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American Horror Story: Coven


Tô arrepiado até agora, acredita? Além da qualidade técnica ter melhorado bastante (já era incrível, mas olhando os cenários, figurinos e atuações, deus, que evolução boa) é a primeira vez que sinto esse nervoso ao assistir American Horror Story. Um pouco mais agressiva, mais macabra e meio sinistra, a série aproveita o arquétipo antigo das bruxas pra falar de terror. E muito bem.

O padrão da série é alto, então é normal que esperemos e apostemos bastante quando uma nova temporada tem início. Foi assim com American Horror Story: Asylum e não foi diferente com Coven, com apenas um adendo pra minha ansiedade (e medo de decepção): bruxas. Sou fascinado por misticismo, ocultismo e nunca canso de falar delas, mas o aspecto dessas mulheres se perdeu com o passar dos anos. 

Culpa de Harry Potter? Charmed? Disney? Não sei. Sei que criaturas que acendem incensos, vivem à luz de velas, se aproveitam dos poderes para escravizar pessoas e se comunicam com espíritos usando tabuleiros Ouija deixaram de existir. Tá muito visual, cinematograficamente falando. Hollywood cagou com o subentendido, os poderes que não dá pra ver e a força telecinética. 


American Horror Story: Coven (3ª Temporada)

Bebendo da fonte de bizarrices saídas da Deep Web, a produção dessa terceira temporada conseguiu misturar bem os períodos históricos americanos envolvendo caça às bruxas, vodu, cultura afro e críticas à estupidez humana. Começando pela abertura, preto e branco, com cara de culto secreto no melhor estilo A Bruxa de Blair e demônios caminhando em florestas. Daí pra frente, uma viagem à 1800 e porrada, muita tortura com negros, filhas oferecidas a homens importantes e dons genéticos. 

Não é toda garota ou geração que faz nascer uma bruxa. Cada vez mais raras, são mulheres com habilidades distintas. Uma pode se machucar pra causar ferimento nos outros, outra pode ver o passado, outra pode arremessar objetos sem tocá-los e, a mais interessante, pode agir como súcubo (demônio que se alimenta da energia sexual masculina) matando enquanto transa. As esquinas culturais da séries são muito bem estruturadas e difíceis de odiar, mas ainda me incomodo com a imagem.


American Horror Story: Coven (3ª Temporada)

Acho que igual ao filme Jovens Bruxas não haverá tão cedo. Mesmo pegando a onda que a Wicca teve no passado, o estereótipo bruxesco fica perdido num tom infantil. Na verdade, ouvir as personagens se chamando de bruxas me incomoda. Mas por que negar o inegável? É uma figura mantida, firme, que vende e gera histórias! Dá pra aproveitar esse embalo e gerar algo tenebroso e comovente. É isso que parece rolar nessa nova temporada de American Horror Story: releituras já relidas.

Só que com um ótimo jogo de luz, locações perfeitamente trabalhadas, figurinos impecáveis (se eu fosse mulher, só andaria de saião preto e bota de ponta fina) e atores com carisma até nos ossos, fica difícil apontar e dizer que tem algo ruim pra sair disso. Muito pelo contrário: American Horror Story é, de novo, um farol de ótimas promessas e exemplo de mira estilística. O que eles venderem, a gente vai comprar e pedir mais.

Essa temporada estreou ontem, dia 9 de outubro de 2013, nos Estados Unidos.

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