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Tipos de virgindade

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Não vou falar sobre virgindade de boca, orelha, nariz ou bumbum. Pra mim, existem dois tipos maiores de virgindade: físico e emocional. No físico, há a primeira concretização sexual com outra pessoa (ou objeto). No emocional, mesmo não sendo virgem fisicamente, há a sensação de que a transa não foi como deveria, que faltou algo, sendo assim, a virgindade permanece. Vou explicar melhor:

No sexo vaginal comum, homem com mulher, geralmente há a ruptura do hímen, a pelezinha que indica se é virgem ou não fisicamente (salvo alguns casos). Por isso muitas meninas sangram na primeira vez: o canal não tá acostumado com o pênis, o hímen tá no caminho, e o vai e vem acaba retirando ele do lugar, causando um pequenino e normal sangramento, aqueles pinguinhos vermelhos no colchão.

Esse é um exemplo clássico da perda da virgindade física, quando você e outro se manifestam sexualmente em sua primeira vez, juntos. A virgindade emocional acontece mesmo se você já transou com outra pessoa, mesmo se já tentou todos os tipos de posições, até mais de uma vez. Talvez tenha faltado um pouco de romance, talvez um pouco mais de paixão, mas o resultado final não é a sensação de que a virgindade foi perdida da maneira certa.

Geralmente é um arrependimento gritante, cheio de remorso, onde você se pergunta o porquê de ter feito aquilo. Sensação de não ter aproveitado o momento, de ter escolhido a pessoa errada ou, como no meu caso, de ter escolhido a forma errada de transar (leia mais sobre isso nesse post aqui). A virgindade emocional nos faz crer que será necessário a hora ideal, no momento ideal, com alguém que, no mínimo, desenvolva certa confiança para que o sexo aconteça.

Ainda me sinto emocionalmente virgem. Já tive grandes momentos com grandes pessoas, mas nunca com a entrega que me classificaria como "alguém que fez sexo". Pior ainda: "alguém que fez sexo e gostou". Mais pior de ruim ainda: "alguém que fez sexo, gostou e chegou até o fim da transa". Porque no sexo físico, por não funcionar da mesma maneira que as outras pessoas, me deixei acreditar — pela crença popular — que a única maneira de deixar de ser virgem seria transando com penetração com qualquer um. 

Mas de que adiantaria brincar de sinuca com quem não me daria a sensação de entrega? A sensação de estar nu, muito além das roupas no chão? Passei a entender e aceitar minha virgindade quando entendi que não posso me submeter ou aceitar algo menor que minhas expectativas reais. Não falo da utopia que domina meus dias, mas da noção de que sou um cara que merece ser tratado com respeito e zelo na hora do vamos ver, porque eu trataria e cuidaria da pessoa da mesma maneira.

Sexo é uma expressão, não é? Pra alguns, é expressão física como passatempo, mais divertido que jogar Paciência. Pra outros, é extensão de carinho pra complementar as palavras, os olhares e as mãos dadas, unindo o corpo mais do que dormir de conchinha. É como se um quisesse entrar no outro, se tornar uma personalidade só, ocupar o mesmo espaço em totalidade. 

Por isso, virgindade é um conceito de interpretações pessoais. Tudo bem, a cultura etiquetou a palavra e definiu um efeito biológico que acontece e é inegável, mas, como nunca canso de dizer, somos seres humanos! Sentimentos e atitudes não podem ser catalogados em tabelinhas imutáveis. Somos flexíveis, adaptáveis. E temos a capacidade de darmos diferentes nomes pra mesma coisa.

Ou nomes iguais para coisas diferentes.

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