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Ele é gordo e é um charme

gay+gordo+lindo

O tempo onde o cara bombadão da academia e todo seu tanquinho dominaram os olhos de quem "tá a fim" foram embora. Mesmo que o padrão de beleza comum mantenha o corpo esculpido como objeto de desejo, aumenta o número de momentos em que pessoas apontam para um casal e perguntam: como alguém tão bonito tá com aquele feio/gordo/estranho? Por que você acha?

Primeiro que o conceito de beleza é "aquilo que agrada os olhos", mas o gosto varia de pessoa pra pessoa, uma interpretação única do que é considerado belo — como obras de arte. Pra generalizar, um patamar neutro acima do que é "bonito" (já que beleza é abstrata), chamo de esteticamente agradável. Não quer dizer que são pessoas lindas, mas que possuem uma estética que, no mínimo, não faz com que você sinta nojo delas (pele limpa, dentes bem cuidados etc). 


Seth Rogen: meu sonho de consumo

Há quem desenvolva essa abertura mental desde cedo. Tenho um amigo que acha bonito os caras que não considero "meu tipo" (porque não gosto de falar que ninguém é feio, pois sempre vai ser bonito pra alguém). Somos exatos-opostos, pois todos que ele adorar, não vou curtir. Outros passam por tanta coisa, conhecem tanta gente, que deixam de medir aparência como fator decisivo pra tentar o relacionamento. Claro que aparência conta! Só porque é gordinho que um sorriso sincero ou roupas limpas deverão ser ignoradas? Claro que não, mas é questão de higiene, não vaidade sem sentido.

Os benefícios de sair com a casta que todo mundo ignora, é a falta de competição superficial: não existe corrida pra ver quem fica primeiro. Obviamente que uma personalidade marcante vai chamar atenção de todo mundo, mas a preocupação constante que teria saindo com um rapaz "capa de revista" desaparece quase em 90%. Sem falar da libertação desse sistema falido que transforma gente em produto de venda sexual — não que gordinhos não possam ser sexies, mas pra massa, é o modelo Abercrombie & Fitch que faz dinheiro.




Não me acho bonito, de verdade. Pelo menos não sou meu tipo. Só que, em relacionamentos, sempre tive facilidade pra ficar com quem queria, poucas vezes recebendo "não" (ui, olha só que poderoso). O que ninguém entendia era que, ao invés de correr pra ficar com o garoto mais bonito da festa, preferia sentar com os mais cheinhos e conversar a noite toda. Aí a gente trocava telefones e se via no dia seguinte. Assim começaram meus romances preferidos.

Minha paixão por gordinhos (ou troncudinhos, só precisa ser grande) veio bem depois do meu primeiro beijo com caras, quando superei o fato de que o corpo de homem era diferente do da mulher. Se antes renegava, depois quis mais. Uma vez bêbado na balada, fiquei com várias meninas (sou predominantemente gay, ocasionalmente heterossexual, depende de como me sinto): todas gordinhas. Meus melhores relacionamentos? Com balofinhos. Então entendi que nunca foi por ser homem ou mulher, mas por ter o biotipo que chamava minha atenção.


Rebel Wilson em Pitch Perfect

Sou muito magro, talvez por isso que a fofura me seduza tanto. Já saí com modelos, galãs (famosos, inclusive) e com aberrações mais esquisitas da natureza. Tudo porque chegou um momento em que eu procurava companhia acima da vontade de beijar alguém gostoso. Foi quando estava aberto a conhecer qualquer pessoa, me tornar amigo. Se rolasse química, ia deixar de tentar por causa do peso? Ou da cor de pele? Ou por ter perdido o olho direito?

Por isso, vou jogar verde agora e te dizer com peito aberto: se nunca tomou pegada de gordinho, não sabe o que tá perdendo. 

update (13/11/13) Mudei o título de "Ele é gordo, mas é um charme" para "Ele é gordo, e é um charme" porque algumas pessoas assinalaram que ficou um pouco feio. Quando fiz o post, a intenção era essa mesmo, pois foram MILHARES as vezes em que me senti na necessidade de explicar o porquê de sair com um gordinho, como se fosse crime. Sempre falava: "ele é gordinho, mas é [insira adjetivo positivo aqui]". Hoje não tenho esse problema! Obrigado aos que comentaram! 

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