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O Despertar (2011)


Filmes de espíritos me pegam pelo pé: amo! O ruim dessa categoria é qualidade de roteiro, quase sempre patético, um monte de tentativas de susto pra entreter durante duas horas, pra ganhar dinheirinho. O Despertar se destaca pelo elemento de "quebra-cabeças", com dois possíveis finais que colidem num só e te deixam de boca aberta, se matando pra colocar as peças no lugar.

Pra quem tá acostumado aos conceitos do espiritismo, o filme se torna ainda mais complexo, já que acompanhamos Florence, investigadora de charlatões que, numa Londres de 1921, se aproveitam das perdas de entes queridos pela recente guerra para fazer money em sessões de comunicação espiritual. A gente entende também que essa busca de Florence pra desmascarar a mentira sobre vida após a morte é mecanismo de defesa: ela perdeu alguém e precisa acreditar que não há nada impedindo de seguir em frente.

Sendo escritora científica famosa (lançou um livro sobre o que investiga), um colégio interno só de meninos pediu que investigasse o fenômeno que tem aterrorizado os garotos, causando a morte de um deles, que têm visto o fantasma de um garotinho que assombra o prédio há quase 20 anos. No que Florence acredita? Que é um dos próprios meninos bancando o fantasma. O que ela não imagina? É que os fantasmas de sua própria mente podem ser muito mais perigosos do que qualquer pessoa. Viva ou não.

Odeio filme de época. Tenho repulsa a essa estética e não sei bem a razão. Tanto que, quando comecei a assistir, não me liguei que se passava nos anos 20 até ver toda a ambientação. O que me fez nem ligar pra isso foi como o roteiro e a atriz principal abordaram a presença da personagem Florence dentro do contexto antigo: por mais que seja na época que minha avó era virgem, não tem narrativa desatualizada. 

Falando nos atores, o elenco é demais! Eles não dão shows de drama, não foram indicados ao Oscar, mas sustentaram tão bem as verdades de seus papéis que conseguiram causar envolvimento suficiente pra desligar de questionamentos rasos, permitindo uma interpretação nossa — do telespectador — mais profunda. Dá pra ler os rastros psicológicos e traçar um esboço de perfil rapidamente (o que gera mais dúvidas ao redor da trama).

E sobre a história, cara, tem duas reviravoltas muito grandes. Apesar de algumas pessoas no Filmow terem ficado confusas acerca do final, achei claro, positivamente falando. É um filme produzido pra gerar discussões intensas e ter seus momentos de ação, tudo bem equilibrado, coisa que tá em falta no mercado de filmes desse gênero, como falei lá em cima. 

Vez ou outra ele desacelera bastante, mas depois da conclusão, você lembra das cenas mais lentas e percebe que os roteiristas te deram pedaços desse tal quebra-cabeças pra que, no fim, não ficasse com uma figura incompleta nas mãos. É inteligente, curioso e vai agradar todos aqueles que apreciam um bom filme investigativo ou que têm pezinho no misticismo/sobrenatural. É tiro certo.   





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