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Como melhorar relacionamento com os pais, Parte 1: Comunicação

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Brigas dentro de casa acontecem por desentendimentos. Quando os filhos e os pais perdem a capacidade de se comunicarem, gritos, ordens sem embasamento e constante estresse reinam. O lugar que deveria se tornar acolhedor, se transforma no inferno indesejado de qual fugir é a melhor opção pra continuar vivo — e ligeiramente são. Se disser que tem um jeito de melhorar, você acreditaria?

Tive sorte de nascer numa família que me ama, independentemente de minha sexualidade, aparência, ideologias ou quaisquer outras características que me definam como sou: um bom filho. Claro que se eu fosse bandido, a história teria um enredo diferente, pois desde pequeno aprendo com minha mãe que o respeito e paciência são as grandes chaves pra fazer quaisquer relacionamentos funcionarem — inclusive com estranhos.


Nem sempre foram rosas. Quando entrei na adolescência, devido a problemas que meu pai causou à família antes do AVC (acidente vascular cerebral) que mudaria toda nossa rotina, passei a não aceitar a hierarquia do lar, deixando de temê-los por serem meus pais. Foi quando deixei de amar pessoas automaticamente: só porque é meu irmão, não quer dizer que preciso amá-lo. Amarei se houver troca pra, aí sim, chamar de irmão. E nunca fui adepto de temer ninguém, muito menos quem deveria ser amado e respeitado.

Até minha mãe entender que deveria conquistar minha confiança ao invés de se tornar uma autoridade, demorou. Dizia que ia a grupos de tratamento pra tabagismo quando, na verdade, consultava uma terapeuta pra saber como lidar comigo da melhor maneira. Significado? Ela queria se comunicar. Eu, do outro lado da moeda, também queria um pouco de atenção, mas não conhecia outra maneira de pedir por ela sem brigar.


Imagem de dearphotograph.com

Com o passar dos anos, construímos nossos respeitos de espaço e comportamento, aprendemos a amar defeitos e qualidades (sempre visando melhorá-los), mas deixamos de discutir por problemas pequenos. Sentamos pra conversar, choramos, e mostramos um pro outro — pisando em cima do orgulho e vaidade — que ainda nos amávamos, que queríamos nos amar como antes! Brigava comigo por se preocupar com meu comportamento e eu, num rompante de raiva, a via como inimiga.

Não é sempre que os pais estão certos. Eles vêm em todos os tipos e jeitos e, às vezes, nós que precisamos educá-los. Só que se houver a mínima vontade de transformar a casa num ambiente mais gostoso, é necessário:


ENGOLIR O EGOÍSMO pois dividir espaço é não ter todos os desejos atendidos sempre;

CANCELAR O ORGULHO porque ele não te deixa dar o braço a torcer, mesmo quando errado;

PRATICAR EMPATIA pra se colocar no lugar dos pais, buscando o porquê de agirem do jeito que agem e como deixá-los mais relaxados;

AMOR é a alma pra tudo. Se não há amor, não há vontade de mudar. Há vontade de fugir. 

ESTAR DISPOSTO A OUVIR mais do que falar. Entenda que é você quem tá lendo esse artigo, foi você quem deu o primeiro passo, ganhando a coroa de "líder" nessa marcha pra boas mudanças;

PACIÊNCIA porque seus pais não vão mudar de um dia pra outro, muito menos você. Cada manhã é uma nova chance de aprender, filtrar, e lidar com tudo que acontecer ao redor;

SER O EXEMPLO pois se responder com insultos, bater portas e fazer shows, ninguém vai te levar a sério. Seja a mudança que deseja em casa. Se forem dar esporro, pare pra ouvir. Não precisa concordar, não precisa debochar. Só precisa escutar e, caso necessário, ser honesto sem grosseria, se oferecer pra melhorarem unidos;

PARAR DE CORRER POR PERFEIÇÃO porque os filme ensinaram errado. Até as família aparentemente perfeitas possuem dramas: se não uns com os outros, têm problemas financeiros, emocionais, biológicos... use esses arquétipos como inspiração, pra se lembrar do tipo de clima que quer implantar dentro de casa, mas nunca como objetivo de vida inquestionável, porque só gera frustração.


Imagem de staceyteague.tumblr.com

Essa foi a primeira parte do guia, pra dar uma pincelada geral sobre o que funcionou dentro da minha casa. Deixei de odiar o pai que sempre me amou e minha mãe se tornou minha melhor amiga. Todo mundo dorme bem, se brigamos fazemos as pazes com o triplo de amor, e nunca deixamos de dizer "eu te amo". Vai que a gente morre e nunca mais tem a chance de expressar esse carinho?

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