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Síndrome de Peter Pan: não quero ser babaca

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Aprendemos que ser jovem é a coisa mais maneira do universo, experimentações sem julgamentos, onde erra-se de propósito pelo prazer de fazer algo fora da lei. Por isso, a Síndrome de Peter Pan carrega fama negativa: adulto que não sabe (ou se nega) a crescer, encarar responsabilidades. Porém, com a definição de adulto que conhecemos, é mais chocante saber quem gostaria de crescer...

O significado de "se tornar adulto" implica em trabalhar mais tempo do que viver, conquistando dinheiro pra gastar com coisas que possuem tempo pré-determinado de vida (pra que você compre mais) e que nem precisa de verdade. Ou que case, forme família e se sinta pela metade, querendo viajar o tempo todo pra fora do país em busca de "novas experiências" e congratulações de status. Esse modelo já me interessou quando tinha 7 anos e achava que meu professor de biologia era a voz da verdade. Hoje me interesso por outra coisa.



E se eu não quiser dinheiro além do necessário pra ter internet, luz e comida? E se eu não quiser filhos? Ou carros? E se eu acreditar que é possível alcançar sucesso com o que amo — por mais que o caminho seja longo? É difícil pra mim, cara de 21 anos que já se enxerga com 30, dizer "tenho medo de crescer". Me sinto estúpido, até imaturo. Mas depois lembro com quem estou falando: geralmente adultos julgadores, com senso de "sei mais que você sobre a vida" e um monte de sonhos/desejos guardados na gaveta.

Ou seja, por mais sensato que admitamos que crescer é importante pelo desenvolvimento de responsabilidades (que existem a qualquer idade) o que tento evitar é minha transformação numa pessoa frustrada, que projeta a culpa pelo próprio fracasso nos outros. Quando digo que quero ser jovem pra sempre, não busco prazeres imediatos ou infinitos. Consciência de que a vida é feita de altos e baixos martela o tempo todo pra mostrar que essa é a realidade, que ela é feia, mas há a opção de torná-la mais bonita, de viver mais realizado, mais do que sobreviver.



A Síndrome de Peter Pan não deveria ser desculpa pra sentar a bunda no sofá e jogar videogame o dia inteiro, mas cultivar hemorroida numa cadeira de escritório o dia todo também não é certo! Crianças se divertem com tão pouco, né? Por que não podemos viver com menos? Menos vaidade, menos vontade de mostrar pro mundo o que possuímos, menos exposição de nossos relacionamentos pra ficar bonito no Facebook, menos dinheiro, menos lixo... 

Aprendi que são os relacionamentos que fazem a vida valer a pena. Claro que quero comprar o novo Pokémon Y ou o Playstation 4, mas nenhuma dessas coisas teria graça se não houvesse com quem dividir. Precisamos de nossa independência emocional vez ou outra, pra não vivermos mendigando atenção, mas isolamento? Não, ninguém quer isso. Não o tempo todo. Queremos lembranças, beijos apaixonados e um trabalho que façamos por satisfação! Porque a única certeza é a de que todos nós morreremos, e esse é o menor problema. Pior é viver morto por dentro.


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