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Superando o pavor de aniversários

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Completarei 21 anos nessa quarta, 11 de setembro, e posso falar que vai ser o aniversário mais feliz da minha vida. Isso vindo do corpo que já não aguenta andar na Bienal. Sempre tive pavor de ficar mais velho, e só vim entender que esse medo não era da idade, mas das responsabilidades, da falta de amor que se aproximar da morte oferecem...

Falta de amor... acho que tomei exemplos errados quando estudei o "sistema de envelhecimento". Minhas avó, viúvas, nunca parecem felizes sozinhas em suas casas escuras, com suas manias pra economizar na conta de luz e suas repetições de frases. Quase gagás. Minha mãe, presa a um trabalho que não escolheu, a uma vida que não planejou, só pra sustentar filhos e um marido que nem ela tinha certeza se gostava direito, sobrevivendo por obrigação




Duas irmãs casadas com homens prepotentes, com filhas quase da minha idade, com sonhos transformados em cacos e rancores de um passado que nunca conseguiram digerir. Isso sem falar no que sempre vi na rua: gente robô. Adultos vivendo pra acumular dinheiro e objetos, celulares da moda e usando crianças como bolsas de luxo. Simplesmente peguei todos os exemplos errados. Sempre achei que envelhecer seria o fim do mundo, inferno na Terra.

Até que cheguei aqui, na beiradinha do precipício que me separa dos 20 anos. Sabe a maior surpresa? Cheguei feliz! Larguei a faculdade que não me deixava contente, o estágio que pagava bem mas consumia minha criatividade, abri o DDPP, passei a tentar amar o pai que nunca gostei, não canso de dizer pra minha cadelinha o quanto a amo e elevo meus dois melhores amigos a níveis de irmãos espirituais, só por não termos nascido com o mesmo sangue. Isso sem falar no namorado incrível que descolei no caminho...




Completarei meu XXI me sentindo inteiro, pronto pra encarar o que vier, pois entendi que mesmo sendo um jovem idoso, serei jovem pra sempre. Meu Nintendo DS ainda vai ter cartucho do Pokémon, minha parede ainda vai ter pôster de The O.C. e Superman, e vou continuar rindo dos Partoba do Mundo Canibal! É como se tivesse 18 — idade perfeita — só que muito mais otimista, experiente e suave, dando menos focos aos problemas e mais ao aproveitamento de tudo que acontece de simples!

Por isso, me dou parabéns. Celebro esse cerimonial com água e Trakinas (ô, maluco beleza) e jogo pela janela qualquer receio do futuro: não dá pra parar o tempo! Ao invés de desistir ou lutar contra ele, me deixo levar. Cada dia é novidade, uma nova chance de pirar, fazer o que meu coração realmente manda. Se continuar nesse ritmo, jamais serei meu pior pesadelo: um adulto frustrado.  

Répi bãrtidêi tchú mí! É big! É hora!


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