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Oblivion (2013)


Nunca prestei atenção no Tão Cruzes quanto ultimamente. Ele interpretou Lestat em Entrevista Com o Vampiro, e depois de Rock of Ages passei a gostar mais. Oblivion não é sobre Tom Cruise, mas me fez perguntar se um ator sem fama conseguiria tornar o filme assistível. Não que seja ruim. Só que o roteiro dá nó na cabeça e não parece casar bem...

A proposta é de um filme de ficção científica total, com alienígenas (nada escrachado), guerras nucleares e vidas automatizadas. Jack Harper (Tão Cruzes) e Vika (Andrea Riseborough) foram designados a tomar conta de estações de tratamento e conversão de água salgada em energia daqui da Terra para Tet, a base espacial flutuando e controlando o espaço aéreo entre a lua Titã de Saturno, e os recursos que sobraram no nosso planeta depois que houve a evacuação daqui pra lá com todos os sobreviventes.

Porque uma vida alienígena destruiu nossa Lua, invadiu o planeta e, na tentativa de nos defendermos, usamos artilharia nuclear. Com a destruição de metade do planeta por maremotos, terremotos e mudanças climáticas causadas pelo impacto em nosso satélite natural, a outra metade se tornou inútil depois de contaminada com radioatividade. Com tecnologia de ponta, o casal monitora e repara robôs que defendem as bases de tratamento e conversão dos carniceiros, alienígenas que "sobraram" no planeta depois da guerra.

Antes de aceitarem a missão, Jack e Vika passaram por um processo pra apagar as memórias de suas vidas, lembrando apenas que são um casal que se ama muito, e com uma missão. Mas Jack se sente incompreendido, pois a Terra é sua casa, e em duas semanas, quando terminarem a monitoração, serão levados de volta à lua de Saturno que abriga a humanidade. Ele não quer ir. É um homem curioso, quer saber sobre o passado e, principalmente, entender sobre sonhos em que se vê numa New York há uns 60 anos,  com uma mulher diferente, mesmo tendo certeza de que nunca esteve lá.

A estética é perfeita e padrão, abusando da forma do triângulo sem pontas, superfícies extremamente planas e reflexivas pra dar o efeito futurístico impecável no meio de tanta destruição. Com cinco roteiristas diferentes, o filme tenta confundir o cérebro — e até consegue — mas fica no superficial. Fica na ponte entre algo comercial e algo com sentido mais sólido, não alcançando nem um espectro nem outro. Quer falar dos princípios da alma e da importância do corpo, o significado da existência, da morte como presente.


De novo, não me entenda mal: não é ruim. É curioso. Fiquei me perguntando várias vezes se o filme daria uma segunda reviravolta (porque dá) pra não entregar tudo de bandeja, e conseguiu. Depois ainda deu mais uma. Brincou com os conceitos de invasores e invadidos e mostrou que o vilão, o ideal, o mocinho e o inferno são simples pontos de vista, que a gente pode escolher viver numa mentira belíssima ou numa realidade feiosa (que não chega a ser um conceito assustador ou revolucionário como foi Matrix).

São duas horas criando um cenário para que a sensação de desconstrução venha forte, o que não acontece e dá a sensação de tempo perdido pra enrolação: daria pra compactar mais um pouco. Mesmo assim, os efeitos nos cenários e mecânicas são belíssimos e imprimem o estilo Portal no longão. Só faltou o tempero. Tem algo que não funciona bem em Oblivion que o impede de ser um ótimo filme. De qualquer forma, é a melhor escolha pra uma sexta de tédio, com um final diferente que, garanto, vai te deixar com cara de surpresa.




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