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48 horas longe do computador e celular

como+ficar+longe+computador+celular

Atividade é a nova coluna do DDPP. Como o nome sugere, vou dar ideias práticas de coisas pra fazer na rotina, coisas que eu já experimentei e que, pra bem ou mal, merecem compartilhamento. Hoje vou contar os benefícios psicológicos/emocionais que me afastar do computador (não só da internet) trouxeram pro meu cotidiano (cada vez mais isolado). Quem sabe não funciona pra você?

Por estarmos conectados excessivamente às outras pessoas, podemos experimentar momentos que chamo de "claustrofobia social", sensação de estar comprimido numa armadilha da qual não é possível sair. Se sente obrigado a ver atualizações dos amigos (mesmo que automáticas), teu celular não para de apitar com mensagens novas no WhatsApp (ou sei lá o que estão usando agora) e tanto compartilhamento superficial sem sentido, que mude sua vida pra melhor, soa estúpido e clichê.


Imagem: shootingfilm.net

Aí tu quer fugir mas não tem dinheiro pra viajar. Tem um emprego chato que te prende, uma família pra dar suporte ou qualquer outra desculpa que arranjamos pra nos atar. A solução veio quando meu estabilizador queimou. Como não tinha adaptadores, fiquei dois dias sem usar o computador. Sem celular (sério) por não aguentar mais as pessoas ligando pra falarem de seus problemas — quando ninguém quer ouvir os meus por mais de 2 minutos — fiquei fora de alcance.

Na real, só fiquei sem computador no primeiro dia. Gostei tanto de me desconectar que fiz essa experiência por mais dois. Os resultados e como funcionou estão abaixo:


1. COMO FAZER

Não são regras, mas seria o básico pra experiência inteira: ser honesto consigo mesmo. Quer se afastar do computador por quê? O que faz mal, muitos e-mails? Cobranças? Gente falando sem ter nada a dizer? Saúde física? Saúde psicológica? Busca de inspiração? Nomeie causas e entenda o porquê de tomar essa decisão. Sendo assim, desligue o computador e peça pra desaparecerem com seu celular por dois dias.



2. BENEFÍCIOS

desacelerei: deixei de achar que o tempo tava contra mim o tempo todo, então experimentei a sensação de "alongamento temporal" e paciência pra me convencer que mesmo no agito, poderia ter meu próprio passo.

investi em tempo útil: ao invés de passar o dia todo escrevendo em chat ou preocupado com o que vai sair na semana que vem do DDPP, evitei pensar no que tava "perdendo" pra sentar com minha mãe, pai (deixando nossas diferenças de lado) e cadelinha pra explicar o que tava fazendo e por que queria ficar com eles. Como mamãe tava de folga, passamos o dia no mesmo cômodo (quarto deles), assistimos novela, mostrei como o Pikachu fica fofo no Pokémon-Amie ou só fiquei lá, escrevendo.

me inspirei: pois deixei de ouvir música "no" computador. Liguei o rádio, pluguei meu MP4 (não tenho iFode) e parecia estar ouvindo Frank Ocean pela primeira vez, olhando o Sol laranja. Deu vontade de escrever um monte! É mais inspirador que ficar de frente pra tela em branco do Office...


Imagem: shootingfilm.net

menos frustração: porque ver a "falsa felicidade" (ou até a real) pode te fazer questionar por que você, na idade que tá, não conquistou o que fulano conquistou (namorado, emprego, casa etc). Isso é ruim porque pode virar inveja (ou complexo) e gerar frustração, a sensação de que parou no meio do caminho ou que tá atrasado numa corrida onde só ganha quem entende que não há corrida alguma. Assim, aprende a aproveitar o que tem e pensa em novos meios de conseguir o que quer (ou precisa) realmente.

independência emocional: saber que pode viver sem wi-fi ou a falsa sensação de companhia que mil mensagens não lidas oferecem, é ser dono de si. Sem condenar comunicadores instantâneos, sou do tipo que acha que se alguém sentir saudade de verdade, vai visitar, aceitar um convite de filme, dar um rolé de skate na rua... às vezes, mantinha o Facebook aberto, sem estar online, só pra não me sentir sozinho. Antes da internet, quando sozinho em casa, ligava a TV pra parecer que tinha gente. É a mesma coisa.



3. E DEPOIS DAS 48 HORAS PROPOSTAS?

Depende de como você se sentiu. Mais solitário? Fora de contextos, achando que perdeu todas as novidades do mundo pop? Ou foi curioso e te fez reimaginar o ambiente ao redor? Eu, pelo menos, fiquei com essa última opção: ao invés de deixar o computador ligado por dias, criei uma nova rotina. Numa parte da semana, desenvolvo conteúdo pro DDPP e respondo os amigos. 

Na outra parte, vou aproveito que a primavera chegou, coloco uma boa playlist nos ouvidos e pego meu ônibus pra praia. Afinal, é um pecado morar perto de 5 praias e estar há mais de um ano sem visitar uma delas! Ou viajar de trem com essas playlists. Se quer fugir de alguma coisa, tente sair do computador por dois dias. Talvez funcione pra você como funcionou pra mim.

Se já fez, tem sugestões? Quer compartilhar a experiência? Deixe nos comentários!


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