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Porque aprendi mais na internet que na escola

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Quando assisti Matilda pela primeira vez e vi a Escola Primária Crunchem Hall, pensei: "nossa, ainda bem que eu não estudo num lugar assim". Eu era muito nova naquela época pra traçar um paralelo entre a minha escola e a do filme, e perceber que na verdade elas nem eram tão diferentes assim — crianças tendem a ignorar o lado ruim das coisas...

Estudei a minha vida inteira na mesma escola, uma das melhores da região. Esse "título" garantia aos pais a falsa ilusão de que eu estava tendo uma educação de qualidade, no entanto, o objetivo de qualquer colégio hoje em dia — sem querer generalizar já generalizando — não é dar aos alunos educação de qualidade, e sim garantir que eles passem no vestibular. Convenhamos que pra maioria dos pais, ver os filhos passando no vestibular é a prova de que eles receberam educação de qualidade. Hum... será?


Imagem: earthenergyreader.wordpress.com

Esses dias tava — como diria minha mãe — vendo coisas inúteis na internet, assistindo um programa chamado "The Science of Doctor Who" em que um professor de física explica porque a ficção cientifica na série Doctor Who não é tão ficcional assim. Veja bem: sexta à noite. Pessoas normais da minha idade deveriam estar na rua se divertindo com os amigos, certo? Eu estava assistindo, voluntariamente, uma aula de física. Sempre fui péssima aluna em exatas, nunca prestei atenção em uma única aula no colégio, e ali estava eu, vidrada naquelas teorias e pensando que "se esse cara fosse meu professor naquela época, eu teria prestado atenção nas aulas de física".

O problema é exatamente esse: escolas não encorajam o professor a fazer com que alunos achem as matérias interessantes. Porque você não precisa achar aquilo interessante. Você precisa apenas decorar um monte de fórmulas e passar no vestibular. Acontece que, olha só, física é interessante! Quem diria! Jamais chegaria a essa conclusão na escola, onde um dos meus professores dessa matéria entrou na sala um dia e disse "vou fingir que estou dando aula, vocês vão fingir que tô dando aula, a coordenação vai olhar pros monitores (as salas tinham câmeras, a que ponto chegamos...) e vão achar que tô dando aula, assim ninguém tem problemas, certo?" os alunos obviamente concordaram, afinal, aulas de física eram um saco mesmo... tanto que nem o professor queria dar aula!


Imagem: squarecarousel.com

Porque tô falando disso numa coluna literária? Porque tava pensando no café da manhã e minha linha de raciocínio chegou aos livros que era obrigada a ler. Todo começo de ano me enchia de expectativas pra ver a lista de sete livros que precisaria ler pra escola. Alguns eram bons, mas a escola não sabia incentivar a leitura de maneira alguma. Pra começar, livros do Harry Potter eram proibidos sob desculpa que “incitavam bruxaria”. Tipo, sério? As provas sobre as obras eram formuladas tão de qualquer jeito que tirei 10 numa sobre Dom Casmurro tendo lendo apenas o resumo tirado da Wikipédia 15 minutos antes...

Minha intenção com esse texto não é fazer uma crítica profunda ao sistema de educação, é apenas mostrar como a gente tende a valorizar tanto a educação tradicional, que está longe de ser perfeita. Não por causa do “sistema” ou do “governo”, mas porque os pais, educadores e os próprios alunos, não querem sair desse ciclo vicioso de apenas decorar regras chatas pra conseguir boas notas numa prova sem se importar realmente com o que tá sendo aprendido.



Felizmente, existem pessoas interessadas em mudar essa situação, e a internet é um bom lugar pra elas. Pra quem tá procurando aprender coisas de um jeito divertido e eficiente, sugiro que dê uma olhada no Crash Course, canal educativo criado por um dos meus escritores favoritos e seu irmão incrível — John e Hank Green. Outra dica boa é o TED, um site em que você encontra palestras sobre vários assuntos: de beatbox ao design do universo. Da próxima vez que sua mãe reclamar que você passa muito tempo na internet, diga que está se educando — ela não vai acreditar, mas não custa nada tentar...

P.S.: se você leu esse texto até aqui, acho que isso pode te interessar. :)


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