Carregando...



Pressa ou qualidade de vida?

Leia mais autoajuda

Pra chegar no estágio, saía de casa duas horas mais cedo. E chegava em casa duas horas mais tarde. Morar na cidade não é ruim por causa da distância, mas pelos obstáculos: trânsito e gente mau-humorada. Enquanto as pessoas reclamavam nas filas, eu (com meus fones de ouvido) descobri o segredo pra ser feliz no meio de tanta pressa. Tô compartilhando contigo agora.

POR QUE CORREMOS TANTO?

Geralmente saímos de casa atrasados. Já parou pra se perguntar o porquê? Uns 70% das pessoas está insatisfeita com o trabalho ou a área em que atua, então mesmo sabendo do horário limite para chegar no lugar, subconscientemente enrolamos o máximo possível em casa. É nossa defesa biológica contra o que não gostamos, o que não dá prazer. Como resultado, saímos voados, arrependidos, prometendo mentalmente que no dia seguinte será diferente.

Na saída do serviço, com ansiedade pra colocar os pés em casa e aproveitar as poucas horas antes de dormir pra repetir a rotina chata no dia seguinte, queremos que os motoristas corram, que as filas desapareçam e que todo mundo cale a porra da boca. Ansiedade só piora, pois afobação, coração acelerado e irritabilidade não vão fazer com que o trânsito desapareça ou que o ônibus chegue mais cedo. Corremos porque queremos mais tempo para fazer o que gostamos (o que quase sempre é nada, procrastinação, que não precisa ser ruim sempre).




DESACELERE! NÃO SIGA AS OVELHAS!

Entenda uma coisa, ok? Esse povo apressado e estressado tá seguindo uma linha da sociedade muito semelhante à escravidão: condicionamento. Desde pequenos, aprendemos que servimos pra comer, cagar, foder, consumir, trabalhar que nem louco e consumir mais. Esse ciclo sem fim e com cheiro de bosta faz com que você trabalhe com o que te dá sensação de perda de tempo. Por isso a pressa pra voltar pra casa e receber férias: com o dinheiro conquistado, com o suor gasto, relaxar é a maior recompensa.

Mais prejudicial que esse regime escroto é a pressa. Tá, sei que quer chegar logo! Mas como disse, não adianta ficar ansioso, sua casa não vai ficar mais perto! Sendo assim, compreenda que você não nasceu pra sofrer no trânsito, que é injusto, mas que é um tipo de problema que tá fora do seu poder. Não dá pra mudar isso agora. O que dá pra mudar é o ambiente. Então se acha que as pessoas são grossas, seja mais gentil mesmo com quem te tratar mal. Você sabe algo que eles se negam a enxergar: que todo mundo é vítima de um sistema que tomamos como bíblia. 




COMO SE CURAR DA PRESSA (E COMO SOBREVIVER AOS APRESSADOS)

Praticando otimismo e paciência. É clichê e feio? Desanimou de ler o resto? Não, é sério, vou te dar umas boas técnicas que exigem um pouco de prática, que fluem naturalmente depois que você aceita que não merece uma vida na pressa e decide não seguir a maré sem questionamentos que todo mundo segue. 

■ EDUCAÇÃO
Mesmo que o motorista ou passageiro aja com grosseria, seja educado. Sabe por que nossa primeira reação é responder com sarcasmo ou violência? Porque temos vergonha de falarem com a gente num tom mais alto em público. Nos sentimos humilhados. Quando entende que não precisa se provar pra ninguém além de si e que brigas são rompantes instantâneos e primitivos de uma sociedade que se acha moderna, pede desculpas se ofendeu alguém e manifesta opinião com serenidade e embasamentos firmes. Gentileza entra nesse aspecto, tá? Assim como empatia.

■ FUGA
Lembre-se dos tempos em que tinha 13 anos, colocava os fones e se escondia no quarto nas festas em família. A "fuga" nada mais é que o aproveitamento de um ponto de distração. Pode ser com música, com vídeos no celular (com sorte de ir sentado), caça-palavras, livros, com o que der! 

■ APRECIAÇÃO
Quando cansar das músicas, se não der pra ler, ou estiver se sentindo mais curioso pra discutir internamente a "beleza" da paisagem, olhe pra fora da janela ou observe as pessoas ao redor. Não precisa pensar em nada, não precisa se esforçar: apenas observe as cores, formas, e seu cérebro fará o resto do trabalho. Não calcule distâncias, não pense nas horas. Agradeça por mais um dia vivo (mesmo que não acredite em divindade alguma) e ame seu território. 

■ NÃO OLHE NO RELÓGIO
Qual a diferença de saber as horas quando já estiver dentro do ônibus? Se olhar e estiver atrasado, vai despertar a ansiedade pra chegar logo, quebrando as chances de se manter tranquilo, na paz. Saber a hora não vai te fazer chegar mais rápido e rezar não adianta. Por isso, se poupe um pouco. Quando dentro do ônibus, esqueça seu relógio, esqueça as horas. Deixa pra se preocupar com atraso quando chegar no trabalho. 

■ PLANEJAMENTOS/DEVANEIOS
Por ser muito sonhador, por passar horas deitado sem dormir, tenho facilidade pra imaginar planos, criar situações de filme que eu mesmo estrelo e me entretenho durante toda viagem. Algumas vezes, o roteiro é triste, até escorre lagrimazinha com Snow Patrol tocando no player. Em outras, dá-lhe alegria! Quando brincamos de "deus", criamos universos paralelos ao que estamos de verdade. Quando se entrega, esquece das pessoas, esquece que tem um mundo chato ali. Tudo que dá pra aproveitar é a euforia de construir uma dimensão, de ser dono do seu próprio espaço, de sua própria cabeça.




Não seja apressado: paciência não se desenvolve da noite pro dia, mas no constante pensamento de que precisa se acalmar, gerar seu próprio ritmo sem deixar que influências negativas afetem. A escolha que você precisa fazer é entre viver com pressa, correndo contra um relógio sem sentido, ou seguir a vibe que não dá pra modificar e aumentar a qualidade da sua vida — o que vai refletir na qualidade de vida dos outros.

Gentileza gera gentileza assim como estresse só gera mais estresse. Pra sobreviver nesse mundo cão, a gente não precisa virar cachorro, pelo contrário. Quando passar a agir feito gente, só vai precisar de algumas palavras inteligentes e atitudes mais positivas pra adestrar a fera e se colocar como dono da vida que decidiu viver. Nós temos esse direito!

FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos