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Resenha: Pure Heroine - Lorde


Vem conhecer a nova Queen Bee: a recente queridinha da música é essa neozelandesa, Ella Maria Lani Yelich-O'Connor, ou melhor: LORDE. Carregada de indie pop, com apenas 17 anos vem chamando atenção por sua audácia em mesclar indie, rap, eletrônico, dark wave e pop artístico. Vamos examinar o Pure Heroine e contar pra você o que torna essa garota a sensação das paradas.

Suas letras são carregadas de maturidade e um vocal bonito. Lorde não tem nada de sensual, ela é bem tranquila e tem atitude que foge à das outras cantoras novinhas. O álbum Pure Heroine debutou em terceiro lugar na Billboard e não é o primeiro lançamento fonográfico da teenager. Seu primeiro trabalho em estúdio foi o EP The Love Club, lançado em março desse ano, com a lendária “Royals” (já vamos falar dela). Lorde é sutilmente comparada à Lana Del Rey, mas, se me permitem dizer, ela é muito mais animada. 


A teen Lorde

Nascida em Auckland, Nova Zelândia, Lorde tem traços angelicais e bem marcantes, parte da herança irlandesa. A pele branquinha e a preferência mais escura no modo de se vestir a torna uma Florence sombria e uma Lana com sabor. Com cachões e olhos azuis, lembra fácil uma feiticeira de filmes de idade média — serviria de inspiração na série Game of Thrones. Mas vamos falar do que realmente importa: a música dela.

Compositora, guitarrista, cantora e estudante, Lorde apresenta uma obra importante para a música atual, que anda numa maré de sorte com tantos trabalhos bons. É novata, não tem a experiência de uma Florence, mas a Universal trabalhou duro pra colocar a menina nos holofotes e, felizmente, teve sucesso.




Pure Heroine abre com “Tennis Court”, meio pesadinha, com sintetizadores, Lorde canta com tanta confiança e coragem que é uma ótima introdução. Tem a técnica de “diminuir o ritmo” tão usada em músicas do gênero hip hop, o que pode ser notado quando começa o refrão. A letra é leve e pegajosa. É single e tem um clipe bem bacana. Na parada Rock da Billboard alcançou o 12º lugar.




O disco segue coeso e limpo com “400 Lux” que ainda aposta nos sintetizadores e tem estilo sexy e sensual, entretanto, a melodia é ousada e fica repetindo um som que lembra pernilongos. É divertida olhando por esse lado. A terceira faixa é a clássica (e legalzona) “Royals”. A letra mais despretensiosa de Lorde, que celebra a cultura jovem dos anos 2010 (“you can call me Queen Bee...”) de maneira minimalista. O rap é MUITO bom aqui. Essa música fala de carros, álcool, status social e tudo o que o jovem de hoje em dia venera. Lorde cumpre o que fala na letra: vem mandar na nova geração que não liga para o código postal (90210 feelings).

Ribs” fala de crescer e os problemas da maturidade, tem inicio longo, sem voz. Quando ela entra, a música se anima. A letra é bem próxima da realidade de muitos jovens que estão na fase dos 20 e poucos anos (“this dream isn't feeling sweet, we're reeling through the midnight streets and I've never felt more alone, it feels so scary getting old…”). 

Buzzcut Season” tem uma vibe tropical (não 100%), ainda mantém o hype das letras. Lorde é muito poética, espero que isso seja influência dela, não da gravadora. A sexta faixa, “Team” é melódica e sombria em sua melhor forma. Tem influência hip-hop incontestável do Run-DMC. De novo, o tema é crescer (“I'm kind of over getting told to throw my hands up in the air”). A violência atual aparece na obscura “Glory and Gore”, que tem rap leve e dinâmico. “Still Sane” mantém a composição e estrutura lenta, porém consistente, do disco. É um álbum equilibrado, que não enjoa se ouvido muitas vezes ao dia. 


Promessa?

White Teeth Teens” recobra a diversão e jovialidade. A adolescente precoce e madura que Lorde é, fica de lado para uma Lorde mais divertida e, como em todo álbum, vangloriando sua juventude. É uma das melhores músicas do álbum. Nada mais justo que fechar o CD com “A World Alone”, que tem um feeling de música de madrugada, recomeçando a festa (sabem?), é uma das poucas faixas animadas de Pure Heroine e fecha com chave de ouro.

NOTA FINAL: A heroína Lorde veio salvar a música teen, que há tempos não tinha boas novidades. Claramente, estamos numa boa maré com ela, Haim, Jake Bugg, Lana Del Rey, entre outros. E com essa nova onda de cantores focados em voz e não na imagem, só temos a ganhar. É, sem duvidas, um bom lançamento que deve ser conferido sem preconceitos. Ela é adolescente, pode não ter vozeirão marcante, mas tem presença e originalidade, e é isso que precisamos ouvir (e ver) num mundo musical tão maçante como o de hoje. Talvez tenha muito por vir — espero que tenha mesmo — porque, ao que parece, não vai deixar tão cedo as respeitosas charts mundiais.



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Nos vemos na próxima review. Para indicar, sugerir, criticar ou qualquer lance, me contatem! Adoraria mesmo conhecer outras bandas e trazer pra galera. 'Till next time!


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