Carregando...



Resenha: Direct Hits - The Killers


É isso mesmo, são 10 anos de The Killers. Se lembra de quando "Mr. Brightside" tocava loucamente nas rádios? É hora de se perguntar "caraca 10 anos!?". Exato, é isso que o Direct Hits, a coletânea de sucessos da banda indie (nem tão mais indie hoje em dia) vem lembrar. Hora de celebrar esses caras que tem um som descolado e pretendem continuar assim.

Resenhar The Killers, confesso, é uma missão difícil. Sou admirador de Brandon Flowers e sua gangue desde Sam's Town, um dos meus álbuns favoritos — junto ao Day & Age. Os Killers nasceram em 2001, quando Brandon abandonou um trio de synthpop para montar seu grupo de rock, inspiradíssimo pelos meninos do Oasis. Dave Keuning, Mark Stoemer e Ronnie Vannuci Jr. compuseram a banda que estourou em uma cafeteria de Las Vegas e acabou disseminando seu som por toda América, até conquistarem contrato com a gravadora britânica Lizard King através do empresário Braden Merrick, apaixonado pelo som underground dos meninos.






Como já era de esperar, as faixas são organizadas por período de lançamento como singles (nos EUA), como se recontasse a história do quarteto. "Mr. Brightside" é o grande sucesso dos The Killers, hino da banda. Lançado em 29 de setembro de 2003, a música é maravilhosamente bem produzida e fala sobre suspeitas de traição. Nas paradas indie, o single ficou em 1º lugar, e na Billboard em 10º. Abre a coletânea quebrando tudo em volta. 





Ainda na era Hot Fuss (2004) vem "Somebody Told Me", das minhas favoritas. A letra é genial e o refrão arrepia. É uma das melhores dos Killers. Tem algo de punk e new wave que se encaixam perfeitamente bem. Trouxe até um Grammy pro grupo. A terceira faixa, "Smile Like You Mean It" (favorita do Enrique), dizem os The Killers, foi escrita em 8 minutos. Tem ritmo menos acelerado que das anteriores, fala sobre crescer, deixar de ser adolescente e envelhecer. Lembra a referência que os caras têm dos Smiths. "All These Things I’ve Done" ("…I got soul, but I'm not a soldier") nunca envelhece.





Sam's Town (2006) trouxe mais confirmações de que The Killers vieram pra ficar e ser uma das melhores bandas da nossa geração. "When You Were Young" ainda é uma das melhoras músicas de rock alternativo da atualidade. Tão icônica que aparece em jogos de videogame (Guitar Hero III: Legends of Rock), covers e desfiles famosos. O vocal de Brandon é perfeito aqui. "Read My Mind" não fez tanto sucesso como as anteriores: é uma das faixas que menos aprecio, soa um pouco fora do contexto e só vai ficando melhor no refrão. Mas não poderia faltar. "For Reasons Unknown", inspirada no Alzheimer da vovó do Flowers, é cheia de sintetizadores e guitarras.





"Are we human or are we dancers?" Algumas músicas ficaram de fora, pois vamos direto a "Human", o que para mim não é problema. Quem não ficou enjoado de tanto ouvir "Human" atire a primeira pedra. Representando fielmente o álbum Day & Age (2008), talvez o mais bem recebido pela crítica e fãs, é música pra dançar. "Spaceman" é outro ícone da banda que nunca vai envelhecer. Daquelas que o refrão foi tocado exaustivamente. A lentinha "A Dustland Fairytale", falando de contos de fadas, é o amadurecimento do The Killers de maneira controlada e sentimental. 





Mais atual vem "Runaways", lançada ano passado. Foi um grande retorno após nada de novo dos Killers, representando o fervente Battle Born (2012). Tem piano, amadurecimento e uma letra maravilhosa. O vídeo foi um dos mais legais dos caras. A composição lembra "Mr. Brightside" um pouco ("Miss Atomic Bomb making out we've got the radio on, you're gonna miss me when I'm gone…").

Fiquei surpreso por "The Way it Was" estar no álbum em vista que não foi single, logo um "não-hit", porém Brandon queria muito ter transformado essa faixa em música de trabalho exatamente porque ama cantá-la em shows, por isso não pensou duas vezes ao colocá-la na coletânea. Outra música que é incluída do Battle Born (apenas na versão deluxe do álbum) é "Be Still", que é das mais lentas, totalmente balada.





"A Shot at Night" é a primeira inédita do Direct Hits, mantendo a imagem de rock fresco e novo dos Killers com a mistura de instrumentos, casados com o vocal de Flowers. Lembra U2 na estrutura, mas tem muito dos anos 80. A segunda inédita é "Just Another Girl", falando de meninas — parece uma "A Dustland Fairytale" mais agitada. 


NOTA FINAL: Direct Hits celebra a carreira do The Killers. E com todas as músicas juntas nem parece que os caras já têm quatro álbuns. A evolução é bem sutil e tem horas que as músicas brincam com essa diluição entre suave e denso, rock e new wave, punk e pop. Direct Hits mostra que mesmo não sendo mais tão indie, os The Killers merecem ser referência. Quem gosta de agitar e depois cair num momento solitário com baladinhas, é um prato cheio. Brandon e sua gangue são talentosos e querem perpetuar o bom som por muito tempo. Sorte a nossa.




FacebookPerfil pessoal no FacebookTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos