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Resenha: Reflektor - Arcade Fire

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Os canadenses da Arcade Fire estão de volta com o maravilhoso Reflektor. Desde 2004, a banda vem conquistando o coração de muitos amantes da música indie, recebeu Grammy, Juno, Brit Award, entre outros. Os caras manjam de guitarra, bateria, piano, violino, xilofone, harpa e instrumentos que só tornam a música mais deliciosa. E o DDPP traz agora uma resenha inspiradíssima do álbum novo.

Gravado em Louisiana, a banda começou a construir Reflektor dois anos antes do lançamento, promessa de que apresentariam um trabalho totalmente novo mantendo a qualidade do som. A parceria com o ex-LCD Soundsystem, James Murphy, enriqueceu a gravação e trouxe músicas com teor mitológico e religioso, com muito rock. Os principais temas do álbum são isolamento, morte, renascimento e menções à histórias mitológicas famosas. A capa é uma escultura de Orfeu e Eurídice, de Auguste Rodin (Arcade Fire também é cultura).



A “Intro” é atemporal, com clima de filme de época. São 10 minutos de introdução, mas não pule a faixa, é maravilhosa a composição, vale muito a pena ouvir os diversos instrumentos que aparecem (especialmente a parte da guitarra). Conforme vai passando, vai agitando mais, então temos certeza que o AF trabalhou muito para o resultado final sair como verdadeira obra. Uma viagem!





Em “Reflektor”, música que batiza o CD, temos o tema política, vida social e letra boa (“...If this is heaven, I don't know what it's for...”). A impressão é que estamos sendo envolvidos por outro mundo. Tem algo de novo nessa faixa. O vídeo é maravilhosamente dirigido por Anton Corbijin e vale conferir.





“We Exist” tem muito teclado e bateria afinada. É lentinha, porém segue o ritmo movimentado do álbum. “Flashbubb Eyes” é uma de minhas favoritas, cheia de barulho como um jogo antigo de videogame. O CD cresce mais ainda na quinta faixa, “Here Comes the Night Time”, que é DEMAIS, tem um clima caribenho, tropical, mixado ao rock que tende a deixar você alucinadíssimo nessa obra prima. E a letra então? "If there's no music in heaven then what's it for?"

Com graciosidade, “Normal Person” retoma o velho rock de cenários underground, (bem) seguida pela animadinha “You Already Know”, outra favorita. A letra é chicletão. “Joan of Arc” é um tributo à Santa Joana D’Arc — a francesa com história emblemática — com muito glam rock (mesmo não sendo católico, deve ouvir).



O segundo CD (o álbum foi dividido em dois) abre com “Here Comes the Night Time II”, continuação boa e direta da música do disco 1. “Awful Sound (Oh Eurydice)” não é o que o título propõe. Na verdade é uma ótima música emendada com “It’s Never Over (Oh Orpheus)”. Ou seja, as duas se completam, contando a história de Orfeu e Eurídice, do filme Orfeu Negro, ambientado no carnaval brasileiro. Ambas falam muito dos obstáculos do amor (“…I'll sing your name 'til you're sick of me...We'll figure it out somehow…"). A segunda é uma joia do álbum.





“Porno” é a cara de um bom filme pornô mesmo, com sintetizadores e batidinhas divertidas. É como ver um longa dos anos 70 reeditado. “Afterlife” fala das experiências pós-morte de maneira glam e totalmente travestida de rock (os solos de guitarra arrepiam no começo). Reflektor fecha com “Supersymmetry”: não haveria melhor encerramento que esse, instrumental e rápido. Fecha com chave de diamante.

NOTA FINAL: Reflektor segue a linha de qualidade de um álbum bem produzido pelo Arcade Fire. Talvez eu possa soar pedante, mas se não é o melhor, é um dos melhores trabalhos fonográficos que essa banda pôde apresentar pro cenário indie. Sem dúvidas, dá razões do porquê de ser uma das bandas mais queridas da atualidade. No Reflektor existem questionamentos, mitologia, renascimento, morte, liberdade e o mais importante: música boa!


Nota do álbum


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