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Maluco beleza: quando você se aprecia

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Eu tava indo pra casa com uma garrafa de vinho e duas pizzas semiprontas quando a caixa do mercado me cantou. Disse que se estava sozinho ou solteiro, tinha de dividir aquela noite com alguém especial. Será mesmo? Minha intenção era de me encher de vinho, aproveitar o sabor da pizza e dançar Bombay Bicycle Club so-zi-nho, na calada do quarto. Por quê?

Porque não preciso dos outros pra me sentir completo o tempo todo. Foi o que fiz. Ainda na fila, expliquei que aquele monte de porcaria era só pra mim. Não porque não tinha quem convidar, mas porque não me sentia apreciado por mim mesmo. Passei algumas semanas me perguntando por que meus amigos não apareciam mais como antigamente e até deixei de ir ao cinema porque não tinha companhia!

O negócio é que nunca deixei de fazer nada por não ter ninguém ao meu lado. A partir dos 15 anos, frequentei cinemas na mais completa solidão e nunca me senti mal por isso. Ok, talvez uma ou duas vezes, mas sempre gostei da minha própria companhia, de meus comentários internos, da forma única e exclusiva como conseguia ver o mundo ao redor.

Claro que sempre tive a sensação de não pertencer a esse planeta (e os garotos do colégio não ajudavam me chamando de alienígena o tempo todo). É muito chato ter uma visão tão única e não conseguir explicá-la: só você enxerga. Com o tempo, te deixa triste. Então tentei me encaixar de todas as formas que pude, fazendo o que todo mundo fazia. A questão é que eu não estava feliz sendo falso pra mim. E tava dependendo dos outros pra fazer o que adorava fazer sozinho.

Desci a rua com a firmeza nos pés e o dinheiro no bolso. Por R$ 20 comprei as pizzas e a garrafa e voltei pra casa com as músicas que amo nos ouvidos, quase rebolando na calçada. Desloguei do Facebook (e me proibi de acessá-lo), acendi velas e montei uma playlist com Bombay Bicycle Club, Lana Del Rey, Florence + The Machine e Frank Ocean. Assei as pizzas, me joguei no tapete e comecei minha festa de auto-celebração.


Depois de aéreo, dancei com meus artistas preferidos à meia-luz, imaginei cenas de filmes e repeti diálogos no espelho, olhando pra mim na escuridão. E gargalhei! Gargalhei como se tivesse escutado uma piada incrível pela primeira vez. Depois de suar um pouco, tomei aquele banho quente, escovei meus dentes e dormi um dos melhores sonos da minha vida. E só precisei agradecer a mim mesmo por isso.

Dependa menos dos outros. Se aproveite um pouco mais sozinho. Esse é um dos melhores relacionamentos que existem, porque se ele caminhar bem, todos os outros seguem o mesmo rumo. 

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