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Gente que morre cedo

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Sabe, somos muito estúpidos. O mundo inteiro gosta de criticar meu modo de comer (miojo, pizza, macarronada e só), mas odeiam quando voltamos de uma festa e mando todo mundo escovar os dentes. Odeiam quando peço pra fumarem longe. Odeiam quando me preocupo de volta, do mesmo jeito que fazem comigo. A gente se mata. Mas será que ser saudável garante alguma coisa?

Tem aquela clássica frase "meu parente morreu com 30 anos. Nunca fumou, bebeu ou contraiu alguma doença sexualmente transmissível de uma alienígena gostosa da constelação de ursa-menor. E era vegetariano". Nunca levei a sério porque só uma beata louca e desvaginada poderia viver 30 anos sem dar um toquinho no cigarro, beber feito louca na faculdade, ou beslicar fritas com bifão e muito ketchup. Mas aconteceu comigo. Quando acontece com a gente, as coisas mudam de aspecto.


Imagem: fornodepixels.tumblr.com

O tio de um amigo morreu dessa forma, sem drogas, só na caretice de beber muita água (eu bebo, não julgo) dispensar fatias obesas de queijo derretido na massa quente, e viver de planta — sem ser maconha. O cara morreu aos 30 e fez com que minha réplica a quem critica meu jeito de comer se tornasse: "ainda vou viver mais que vocês, mesmo enchendo minha bunda de carboidratos e entupindo todos os meus vasos sanguineos com gordura".

E pode ser que eu viva mesmo. Pode ser que me torne o primeiro ser humano a viver por 300 anos graças à mania de comer meleca (até os 5 anos, já parei) e viver de miojo (desde a mesma época, troquei uma meleca pela outra). Pode ser que meu corpo desenvolva novos métodos de gerar energia e se manter saudável (fotossíntese. Se eu pegasse Sol...) Ou pode ser que eu morra agora, sangrando por tudo quanto é buraco porque meu sangue não tem mais pra onde correr.



O aprendizado que pego disso é que podemos amenizar os impactos do mundo em nosso corpo de diversas formas, com alimentos naturais, sem agrotóxicos, exercícios regulares, e administração dos sentimentos. Porém, é um grande fator específico que vai falar mais alto no fim: sorte. Sorte, filhote, pra rimar e ficar gostoso. É com ela que vem a carga genética de seus antepassados com um monte de vantagens e desvantagens, que você só vai saber na hora de morrer ou viver por outros 80 anos.

Se soubesse cozinhar — ou gostasse mais de salada — talvez levaria os avisos sobre minha dieta mais a sério. Só que me pergunto "pra quê?". Tô numa idade que só desintoxicação pesada ajudaria a aliviar e, cá entre nós, tô me importando pouco pra isso. A gente só se importa quando dói na pele, somos estúpidos, te falei lá em cima. Mas já que posso morrer ou ficar gordo a qualquer instante, que fique gordo (ou morto) comendo o que mais gosto. Sem culpa.


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