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Jovens idosos

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Preferimos ficar em casa. Achamos o povo da nossa idade imaturo. Prezamos compromisso e responsabilidade como ninguém. Nossa libido é estimulada por filmes, séries e livros. Ser diferente pode ser difícil pela sensação de isolamento, mas não há nada errado em querer uma vida mais sincera do que a falsidade da agitação vendida na mídia. Não há nada errado em sermos jovens idosos.

O termo "jovem idoso" já é usado por psicólogos pra classificar aqueles jovens "rabugentos", que preferem a própria cama ao invés da balada, que não acham graça de qualquer babaquice e são dados como reclamões porque desenvolveram um senso crítico muito mais apurado que dos jovens comuns. Pouca gente entende que esse comportamento é uma aceleração da maturidade — que deveria ser mais padrão pra que essa sociedade imbecil funcionasse melhor...


Um "jovem idoso" é diferente de tudo que entendem: prefere se relacionar com pessoas mais velhas, sabe apreciar as coisas por suas próprias individualidades, independente da época, e parte do desenvolvimento do caráter vem disso. Somos influenciados pelo meio, certo? Pode haver influência dos responsáveis na hora de montar esse quadro. Às vezes, o adolescente se identifica com o comportamento dos pais e os absorve. Em outras, seu subconsciente desenvolve repulsa ao comportamento infantil deles, por exemplo, e se torna o exato oposto. As causas são relativas e individuais.

A dificuldade pra lidar com outras pessoas sempre foi gigantesca pra mim. Nada de trabalhos em grupo, nada de querer ficar no MSN 24 horas, e por ser muito zoado de esquisito pelas pessoas, acabei desenvolvendo um jeito autossatisfatório de viver: aproveitando minha individualidade, meu espaço, sem precisar de companhia ou aprovação. Assistindo o comportamento patético de meus "colegas de sala", entendi que havia um vão entre mim e eles.

Com meus 7 anos, era um rapaz olhando esses garotos por cima, como se fossem um bando de crianças sequeladas e eu o adulto que teria de lidar com aquilo da melhor maneira possível — mesmo que minha vontade fosse de arrancar a cabeça deles e dar pro meu hipogrifo comer. Foi minha forma de me sentir superior àquele comportamento ofensivo, que me assombrou por anos. No presente, não tive medo de assumir minha (falta de) sexualidade, nem me arrumar para sair: não queria parecer nada porque, simplesmente, preferia que olhassem pra mim e não vissem máscaras que saissem na água.

O normal da galera dos 30 pra baixo, é agir feito idiota ou machista como se isso fosse descolado. Se apoiam sobre relacionamentos de uma noite que não adicionam nada (e repetem várias doses na mesma noite), medem a personalidade pelo que estão vestindo, e consideram "diversão" sair todos os finais de semana, chegar no trabalho virado e chamar qualquer pedaço de carne de "gostoso(a)". Jovens idosos, como eu, se sentem à parte, como bons aliens mesmo.

Também nos divertimos! Adoro beber, também acho as pessoas bonitas, mas não consigo engolir a instabilidade e o comportamento de uma personalidade rasa. Por isso jovens idosos preferem o conforto da solidão e isolamento a ter de fingir sorrisos para essas buscas de autoafirmação sem sentido. Então, se você é um de nós, não se sinta mal. Não há nada de errado em buscar solidez, tranquilidade e sentimentos mais firmes no meio da sociedade perdida em hipocrisia. Não há nada de errado em se amar mais pra dentro do que fingir amar tudo que tá fora. Nem vale a pena.

E se ainda quiser ler mais sobre o assunto, tem essa matéria muito legal do UOL.

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