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Spring Breakers - Garotas Perigosas (2013)


Quatro amigas estão cansadas de suas vidinhas numa cidade parada, então passam a acreditar que as férias de primavera são a chande de ver algo diferente, de experimentar uma vida que idealizaram. Pela falta de dinheiro, assaltam um restaurante. A partir desse ato que desamarram os demônios dentro delas e passam a agir como personagens num filme violento e distorcido de suas mentes.

A sinopse é basicamente essa, o que faz parecer que o filme é:

a) Uma busca de significado pra vida
b) Uma crítica à definição de "diversão" dos jovens modernos
c) um filme


Porque nenhuma de suas intenções ficam expostas. Além do visual espetacular com muitas luzes de cores fortes, ultravioleta e excesso de slowmotions em peitos, cerveja e água, todo o desenvolvimento da história não parecer ter objetivo traçado. O problema disso é que também não serve pra entreter quem procura algo a mais, como Transformers fez (filme sem razão inteligente, mas tecnicamente divertido). É nisso que entra aquela pergunta: se nenhuma dessas atrizes fossem famosas, o filme valeria a pena?

Durante todos os minutos ele busca identidade. Seja na narração desencaixada — mostrando fatos futuros no passado e vice-versa, com muitas repetições, talvez pra inserir a sensação de viver no cérebro de pessoas tão drogadas — ou no contraste de biquínis rosas em meninas aparentando 15 anos segurando escopetas e metralhadoras automáticas, escondendo o rosto sob capuzes de assassino. Ele só busca, não se encontra, lembrando de relance em algumas cenas o game GTA: Vice City


Falando das meninas, as protagonistas são interpretadas por três famosas atrizes (duas que vieram da Disney, Vanessa Hudgens e Selena Gomez, e outra da série Pretty Little Liars, Ashley Benson) e mais "uma aleatória qualquer" (Rachel Korine), que tem poucas chances de expôr alguma coisa interessante em construção teatral. Hudgens está demais, enquanto Ashley fica pra trás, pois não parece adicionar nada pra personalidade da personagem morna.

Selena Gomez cria uma menina religiosa, de coração e índole diferentes das outras três, mas que também desaparece ao esquematizar uma levantada na interpretação. Fica comum, não passa verdade. Agora, James Franco é quem rouba toda a cena como o gângster safadão chamado Alien, com sotaque de gueto, dentes de prata e dreads no cabelo. O cara dá show, simplesmente, e apenas Hudgens e (quase) Ashley conseguem acompanhá-lo. 


Não me entenda mal: elas não estão ruins. Só não estão maduras o suficiente pra casar com o ritmo do filme que, na minha opinião, pedia atrizes um pouco mais fortes, mesmo que a intenção seja exteriorizar o caráter infantil das quatro pirralhas de faculdade que cantam Britney Spears, bebem tequila na calçada, cheiram cocaína e assaltam lojas. Sendo assim, o filme fica com buracos de bala gigantescos, podendo cair com o menor empurrão.

É só por isso que não pude achar Spring Breakers um ótimo filme: deveria ser algo, te faz achar que será, e morre na praia. É bonito, as meninas são bonitas, a história não é um lixo total (com um final até curioso), mas não é sincero. Às vezes, parece só uma casca vazia. Ou cheia de vodka.




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