família, amigos, bandas indie e praia. Pra mim, não existe série melhor.

O que teria tocado em The O.C. se a série não tivesse acabado? Dá uma olhada na playlist que montei pra responder essa pergunta aqui!

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