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Sem Dor, Sem Ganho (2013)


Existem pessoas que se sentem empacadas na vida. O que elas têm não é o que as faz felizes, e então elas pegam inspiração pra se mexer, mudar o rumo de seus futuros. Outras vão além da busca por uma boa vida, deixando que a ambição as cegue, que as faça querer coisas que elas não precisam de verdade. Quando se é ambicioso assim, como saber quando se deve parar? Sem Dor, Sem Ganho é uma história sobre ambição, estupidez e muito sadismo.

Daniel Lugo (Mark-tá-sarado-Wahlberg) é um personal trainer frustrado com o rumo de sua vida. Cansado de sentir "adotado" por seus clientes, com ego quebrado por se sentir inferior — quando, por causa do corpo de fisiculturista, acredita ser de uma raça superior de humanos — corre pra uma palestra de como se tornar rico, de como tomar atitudes e mudar a vida por completo usando planos simples. Inspirado pelas palavras do cara insano e materialista no palco, Lugo tem a ideia perfeita. E aparentemente mole.

Um de seus clientes mais ricos, Marc Schiller (Tony Shalhoub, da série Monk) é tão babaca e incompetente que Lugo não vê pessoa melhor parar sequestrar, torturar e roubar tudo, mantendo-o vivo apenas para assinar papéis que transfeririam todos seus bens para os sequestradores. Mesmo que seu egocentrismo seja enjoativamente barulhento, Lugo precisa de mais gente. É aí que entra seu parceiro de academia, Doorbal (Anthony Mackie, de Guerra ao Terror) e Doyle (Dwayne "The Rock" Johson), que mesmo extremamente estúpidos, compartilham amor ao corpo e vontade de enriquecer facilmente.

"Facilmente". Eles capturam o cara, mas nada sai como planejado. Nada. Algo que parecia tão simples parece dar certo no começo, quando conseguem a casa, o dinheiro, o cachorro e a empresa de Marc, mas as drogas, a ostentação, elas têm um preço muito mais alto do que é cobrado. Sendo assim, o que fazer pra conseguir mais grana? Bolar outros planos igualmente "simples" que, vistos de perto são burros e inacreditáveis.

O maior ponto positivo aqui é a narração, que muda para cada personagem envolvido, ora contando sobre seu passado ou só dando uma opinião escrota, já que a comédia é apoiada não em piadas sem sal, mas em puro sadismo. Se gosta de gente sofrendo, burrice sem censura e idolatria, vai rachar de rir, com certeza. Não é o tipo de humor que todo mundo tá pronto pra enfrentar (por isso quase todo mundo que assistiu falou mal). 

Não há muito de "certo ou errado", vai bastante do gosto de cada um. Particularmente, pro tipo de história "baseada em fatos reais", poderia ser meia hora mais curto pelo menos. Duas horas passam devagar e a fotografia que tenta ser bonita não passa de saturação de cor, excesso de suor em corpos esculpidos e paletas que casam "acidentalmente" com a atmosfera cenográfica. 

As atuações não estão ruins, só caricatas. Claro que seria bobo esperar por inovação em cima de personagens que precisam ser normais, literalmente característicos, mas quando a comédia foi inserida de forma tão anormal, acho que haveria liberdade pra abordar momentos diferentes deles, talvez com um pouco mais de seriedade ou escuridão. Parecem apenas tropeçar, levantar, tropeçar de novo, levantar, e assim em diante, respondendo às consequências de suas maluquices.

É curioso, tem momentos bem divertidos (como os da Sabrina, interpretada por Bar Paly) e tão sem noção que quebram a monotonia legal, mas não me colocaria a passar mais duas horas assistindo. Achei que seria consistente, que teria mais significado e, é claro, que me divertiria mais do que conseguiu.





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