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Pelos no corpo e autoafirmação

pelos+mulher

Pelos (sem acento) já foram grande símbolo de masculinidade, mesmo os que cercavam mamilos e embolavam no púbis. Com a popularização do hábito de se depilar, aparar ou raspar, o controle das matas naturais mudou o sentido de "belo", deixando pra nós mais de uma opção: os lisinhos, os penugem ou os Cláudios Ohanas da vida? E o papel da mulher nessa cultura?

Não é só de imagem que nasce a necessidade de cortar pelos. A gente sabe que na pegação a boca não para quieta, das coxas (ou mais baixo, tem gosto pra tudo) até as orelhas. O chato é que, dependendo da pessoa, parece que você tá lambendo um gramado, toda hora parando pra disfarçar e tossir chumaços de cabelo (que nem gato). Aí se tornou questão de aproveitamento público e higiene.


Imagem: reddit.com

O que se aplica especialmente às regiões íntimas: além de facilitar na hora da limpeza, deixa de esconder o que a gente realmente quer usar. Mesmo que haja preferência, foram poucos os casos de amigos que deixaram de sair com alguém por causa dos pelos, então parece que é um simples adendo, quesito de manutenção corporal pra melhorar o que já está bom.

Em outros, essa manutenção perde força com a rotina (ou inexperiência, como quando comecei a me envolver intimamente e não fazia ideia do que agradava os outros quando ficava de/sem cueca). Quando estamos num relacionamento por muito tempo, descuidamos do corpo pelo comodismo — afinal, pra que emperiquitar pra conseguir na rua se já encontramos o que queríamos? —, e a mata cresce sem dó, filho. Por isso, quando o parceiro parece não se tocar, a melhor solução é pedir pra que corte o matagal com uma brincadeira descontraída.


Imagem: prairiechildinthecity.blogspot.com

Tudo é questão de equilíbrio. Eu diria que não gosto de homens com pernas raspadas, mas estaria mentindo porque em alguns as pernas peladas caem muito bem. Já outros parecem ficar perfeitos com o peito harmoniosamente cabeludo. O problema de tudo sempre foi a mulher: ela, irremediavelmente, não pode ter pelo algum. Excluindo a pepeca, a sensação de estar bela dependente da gilete e cera quente. Essa "falta" de escolha pra elas me deixa incomodado. O bom é que tem gosto pra tudo.

Lembro de zoar uma menina no colégio porque ela tinha cabelo no sovaco. Mas zoei muito, cara! Hoje percebo o game que tava jogando: ela tinha de satisfazer o meu gosto (que era consequência de uma sociedade que acredita na perfeição estética torta, que sobrepõe o gosto de quem prefere ser do jeito que quiser). Por isso, se você ama seus pelos, cuide deles, mantenha-os saudáveis e acredite na "beleza" que funciona melhor pro seu conforto. Mesmo que signifique ter pelos até nos olhos.


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